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Alemanha

Escândalos de embrulhar o estômago

Apenas este ano, foram apreendidas na Alemanha mais de 150 toneladas de carne imprópria para o consumo. Autoridades alarmadas mandam revistar centenas de frigoríficos e a insegurança do consumidor é cada vez maior.

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Vigilância sanitária controla frigorífico em Düsseldorf

Nesta semana, estourou o quarto escândalo do ano: em Gelsenkirchen, foram descobertas toneladas de carne apodrecida, pronta para ser comercializada e que por pouco não chegou à mesa do consumidor.

De um pequeno escritório localizado dentro de um hotel, o diretor da empresa Domenz coordenava todo o processo: empacotamento e "novas etiquetas de validade" para as carnes há muito impróprias para o consumo.

As carnes eram destinadas não apenas ao mercado interno alemão, mas também à exportação para países do Leste Europeu. "O responsável pelo menos cooperou com as autoridades, relacionando todos os lugares para onde a carne podre havia sido vendida", informa o diário Süddeutsche Zeitung.

Carne também do Brasil: congelada "há anos"

Não faz muito tempo, nos arredores de Cloppenburg, havia estourado o escândalo das injeções de água e aglutinantes em carnes de aves. Um procedimento que causa o aumento de cerca de 30% no peso da carne.

Também na Baixa Saxônia, foram apreendidas 90 toneladas de carne bovina, suína, eqüina e de aves, procedentes da própria Alemanha, do Brasil, Dinamarca, Espanha e Itália. Parte desta carne, segundo as autoridades, havia sido mantida congelada durante "anos a fio".

De difícil identificação

Grillfleisch

Grelhados: escondendo data de validade há muito vencida

O problema é que, para o consumidor, nem sempre é fácil reconhecer se uma carne está deteriorada ou não, quando esta é servida num restaurante ou lanchonete. O que importa é o ph medido e o número de bactérias detectadas.

Quando um pedaço está muito bem temperado, por exemplo, inclusive com bastante pimenta, e ainda acompanhado de algum tipo de molho, é quase impossível para o consumidor identificar se a carne está podre ou não, explicam especialistas.

Rede enorme de envolvidos

Ao todo, até agora, foram apreendidas mais de cem toneladas de carne imprópria para o consumo nos Estados da Renânia do Norte-Vestfália, Baixa Saxônia e Hamburgo. Em Schleswig-Holstein, as autoridades sanitárias investigam mais um caso. O número de envolvidos em escândalos com alimentos, segundo organizações de defesa do consumidor, é enorme.

De acordo com a Foodwatch, há na Alemanha uma verdadeira rede de comerciantes especializada em "reciclar" carnes às beiras de perder a validade ou já impróprias para o consumo. Segundo a organização, os casos que vieram recentemente à tona são apenas "a ponta do iceberg".

Bildgalerie Minister Horst Seehofer Verbraucherschutz und Agrar

Horst Seehofer, ministro da Agricultura e Defesa do Consumidor

O recém-empossado ministro da Agricultura e Defesa do Consumidor, Horst Seehofer (CSU), anunciou um controle mais rígido do setor, que deverá incluir uma cooperação mais estreita dos órgãos estaduais de vigilância sanitária. Além disso, Seehofer pretende forçar as empresas que comercializam carne no país a registrar oficialmente toda oferta de carne imprópria para o consumo que receberem.

Lenta mudança de comportamento

A produção de carne na Alemanha cresceu no último ano 4,9%, embora o consumo tenha se estabilizado. Os diversos escândalos envolvendo alimentos no país vêm provocando, mesmo que muito lentamente, um crescimento no setor de orgânicos.

Até grandes redes de supermercado, inclusive os chamados discounters – que atraem clientes devido aos preços mais baixos – já têm no leque de ofertas vários produtos orgânicos.

"Hoje, 15% da população da Alemanha compra com freqüência produtos de cultura orgânica. E a tendência é crescente", observam institutos de pesquisa de opinião. Diante de tantos escândalos de "embrulhar o estômago", talvez a única saída para não perder o apetite.

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