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Cultura

Era industrial é documentada pela arte

“A Segunda Criação – Imagens do Mundo Industrializado”, exposição organizada pelo Museu Histórico Alemão, registra as transformações causadas pela industrialização na relação do homem com a natureza.

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"Canos Brancos" (1933), de Carl Grossberg, faz parte da mostra em Berlim

Através de 250 pinturas, desenhos e fotografias, os curadores Sabine Beneke e Hans Ottomeyer contam a história da industrialização na Europa de meados do século 18 ao final do século 20. O percurso que levou os países industrializados à era da alta tecnologia é traçado, terminando com imagens recentes do início do período pós-industrial.

Divida em vinte capítulos, a mostra retoma exemplos de produções artesanais e termina com fotografias relacionadas aos grandes saltos tecnológicos do último século. Pinturas do século 19 documentam as mudanças ocorridas na natureza depois da invenção da máquina a vapor, que impulsionou a Revolução Industrial na Inglaterra. Nos trabalhos expostos, a curadoria procurou destacar as modificações pelas quais passou o olhar do homem, cada vez mais influenciado pela técnica.

Novas Linguagens - A mostra traça um paralelo entre duas linhas de reflexão: uma que trata dos aspectos técnico-econômicos e outra da evolução estética trazida pela Revolução Industrial. O objetivo aqui é mostrar quando e como o interesse de reproduzir, através da arte, novos fenômenos técnicos, acabou levando à criação de novas linguagens.

A invenção de máquinas e ferramentas era vista sob uma ótica religiosa na Idade Média, como expõe a curadora Beneke. Ao usar suas máquinas, o homo faber se tornava o criador de condições paradisíacas, pois suas invenções contribuíam para melhorar as condições de vida. A pintura da época recorria a alegorias: representações de ferreiros como o deus Vulcano, por exemplo. Com a disseminação do racionalismo no século 17, perde-se essa interpretação religiosa e a burguesia recém surgida passa a exercer um papel importante na distribuição de incumbências aos artistas da época.

No início do século 20, a arte passa a espelhar o fascínio exercido pela velocidade. Movimentos como o Futurismo, a Nova Objetividade ( Neue Sachlichkeit) e o Construtivismo contribuem para o surgimento de linguagens abstratas. Os anos 20 trazem discussões envolvendo a "metafísica da máquina" e, a partir de meados do século, a fotografia assume grande importância no panorama das artes plásticas, passando a exercer um papel fundamental na crítica à sociedade industrial.

Crítica - Se parte do material exposto trata das esperanças que o progresso industrial trouxe à população ("a beleza da metrópole"), outras obras refletem as graves conseqüências da industrialização para o homem e o meio ambiente, como a produção de lixo, a "estética das ruínas". Questões sociais passam a ser refletidas pela arte, como a qualidade de vida do trabalhador – quase sempre exausto. O sonho de uma sociedade mais justa passa a fazer parte do repertório do artista.

Leste & Oeste - As últimas estações da mostra são dedicadas ao panorama das artes plásticas após a Segunda Guerra Mundial, acentuando assim as diferenças entre as produções nas ex-Alemanhas Ocidental e Oriental. Enquanto no oeste a pintura caminhava em direção ao abstrato, a arte sob o comunismo ainda manteve-se atrelada a incumbências de cunho político.

A partir de 1970, no entanto, os portraits de trabalhadores alemães orientais, que tinham por objetivo glorificar os "heróis da classe operária", foram aos poucos sendo substituídos por visões mais individuais e independentes. Já a partir da década de 70, artistas da Alemanha Ocidental passaram a registrar a destruição da paisagem causada pelo processo de industrialização. A mostra termina com imagens de uma era pós-industrial, em que ruínas de fábricas antigas passam a funcionar como centros culturais ou atrações históricas.

A exposição "A Segunda Criação – Imagens do Mundo Industrializado" pode ser vista no Museu Martin-Gropius-Bau de Berlim até o próximo 31 de outubro.

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