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documenta

Equilíbrio, leveza e translucidez: Iole de Freitas na "documenta"

Em entrevista à DW-WORLD, Iole de Freitas fala sobre o processo criativo, sua carreira nas artes plásticas e a instalação criada especialmente para o ''museu de 100 dias'' em Kassel.

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A instalação de Iole de Freitas já pode ser vista, em parte, por quem vai a Kassel

O trabalho começou em novembro de 2006, depois de um convite feito às pressas pela curadora Ruth Noack um mês antes. Em março passado, Iole de Freitas embarcou para Kassel, onde passou sete semanas para orientar as construções e montagens da sua instalação, que já interfere na paisagem da cidade. Na fachada do Fridericianum, um dos principais pontos de exposição da documenta 12, é possível ver esculturas de policarbonato com proporções gigantescas que atravessam as paredes da sala de exposições e, apesar de bem estáveis, parecem flutuar sobre os passantes.

Foram sete semanas exaustivas para finalizar um trabalho que propõe uma forma mais leve de ver o mundo. Entre cálculos, guindastes e muito trabalho de convencimento dos engenheiros alemães, Iole foi recompensada todas as noites por um céu tão estrelado que a fez levar de volta para casa os cilindros de concreto retirados da construção do museu de 1779. Com eles, ela vai criar duas constelações em seu ateliê no Brasil: o Cruzeiro do Sul, que vê de sua casa, e a Ursa Maior, que a encantava todas as noites em Kassel.

A artista conversou com a DW-WORLD sobre o processo criativo e seu trabalho para a documenta 12.

DW-WORLD: A luz tem muito espaço nas suas instalações. Como foi que esse elemento entrou nos seus estudos estéticos?

Iole de Freitas: Entrou em 1972, no meu primeiro trabalho, Light work. O processo fotográfico foi escolhido exatamente por lidar com a luz como uma questão essencial de sua linguagem. Um outro trabalho, apresentado simultaneamente ao Light work numa galeria de Milão, chamava-se Elements. Como o nome diz, este filme lidava com elementos, como água e mercúrio, sempre banhados por uma luminosidade diferenciada.

O Light work trabalhava exatamente com a observação de uma cortina entre espaço externo e espaço interno. O som do filme era o barulho da rua, enquanto a câmera, posicionada no espaço interno, registrava o externo através da película sutil de uma cortina de cor laranja, muito solar.

A gênese do meu trabalho está nessas duas obras. Investigo até hoje questões que passam pela presença da luz e de enormes planos retorcidos no espaço, num equilíbrio extremamente radical das chapas de policarbonato. No trabalho para a documenta, a translucidez das chapas tem origem nesse trabalho da cortina translúcida, no qual uma membrana visual sutil se coloca entre o espaço interno e externo, lançando a discussão sobre o público e o privado.

Em suma: todas as questões potencializadas a cada novo trabalho estavam nos filmes de dois minutos que produzi em 1972/1973. As seqüências fotográficas, como as apresentadas na Bienal dos Jovens Artistas em Paris, em 1975, vinham de fotogramas retirados desses filmes. O objetivo era, a partir dos fotogramas, criar uma síntese do movimento.

O seu trabalho sempre investigou a relação do corpo com o espaço. De que forma você acredita que o espaço interfere no corpo humano? Em que momento e por que você decidiu que a dança não era a melhor forma de se expressar?

A dança foi apenas uma das áreas que me possibilitou, nos períodos iniciais, investigar e entender as questões do deslocamento do corpo no espaço. Mas essa não é a única questão levantada pelo trabalho. Acredito que qualquer estrutura estética de linguagem seja constituída de muitos elementos e investigações.

A relação específica entre corpo e espaço vem se desenvolvendo no meu trabalho de maneira mais clara desde o final dos anos 90. Isso inclui a participação do espectador, uma vez que ele não apenas contempla, mas tem experiências, vive naquele lugar. Uma obra plástica como a da documenta dá ao espectador a oportunidade de percorrer uma arquitetura que foi primeiramente desconstruída, para depois apresentar novas possibilidades estéticas.

Grandes planos translúcidos retorcidos de dez metros e tubos metálicos preenchem o espaço com novas curvaturas e linhas. Esses elementos, junto com a incidência de luz, formam espécies de abrigos abertos ( open shelters). Esses ambientes tanto abrigam as pessoas como as estimulam a sair dali e continuar percorrendo o espaço, a fim de que percebam as múltiplas possibilidades estéticas e espaciais que a obra oferece não só através do olhar, mas também do deslocamento do próprio corpo.

Através desse percurso, que eu espero que seja leve, prazeroso e estimulante, o espectador pode rever sua própria percepção espacial. Em um determinado ponto, ele se dá conta de que a obra atravessa a parede do prédio e se expande para o exterior, estabelecendo um espaço em flutuação (que chamo de "praças flutuantes"). O espectador, obviamente, não percorre o espaço externo de fato, mas o incorpora à sua experiência física e visual.

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