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Mundo

Erdogan autoriza EUA a usar base aérea turca para atacar "Estado Islâmico"

Após semana tensa com atentados contra centro cultural e posto de controle, Ancara libera base de Incirlik para americanos e realiza primeiro ataque aéreo contra alvos do EI na Síria, matando 35 jihadistas.

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Presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, conversa com o general das Forças Armadas turcas, Necdet Özel

O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, autorizou nesta sexta-feira (24/07) as Forças Armadas dos Estados Unidos a usar a base aérea de Incirlik, "sob certas circunstâncias", na luta contra militantes do grupo extremista "Estado Islâmico" (EI).

A confirmação de Erdogan veio horas depois de aviões militares turcos terem bombardeado alvos jihadistas na Síria, em resposta a uma semana turbulenta no sul da Turquia, com atentados contra um centro cultural e um posto de controle fronteiriço.

Autoridades turcas e americanas disseram que Erdogan discutiu o uso da base turca de Incirlik durante uma conversa telefônica com o presidente dos EUA, Barack Obama, no início desta semana. Anteriormente, a Turquia tinha se mostrado relutante em se juntar à coalizão liderada pelos Estados Unidos, que inclui alguns Estados árabes, e que foi formada no ano passado quando o EI capturou grandes áreas do norte da Síria e do Iraque.

Incirlik, uma base aérea da Otan, fica na província de Adana. Sua proximidade com a Síria deixa os aviões militares americanos mais perto das forças do EI e permite o uso de um número maior de aviões nas missões de combate. Os EUA estavam pressionando o governo turco desde o ano passado pelo uso desta base. Até agora, as Forças Armadas americanas têm utilizado bases aéreas nos aliados árabes.

Türkei Luftwaffe Kampfflugzeug F-16

Turquia enviou três caças F-16 e lançou primeiros ataques aéreas contra alvos jihadistas na Síria

Três caças F-16 realizam ataque aéreo na fronteira

Mais cedo, também nesta sexta-feira, o primeiro-ministro da Turquia, Ahmet Davutoglu, afirmou que os

primeiros ataques aéreos turcos contra o EI

"removeram potenciais ameaças" para o país. O premiê acrescentou que os bombardeios podem continuar.

Três caças F-16 operaram a partir da base aérea de Diyarbakir, no sudeste da Turquia, e lançaram chamadas "bombas inteligentes" em três alvos, comunicou um funcionário do governo de Ancara. Trata-se de uma munição guiada e projetada para atingir com alto grau de precisão alvos específicos.

De acordo com a imprensa turca, os alvos eram na aldeia síria de Hawar al-Naht, perto da fronteira entre os dois países. Os aviões não invadiram o espaço aéreo sírio e, segundo a agência de notícias Dogan, ao menos 35 militantes foram mortos no ataque.

Esse foi o primeiro ataque aéreo da Turquia contra a milícia jihadista. O bombardeio ocorre um dia depois de militantes jihadistas terem

disparado contra um posto militar turco na província turca de Kilis

, na fronteira com a Síria, matando um soldado turco e deixando dois feridos. Cinco soldados do EI também morreram nos tiroteios.

Na segunda-feira, um ataque suicida atribuído ao "Estado Islâmico" contra um centro cultural na cidade turca de Suruç deixou 32 mortos e mais de cem feridos – muitos deles curdos.

Türkei Suruc Bombenanschlag

Atentado atribuído ao EI num centro cultural na cidade turca de Suruc matou 32 pessoas no início da semana

Centenas de detenções em batidas policiais

O premiê turco também disse que, além dos ataques aéreos, as forças de segurança turcas também realizaram batidas policiais em Istambul e em 12 províncias turcas. Aproximadamente 300 pessoas foram presas. Segundo Davutoglu, entre os detidos estão 37 estrangeiros suspeitos de serem membros do "Estado Islâmico" ou do banido Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK).

No passado, a Turquia foi acusada de fazer vista grossa para os extremistas, incluindo o recrutamento de estrangeiros que chegaram à Síria através da fronteira com a Turquia para lutar contra as forças leais ao presidente do país, Bashar al-Assad.

O principal aliado dos Estados Unidos na Síria tem sido a força curda das Unidades de Proteção Popular (YPG), que tem combatido e forçado o recuo dos extremistas do EI.

Já na Turquia, tensões entre curdos e o governo de Erdogan causaram a suspensão de um processo de paz envolvendo o PKK em 2013. Porém, a legenda liderada pelo presidente turco e Davutoglu, o Partido pela Justiça e Desenvolvimento (AKP), ainda está à procura de um parceiro para um novo governo de coalizão. Pela primeira vez desde 2002, o AKP perdeu a maioria parlamentar, em eleições realizadas no último mês.

PV/dpa/ap/rtr/lusa/efe

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