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Mundo

Escândalo da CIA: "ninguém nunca soube de nada"

Ministro alemão do Exterior revida acusações de que seu governo teria auxiliado em caso de seqüestro pela CIA. Conselho da Europa aponta procedimentos que ignoram 'qualquer preceito legal'.

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Angela Merkel (centro), com ministros do Interior, Wolfgang Schäuble (esq.), e do Exterior, Frank-Walter Steinmeier (dir.)

"As autoridades alemãs não contribuíram para o seqüestro do cidadão Khalid el Masri", afirmou nesta quarta-feira (10/12) Frank-Walter Steinmeier, ministro alemão das Relações Exteriores, perante o Parlamento. Este foi o primeiro pronunciamento de um membro do governo em relação ao caso.

Dicas para outros torturarem

Khaled el Masri wurde von der CIA entführt

Khaled el Masri, seqüestrado pela CIA 'por engano'

Steinmeier, que na época ocupava o cargo de chefe da Casa Civil, revidou as acusações de que Berlim teria sido cúmplice das ações da CIA no país, chamando as atuais especulações da mídia de "irresponsáveis".

Entre estas, estão comentários da imprensa alemã de que o governo, embora não tenha praticado diretamente a tortura, teria fornecido as informações necessárias a outros pra que esses pudessem seqüestrar e torturar El Masri.

Nas palavras do ministro, o alemão de origem libanesa deveria ter o direito de entrar nos EUA no futuro. A secretária norte-americana de Estado, Condoleezza Rice, havia afirmado na última semana que el Masri poderia entrar com uma queixa contra a CIA perante um tribunal nos EUA.

Ferindo preceitos legais

CIA Flüge Deutschland US Air Base Ramstein

Vôos da CIA na base aérea de Ramstein, na Alemanha

As últimas investigações oficiais na Europa em relação aos vôos clandestinos da central norte-americana de inteligência foram feitas pelo Conselho da Europa. Segundo o coordenador das investigações, o suíço Dick Marty, a CIA feriu preceitos legais dos países europeus, ao transportar prisioneiros sem o conhecimento das autoridades locais nacionais.

Marty defendeu um maior engajamento dos governos no esclarecimento da questão e exigiu informações do departamento de controle do tráfego aéreo europeu em relação aos 31 vôos no continente. Os escândalos foram desencadeados a partir de uma denúncia do diário Washington Post, que noticiou o transporte ilegal de supostos terroristas pela CIA no Leste Europeu.

Vários casos

O caso de El Masri na Alemanha não é o único na Europa. Na Itália, o egípcio Hassan Mustafa Osama Nasr, conhecido como Abu Omar, desapareceu misteriosamente em fevereiro de 2003.

Após investigações detalhadas, veio à tona que Abu Omar haveria sido seqüestrado em Milão e a partir da base aérea norte-americana Aviano e levado ao Egito, onde foi torturado. O premiê Silvio Berlusconi afirma que "não sabia de nada".

Uma postura semelhante à do presidente polonês Aleksander Kwasniewski, que deixa em breve o cargo. "Não há prisões do gênero no território polonês. Se houve tráfego aéreo ou qualquer pouso, os departamentos competentes podem informar. Mas eu digo: não há prisões ou prisioneiros deste tipo na Polônia", reagiu Kwasniewski.

Reino Unido: 400 vôos

CIA Flug nach Rumänien

Avião da CIA na Romênia

Mesmo diante de tantas negações por parte das autoridades, as surpresas não têm sido poucas, desde que o assunto veio à tona. O governo espanhol, por exemplo, conduz investigações sobre o transporte de supostos terroristas pela CIA, via Ilha de Maiorca.

O grande ponto de transição para a CIA na Europa parece ter sido, porém, o Reino Unido. Segundo informações extra-oficiais, os aeroportos britânicos podem ter sido utilizados por aproximadamente 400 vôos clandestinos da CIA. Também o premiê Tony Blair afirmou "não ter estado informado a respeito".

Em fins de novembro último, a Comissão da União Européia ameaçou punir severamente os países-membros do bloco que abrigarem prisões ilegais da CIA.

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