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Mundo

Erdogan tenta minimizar possível prejuízo eleitoral de tragédia

Pressionado, governo turco muda discurso sobre a tragédia que vitimou mais de 300. Na Alemanha, políticos pedem que primeiro-ministro cancele visita ao país.

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Premiê Erdogan em visita à mina de Soma

Após o grave acidente numa mina de carvão em Soma, no oeste da Turquia, as autoridades turcas proibiram todos os protestos na cidade. Ao mesmo tempo, o governo prepara auxílios financeiros para as famílias afetadas. Aparentemente, o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, quer minimizar as consequências do acidente para a sua possível candidatura presidencial. Protestos e eleitores humilhados não cairiam bem em sua campanha.

Após o fim das operações de salvamento em Soma, o governo turco tenta demonstrar determinação. Além de apoio financeiro para os parentes das 301 vítimas, o assessor de Erdogan, Ibrahim Kalin, pediu, num artigo de jornal, normas de segurança mais rigorosas para a indústria de mineração – um claro contraste com a posição anterior de Erdogan, que havia descrito a tragédia como algo inevitável no setor de mineração e não mencionara a possibilidade de estabelecer normas mais rígidas.

A oposição supõe que, por trás das recentes declarações e acontecimentos, esteja a tentativa do governo de empurrar toda a culpa da tragédia para a empresa que administrava a mina, a Soma Holding, ou até mesmo para alguns de seus funcionários. A prisão de vários responsáveis neste domingo (18/05) seria um sinal disso. A oposição também acusou o governo de querer transformar um diretor, que morreu na tragédia, em bode expiatório.

O pano de fundo para a mudança de atitude e as recentes manobras políticas é a eleição presidencial de 10 de agosto. Uma candidatura de Erdogan é tida como certa e, segundo as pesquisas, o atual premiê tem boas chances de chegar ao mais alto cargo público do país. Mas agora surgem dúvidas se o desastre de Soma e o modo como o governo lidou com a tragédia trarão consequências políticas para o primeiro-ministro.

Uma resposta pode sair de duas votações locais. Em 1° de junho, os cidadãos de Yalova, no Mar de Marmara, perto de Istambul, assim como em Agri, nas proximidades do Monte Ararat, no extremo leste da Turquia, escolherão seus prefeitos. Eleições já haviam sido realizadas em 30 de março, mas os resultados foram anulados, e as votações terão de ser repetidas. Um resultado negativo para o partido de Erdogan, o AKP, poderia ser um indício de descontentamento do eleitorado devido à postura do premiê diante do acidente em Soma.

Efeito negativo possível

Türkei Soma Grubenunglück 17.5.2014

Policiais rezam perto de túmulos de vítimas do desabamento

O colunista Emre Uslu, crítico do governo, acredita ser possível que o partido de Erdogan venha a ser punido nas urnas em 1° de junho. "É possível que haja efeitos negativos", escreveu o jornalista no Twitter.

Isso poderia ocorrer especialmente se for revelado que ao menos algumas das acusações contra as autoridades são verdadeiras. O ministro do Trabalho, Faruk Celik, foi repetidamente confrontado em encontros com as famílias dos mineiros com denúncias de que muitos trabalhadores das minas são contratados de empresas terceirizadas, que geralmente pagam mal, não permitem a sindicalização e têm a reputação de aumentar seus lucros com condições de trabalho ilegais e perigosas.

O ministro prometeu apurar todas as denúncias. Mas até agora o governo Erdogan se limitou a refutar acusações. Nem mesmo o assessor do premiê Yusuf Yerkel, que chutou um manifestante em Soma, foi afastado do cargo.

O colunista Murat Yetkin, do jornal Radikal, avalia que a recusa de admitir mesmo o menor dos erros seja uma estratégia do governo. Segundo o jornalista, o premiê tem medo de "perder tudo logo no primeiro tropeço". Por isso, Erdogan defende até mesmo alguém como Yerkel.

Controvérsia na Alemanha

O acidente em Soma também teve repercussão na Alemanha. Vários políticos do país pediram que o primeiro-ministro turco cancelasse um discurso que fará em Colônia, no oeste alemão, no próximo sábado (24/05). Erdogan falará a milhares de compatriotas num evento que muitos acreditam ser destinado a pedir votos da grande população turca na Alemanha. Pela primeira vez, cidadãos turcos que vivem no exterior poderão votar no pleito presidencial.

Türkei Soma Grubenunglück Erdogan Berater tritt Demonstrant 15.05.2014

Após chutar manifestante, assessor mantém o cargo

Em entrevista ao jornal Kölner Stadt-Anzeiger, o prefeito de Colônia, o social-democrata Jürgen Roters, disse ser contra a visita de Erdogan à cidade. "Há coisas mais importantes do que compromissos de campanha eleitoral no exterior", avisou, se referindo ao acidente em Soma.

Já o ministro alemão do Exterior, Frank-Walter Steinmeier, disse não ser contra a vinda do premiê turco, ainda que sua resposta tenha deixado transparecer que ele é pouco afeito à ideia. "Nossa democracia pode suportar se o senhor Erdogan quiser se dirigir a seus compatriotas", declarou o ministro nesta segunda-feira.

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