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Alemanha

Escândalo sobre drones ameaça respingar nas eleições alemãs

A dois meses das eleições, CPI investiga suspensão de projeto que custou 600 milhões de euros e não deu resultados. Entre os interrogados está o ministro da Defesa, que é do partido de Merkel e é pressionado a renunciar.

Um ditado alemão diz: "Antes um fim pavoroso do que um pavor sem fim". É mais ou menos com esse argumento que o ministro da Defesa Thomas de Maizière justifica sua decisão de interromper o projeto Euro Hawk, de drones (veículos aéreos não tripulados) de reconhecimento.

O fracasso do projeto desencadeia a maior crise já enfrentada pelo ministro. Ele agora tem que explicar como seu ministério pôde investir 600 milhões de euros na construção de veículos que, por questões de segurança, não podem voar nos céus da Alemanha.

As Forças Armadas alemãs pretendiam encomendar quatro drones. Os aviões Hawk (gavião), como foram denominados, voariam para vigiar os espaços aéreos amigos e inimigos. Em vez disso, o único protótipo existente está guardado num hangar, de onde provavelmente jamais sairá para ser produzido em série.

Verteidigungsausschusses zur Euro Hawk-Affäre 10.06.2013

Comissão de inquérito se reúne na Casa Paul Löbe, em Berlim

Por pouco, o ministro não caiu junto com o Euro Hawk. Ele se defende com o argumento de ter impedido danos maiores ao suspender o desenvolvimento do drone em meados de maio. Até então, seus colaboradores lhe afirmavam que os problemas eram contornáveis.

"O momento da decisão foi correto", insiste o político democrata-cristão, do mesmo partido da chanceler federal Angela Merkel (CDU). Ele exclui a possibilidade de renunciar, como sugerem alguns membros da oposição.

No entanto, se depender da oposição alemã, o ministro não será exonerado de culpa tão rápido assim. Social-democratas (SPD), verdes e esquerdistas estão convencidos que ele jogou a toalha tarde demais, desperdiçando, assim, vários milhões em dinheiro dos contribuintes.

Pressão por renúncia

Os oposicionistas exigiram a formação de uma comissão de inquérito, com o fim de investigar o fiasco armamentista. Assim, no final de junho, a comissão parlamentar de Defesa se constituiu em comissão de inquérito – um direito que lhe é garantido pela Lei Fundamental. Thomas de Maizière tem de comparecer como testemunha.

O grupo se reúne de 22 a 31 de julho, em meio ao recesso parlamentar de verão, e, por assim dizer, no último minuto. Pois, diante das próximas eleições, em setembro, esgotam-se para o atual Parlamento as possibilidades de esclarecer o escândalo Euro Hawk.

Naturalmente há um aspecto eleitoreiro, quando uma comissão discute sobre o desperdício de verbas públicas, poucas semanas antes do pleito parlamentar. Ao longo de seis dias, seus membros interrogarão 19 testemunhas, entre elas De Maizière e seus secretários de Estado, dois ex-ministros da Defesa e representantes dos fabricantes de armamentos envolvidos.

Trata-se de um cronograma otimista, já que, via de regra, tais comissões parlamentares requerem meses, ou mesmo anos, para seu trabalho de esclarecimento. A fim de sequer poder ouvir todas as testemunhas, os deputados interrogarão três delas por dia, se necessário até a meia-noite.

Thomas de Maiziere Verteidigungsminister Verteidigungsausschuss des Bundestages 05. Juni 2013

Ministro Thomas de Maizière na mira da oposição

Ainda assim, é evidente a quase impossibilidade de examinar a fundo uma temática tão complexa, em tão curto período. No entanto, o trabalho da comissão tem metas de longo prazo. Uma vez que se acumulam os problemas do governo com a compra de equipamentos bélicos caros, ela visa esclarecer, a partir do caso do Euro Hawk, "qual é a necessidade de reformas na organização do sistema de aquisições".

O democrata-cristão Markus Grübel, integrante da comissão de Defesa, critica: "Teria sido possível chegar a essas conclusões sem a comissão [de inquérito]". Está claro que, para os partidos do governo CDU/CSU e Liberal (FDP), não é nada agradável ver o "seu ministro" ser mais uma vez colocado na berlinda em pleno recesso de verão.

Naves americanas, tecnologia europeia

A Bundeswehr constatou a necessidade de aviões não tripulados logo após a Guerra do Kosovo, quando passou a atuar como força de combate, exigindo melhores capacidades de reconhecimento do que até então.

Por sua capacidade de fornecer um amplo panorama de solo sem colocar em risco o piloto, um sistema de veículos controlados à distância foi a alternativa escolhida. Mais de dez anos atrás, o Ministério alemão da Defesa começou os preparativos para a produção dos drones. Na época, o chefe da pasta era o social-democrata Rudolf Scharping, um dos primeiros que a serem escutados pela comissão de inquérito.

A Euro Hawk, uma joint venture reunindo o grupo aeroespacial europeu Eads e a fabricante de armamentos americana Northrop Grumman, foi criada em 2005. A Northrop já produz o Global Hawk, e a variante alemã utiliza o sistema de reconhecimento Isis, desenvolvido especialmente para as Forças Armadas alemãs pela Cassidian, uma sucursal da Eads.

Drohne Euro Hawk Archivbild 2011

Protótipo do Euro Hawk em foto de 2011

Detalhes negligenciados

Tal constelação foi a origem dos problemas que acabariam acarretando o fracasso do projeto. A licença do Euro Hawk, cujo protótipo foi montado nos Estados Unidos, não pôde ser validada para o espaço aéreo da Alemanha, onde ainda falta experiência com a nova tecnologia.

Além disso, segundo o Ministério alemão da Defesa, faltavam detalhes técnicos na documentação, os quais o parceiro americano retivera. Assim, não era possível verificar se o avião não tripulado de fato não constituiria perigo para o tráfego aéreo civil.

A Euro Hawk, por sua vez, alega que o sistema funciona de forma impecável, e prometeu apresentar um plano "financiável e factível" para eliminar os problemas. Em outras palavras: se o dinheiro do Orçamento público alemão continuar entrando, é possível aperfeiçoar-se o sistema.

No entanto, o Ministério da Defesa já abandonou oficialmente em maio último o plano de comprar quatro drones do tipo Euro Hawk. E procura agora uma nova "plataforma portadora", ou seja: se possível, um outro veículo capaz de empregar a tecnologia de reconhecimento da Eads.

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