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Mundo

Equilíbrio entre UE e EUA é desafio para futuro premiê britânico

Apaixonadamente pró-europeu e atlanticista, Tony Blair procurou boas relações tanto com a UE quanto com os EUA. Contudo o mais provável é que somente o seu sucessor quase certo, Gordon Brown, atingirá ambas as metas.

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Gordon Brown

De Winston Churchill a Tony Blair, todos os primeiros-ministros britânicos do pós-guerra foram consumidos por uma política externa que se pode resumir assim: escolher entre Europa e Estados Unidos, e ao mesmo tempo estabelecer um papel independente para o Reino Unido no mundo.

Embora o país haja emergido da Segunda Guerra Mundial como vencedor aliado, há quem afirme que ele ganhou a guerra, mas perdeu a paz. Seu enorme império havia se desintegrado e a "relação especial" com os EUA – sobre a base da herança comum e da guerra – atravessou duras provas durante a crise do Canal de Suez, em 1956.

Os EUA emergiram como superpotência, enquanto a Inglaterra, assim como a França, ficou reduzida e uma potência nuclear média com assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Como parceiro menor na relação anglo-americana, o país foi forçado a relutantemente procurar suas alianças do outro lado do Canal da Mancha.

15 anos de atraso

Contudo, o Reino Unido só se filiou à Comunidade Econômica Européia em 1973, portanto com 15 anos de atraso. O fato se deveu ao veto do chefe de Estado francês Charles de Gaulle, que percebia conflitos de interesses entre a CEE e Washington. A esta altura, as regras do "clube" já haviam sido estabelecidas pelos outros membros.

Der britische Premierminister Tony Blair spielt Gitarre

Tony Blair (e) toca guitarra ao lado de um estudante

A premiê Margaret Thatcher acentuou na década de 80 o abismo entre Inglaterra e o continente europeu. A Dama de Ferro exigiu um desconto nas quantias pagas aos cofres da Comunidade em subsídios agrícolas, além de se retirar da carta social européia.

Numa década de governo Labour, o Reino Unido é a única potência nacional da União Européia a não haver assinado o Tratado de Schengen, de livre circulação através das fronteiras, além de recusar-se a adotar a moeda comum, o euro.

Guerra no Iraque

Mas acima de tudo foi o obstinado apoio de Tony Blair à guerra liderada pelo governo de George W. Bush no Iraque, contra a esmagadora maioria popular, que diminuiu a força de seu governo. Além de reforçar a opinião de franceses e alemães de que a Grã-Bretanha prefere os Estados Unidos à Europa.

Embora Gordon Brown (56), o sucessor quase certo de Blair em 27 de junho, estivesse intimamente identificado com o a política do gabinete para o Iraque, observadores acreditam que ele se distanciará mais da administração Bush, ao mesmo tempo que procurará laços transatlânticos mais estreitos, em conjunção com os parceiros europeus da Inglaterra.

"Brown está sob pressão pública para não manter o relacionamento exclusivo com a Casa Branca, que foi tão danosa para o Reino Unido sob Blair", comentou Hugo Brady, do Centre for European Reform, um think tank (catalisador de idéias) sediado em Londres.

Eurocético entre parceiros

Brady também prevê uma maior convergência dos "três grandes" da Europa – Alemanha, França e Reino Unido. Isso, apesar de Brown ter a reputação de um eurocético, que, na qualidade de chanceler do exchequer (o ministro britânico das Finanças), manteve o país fora da eurolândia.

BdT Großbritannien Margaret Thatcher Statue

Margaret Thatcher fez jus ao epíteto 'Dama de Ferro'

Também é promissor o fato de o recém-eleito presidente francês, Nicolas Sarkozy, expressar admiração, e não desprezo, pelos livres mercados "anglo-saxônicos". Mesmo a chanceler federal alemã, Angela Merkel, é um aliada natural, no tocante a suas tendências atlanticistas e empenho por reformas estruturais, no sentido de favorecer a economia continental européia.

Acima de tudo, todos os três líderes, pertencentes à geração pós-guerra, são mais pragmáticos do que seus antecessores ideologicamente motivados – Gerhard Schröder, Jacques Chirac e Tony Blair.

A questão da Turquia

O único ponto controverso que mantém a Inglaterra alinhada com os EUA, em oposição a seus parceiros europeus, é a questão do ingresso da Turquia na União Européia, ao que Merkel e Sarkozy se opõem.

O Reino Unido, assim como os EUA, é a favor de manter a porta aberta para Ancara, por razões geopolíticas. A Alemanha e a França, em contrapartida, temem a influência da mão-de-obra barata e os problemas de integrar no bloco europeu um país pobre, predominantemente muçulmano.

Desde que assumiu o governo, Merkel relaxou um pouco sua posição. Ainda assim, a questão turca reflete a visão britânica da União Européia como uma confederação mais ampla de Estados nacionais, em oposição ao desejo francês de uma integração política mais profunda e de manter um clube mais seleto. (df/av)

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