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Alemanha

Escola de boas maneiras

Sarre quer introduzir ensino de valores e boas maneiras nas escolas. Pais, professores, sindicalistas e empresários, preocupados com falta de valores entre os jovens, acham que seu ensino é tarefa de toda a sociedade.

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Pés sobre a mesa, nada raro em escolas alemãs

O pequeno Estado alemão no sudoeste do país desencadeou a polêmica. Os maus resultados de alunos alemães em estudos internacionais, a violência nas escolas e as reclamações de sindicalistas e empregadores de que os jovens chegam ao mercado de trabalho sem noção de valores básicos – quem diria, os alemães – levou seu secretário da Educação a tomar a iniciativa.

Um grupo de trabalho estuda agora como ensinar aos alunos de 1ª, 2ª, 5ª e 6ª séries noções fundamentais de respeito ao próximo, cortesia, ordem, disciplina, pontualidade e perseverança.

"Chega de falta de educação. É preciso reabilitar com urgência os valores, que entrementes passaram a ter uma conotação negativa. Nossos jovens têm de reaprender a lidar com o próximo", exigiu o secretário Jürgen Schreier, da conservadora União Democrata Cristã (CDU). Seu objetivo é preparar a futura mão-de-obra também para o mercado de trabalho, ensinando o que chama de "domínio das regras da convivência civilizada entre as pessoas".

Ministra critica a iniciativa

Embora os estados alemães tenham autonomia sobre seu sistema de ensino, a ministra da Educação, Edelgard Bulmahn (SPD), é contra a introdução de uma disciplina que ensine boas maneiras aos alunos.

As reações vieram de todos os lados. A presidente da Conferência Permanente de Secretários de Educação, Karin Wolff (CDU), do Estado de Hessen, acha bom que o tema tenha sido trazido à tona, mas defende que boas maneiras sejam ensinadas e praticadas tanto na escola como em família.

O secretário da Baixa Saxônia vai além. Para ele, o exercício da educação e boas maneiras com os alunos é responsabilidade de todos os professores, não apenas de uma matéria escolar. Já o democrata-cristão Bernd Busemann teme que, com a introdução de tal disciplina nas escolas, os pais possam sentir-se redimidos de tal responsabilidade.

Carência de exemplos

Para a presidente do sindicato dos professores GEW, o ensino de valores é uma tarefa típica da escola. Mas Eva-Maria Stange complementa que "de nada adiantam os esforços dos docentes se as lições não são treinadas em casa e na rua".

Ao mesmo tempo, ela considera bobagem a sugestão do secretário da Educação de Bremen, Willi Lemke, que defende o uso de uniformes nas escolas. "Um uniforme pode disfarçar diferenças sociais, mas não ensina normas de convívio, nem o respeito mútuo", observa Stange.

A presidente do Conselho Nacional de Pais exige melhorias materiais nas escolas e na qualificação dos professores. Ao mesmo tempo, Renate Hendriks ressalta que a escola não pode fugir deste tipo de responsabilidade: "O respeito aos demais e as boas maneiras têm de ser exercidos no cotidiano escolar".

"Mais uma vez empurram para a escola o que os pais deixam de fazer em casa", acusa o presidente da Associação de Professores do Estado da Renânia do Norte-Vestfália. "De que adianta ensinar boa conduta nos bancos escolares, se os adultos da nossa sociedade não dão o bom exemplo?", questiona Udo Beckmann.

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