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Alemanha

Escolas alemãs criam ou refletem a divisão social?

Depois da crise numa escola de Berlim, onde a maioria das crianças vem de famílias imigrantes, Angela Merkel objetiva promover alto grau de integração. Mas é difícil definir o culpado pelo panorama de desigualdade.

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Sistema educacional alemão está longe de ser igualitário, dizem os críticos

Políticos de todas as linhas concordam em um ponto: o filho de um imigrante operário deve ter as mesmas chances de ingressar na universidade que o filho de um dentista. Desde que a polícia foi chamada para conter a violência numa hauptschule de Berlim, onde 80% dos alunos vêm de famílias imigrantes mulçumanas, a questão do que pode ser feito para remediar tantas desigualdades sociais tomou as rodas de debate político.

Hauptschule é o patamar mais baixo de um sistema educacional dividido em três, que separa os alunos de acordo com suas capacidades acadêmicas, já aos 10 anos de idade. Críticos dizem que é terreno fértil para o desencaixe social, uma vez que crianças imigrantes têm normalmente menor capacidade lingüística no idioma alemão. Alguns defendem que o sistema deveria ser inteiramente reformado.

"Na época da Revolução Industrial, o sistema tripartido funcionava com o objetivo de maximizar o potencial acadêmico de poucos, mas ele não se aplica à sociedade moderna", diz Andreas Schleicher, especialista em educação da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em Paris.

Sistema educacional é espelho da sociedade

"Os imigrantes não são menos inteligentes. Muito pouco tem sido feito no sentido de incentivar sua competência lingüística. Precisamos nos perguntar: como ajudar cada criança individualmente?", acrescenta Schleicher.

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Diferenças econômicas e sociais dificultam a integração dos imigrantes

Na Alemanha, alunos de famílias mais ricas têm no mínimo quatro vezes mais chances de alcançar o abitur, o diploma que serve de ingresso para o ensino superior. Em todos os países industrializados, o histórico familiar sempre foi determinante para o grau de sucesso. Esta é a opinião de Heinz-Peter Meidinger, diretor da Associação de Filólogos Alemães, que reúne professores do gymnasium (o patamar de maior demanda acadêmica, e passagem obrigatória para o abitur).

"O sistema educacional não é a causa dos problemas, mas sim um espelho da sociedade como um todo. Na Alemanha, há dificuldades terríveis de integração, o que se deve, em parte, ao tipo de imigrantes que aqui chegaram", diz Meidinger.

Nos anos 50, a Alemanha do pós-guerra precisava de mão-de-obra barata e não qualificada para seu milagre econômico, e importou muitos trabalhadores, principalmente da Turquia. Esperava-se que eles retornassem para seus países, mas muitos optaram por permanecer.

"A Alemanha percebeu tarde demais a realidade de que há uma subclasse étnica que veio para ficar, e muito pouco tem sido feito para integrar os que já vivem aqui há gerações", diz Klaus Bade, professor do Instituto de Pesquisa sobre Migração, da Universidade de Osnabrück.

Suporte dos pais é essencial

Investir na educação é só o começo. "Precisamos de mais professores, turmas menores, escolas em tempo integral e de abandonarmos a ilusão de que nos livrando das crianças, acabamos com os problemas", diz Bade.

Schule Deutschunterricht OECD

Crianças com dificuldade podem não receber o apoio necessário em casa

Em nível primário, a maioria das escolas alemãs só fica aberta até a hora de mandar os alunos de volta para casa para o almoço. É esperado dos pais que ajudem com os deveres de casa, que dediquem parte de seu tempo a ver se a criança tem problemas de aprendizado. Por este motivo, alunos medianos com suporte familiar têm mais chances de entrar no gymnasium do que alunos brilhantes de famílias imigrantes pobres.

"Há muitas crianças cujas famílias não oferecem o menor apoio. Muitos pais não podiam se preocupar menos com a educação de seus filhos", afirma Barbara Brüse, professora da escola primária em Bonn, com anos de experiência no ensino de crianças imigrantes.

Os pais podem inclusive significar um peso no que diz respeito a alunos brilhantes. Somente 36% das crianças imigrantes que podem ingressar no gymnasium o fazem, de acordo com Heinz-Peter Meidinger. "Existe resistência em deixar especialmente as meninas darem prosseguimento aos seus estudos. A postura é: para que ela precisa de educação?". Se boa formação é tão pouco importante para as famílias de imigrantes, "o nosso sistema educacional deveria ter a ambição de mudar esses valores", conclui Andreas Schleicher.

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