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Alemanha

Escolas bilíngües e herança cultural

A educação bilíngüe alemão-português ainda é uma exceção no sistema escolar alemão. Experiências em Munique e Berlim estão se transformando em modelos de escolas interculturais.

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Aluno aponta para Berlim no mapa da Alemanha

A sociedade alemã está se transformando em um caldeirão multicultural. Em um em cada seis casamentos consumados no país, um dos cônjuges não é de nacionalidade alemã. E a cada cinco crianças que nascem, uma tem pelo menos um dos pais de origem estrangeira. Essas crianças, produtos de uniões binacionais, têm a chance única de internalizar dois idiomas como línguas maternas e o privilégio de fazer parte de dois padrões culturais distintos.

Transferência de "capital cultural"

Atualmente vivem na Alemanha 28.243 adultos e 3.067 crianças registrados como brasileiros. Se a educação em duas culturas paralelas é uma chance que não deve ser desperdiçada, pais e mães brasileiros vivendo no país se vêem muitas vezes isolados, diante da responsabilidade de transferir esse "capital cultural". E se deparam com dificuldades inesperadas.

A terapeuta Sueli Torres, por exemplo, há 16 anos na Alemanha e mãe de Malu, 10, fala da sua experiência: "Eu sempre que ia ao Brasil trazia livros e vídeos, lia muito para minha filha, pois o pai dela não fala português. Mas chegou um momento em que ela não queria ser diferente dos amiguinhos, tendo começado a me responder só em alemão. Malu percebeu que o português a diferenciava dos outros. Acho importante que a criança tenha outras pessoas que falem português como referência, não só o pai ou a mãe".

Uma "estrelinha" no sul da Alemanha

Estrelinha deutsch-brasilianischer Kindergarten München

Baby Matthiessen com aluno do Estrelinha

Sentindo as mesmas necessidades e partindo do princípio de que o aprendizado do idioma é a base de toda herança cultural, um grupo de mães brasileiras em Munique resolveu, em 1998, tomar a iniciativa e criar o projeto Estrelinha. O que começou como um grupo de brincadeiras se transformou em jardim de infância modelo de educação intercultural pré-escolar. Hoje o Estrelinha atende crianças entre dois e seis anos de idade e funciona em período integral. Dos custos, 80% são financiados pela prefeitura de Munique, os outros 20% são custeados pelos pais.

Baby Matthiessen, a coordenadora pedagógica, que já trabalhou em escolas no Brasil e na Alemanha, explica o diferencial do grupo: "Trabalhamos com professoras brasileiras. Percebo que o jeito como nossas educadoras tratam as crianças, a forma de pegar, abraçar, tudo isso passa naturalmente para nossas crianças um pouquinho do Brasil. Acho importante passar a cultura nas formas de rituais, festas, músicas, mas também no jeito carinhoso e aberto de ser. Queremos estimular as crianças a falar o que sentem, a dizer que gostam do outro, a mostrar afeto".

O Estrelinha é um jardim de infância que atende tanto a brasileiros como a alemães, explica Baby: "Fazemos questão de não sermos excludentes, comemoramos tanto as festas brasileiras como as alemãs. Muito importante também é nosso cursinho preparatório, onde trabalhamos em alemão as competências comunicativas e sociais das crianças. Não adianta saber ler, escrever e recortar, se as crianças não conseguem expressar suas necessidades e sentimentos. Elas precisam conseguir passar o que estão sentindo para suportar a situação de estresse que é a adaptação a uma nova escola. Tudo isso a gente trabalha com elas em alemão".

Português com todos os sotaques

Sechste Klasse der Europa-Schule Berlin

Alunos da sexta série da Europa-Schule de Berlim

A Escola Européia (Europa-Schule) Berlin Neues Tor também surgiu de uma iniciativa de pais e acabou se transformando numa das preferidas dos pais e mães brasileiros na capital alemã. Desde 1994 como diretora da escola, Helga Grafenhorst explica como funciona o processo de seleção das crianças. "Pré-requisito para nós não é a nacionalidade, mas se a criança fala como idioma principal o português ou o alemão. As crianças fazem um teste, identificamos qual é a língua principal. Se for o português, ele vai ser alfabetizada em português, caso contrário em alemão. A partir do segundo ano, começamos a alfabetização na língua parceira, que é como chamamos a segunda língua. O objetivo da escola é que todas as crianças estejam alfabetizadas nas duas línguas até o final do segundo ano."

Ao todos são 150 alunos cursando alemão e 120 alunos cursando português como língua principal, desses 40 são de origem brasileira, filhos de casais binacionais ou de dois brasileiros. A escola trabalha dentro dos padrões das Escolas Européias no país: a metade das matérias é lecionada em português, outra metade em alemão. A Neues Tor oferece educação bilíngüe desde o pré-primário até a sexta série, quando termina em Berlim o ensino fundamental.

Mudanças à vista

A escola está em processo de mudança. Até agora, a Embaixada Portuguesa financiava os salários do professores. A partir do próximo ano, a cidade de Berlim passa a financiar a escola, que vai passar por mudanças estruturais, com a contratação de novos professores. Nesse contexto, a diretora promete buscar uma cooperação maior com a Embaixada Brasileira. Afinal, a escola é européia, mas a maioria dos alunos tem de alguma forma um pezinho no Brasil.

Helga Grafenhorst é alemã e já trabalhava com alfabetização bilíngüe antes de assumir em 1994 a diretoria da escola. Apesar de não falar português, costumava passar férias em Portugal e aceitou o cargo como um desafio. Sem esconder o orgulho, fala sobre a primeira turma de formandos: "São 27 alunos terminando a sexta série, todos bilíngües. Conseguimos fazer uma cooperação com uma escola [secundária] num bairro vizinho, que vai oferecer em projeto-piloto a continuação do ensino bilíngüe. Vinte e quatro dos formandos optaram por essa escola".

Sua maior preocupação é a falta de um jardim de infância em Berlim. "Este é o último ano em que podemos oferecer a classe preparatória para a nossa escola. Precisamos urgentemente de um jardim de infância português-alemão em Berlim. As outras escolas européias todas já trabalham com jardins de infância bilíngües", alerta.

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