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Cultura

Entre tropeços e esperanças

Como se tivesse pânico dos filmes de autor, a nova cinematografia da terra de Fassbinder tem se destacado pelo apelo ao popular. Uma das fórmulas preferidas é empacotar a história em boas doses de superficialidade.

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Judeus alemães fogem para o Quênia ("Em Lugar Algum na África", de Caroline Link)

As novas propostas do cinema alemão estão calcadas em filmes esteticamente corretos, bem produzidos e bem acabados, que, no entanto, pecam pela precariedade de suas idéias. Segundo um crítico do semanário Die Zeit, trata-se de um cinema que "conta histórias com gestos muito grandes, sem saber, no entanto, o que está dizendo".

A diretora Caroline Link ( A Música e o Silêncio, Annaluise e Anton) é um bom exemplo disso. Apesar da recente derrota fora de casa (Link acaba de sair de mãos vazias do Golden Globe), seu último longa, Em Lugar Algum na África, foi escolhido pelo público para o Prêmio Bávaro de Cinema, entregue em Munique no último fim de semana.

Infância como tema – Link ocupa uma posição que varia – segundo a perspectiva – de exemplo da mediocridade reinante à "grande esperança do cinema alemão", como proclamou parte da mídia há pouco. Seus filmes insistem em buscar na infância uma espécie de delicadeza perdida, não conseguindo, no entanto, fugir completamente do clichê da emoção fácil. Link volta, por exemplo, em seu último Em Lugar Algum da África, à tríade pai-mãe-filha, que já serviu de suporte para o conflito da narrativa em A Música e o Silêncio.

Dessa vez, no entanto, a diretora alemã deixa o microcosmo do universo dos surdos-mudos em troca de um pano de fundo histórico, que, como se sabe, rende boa bilheteria. Em 1938, na Alemanha nazista, uma família judia deixa o país rumo ao Quênia. Na África, enquanto a mãe passa por um choque cultural, sua filha Regina assimila com facilidade os valores e costumes da região. O filme baseia-se no romance autobiográfico da escritora judia Stefanie Zweig, que pouco antes da Segunda Guerra Mundial seguiu com seus pais para o Quênia.

Nazismo como ilustração – Em grande estilo, Link desfila situações de conflito previsíveis, utilizando o fascismo e a guerra como meras ilustrações. A um filme artesanalmente bem construído, soma-se o tema alemão por excelência: a elaboração do trauma do passado nazista. O espectador, no entanto, sai do cinema perguntando-se o porquê de a história ter, nesse caso, virado estória.

Como que num intuito desesperado de expor feridas sem tocá-las, a filmografia de Caroline Link segue o caminho do meio-termo, da pincelada que frustra, pois nada revela, só expõe. O cenário desta vez, como observa Link em entrevista a uma revista de cinema, é "o mais autêntico possível".

"No filme, queríamos que os atores e figurantes africanos viessem realmente da região onde se passa a história. Não concordo que se deva vestir zulus de massais ou vice-versa. Para mim, essas coisas têm que ser corretas, pois as pessoas falam muito de seu país e dão ao filme uma atmosfera especial."

Bons filmes, no entanto, não sobrevivem apenas de cenários ou atmosferas especiais. "Eu sempre quis que a paisagem na qual se passa minha história falasse por si mesma. Eu não quis sublinhar essa paisagem com um lápis vermelho e dizer: olhem vocês todos para cá." Também o lápis para dar maior consistência ao roteiro parece ter sido deixado de lado por Link. Por essas e por outras, pode-se dizer que o cinema alemão tropeça de novo, deixando, mais uma vez, a esperança para a próxima.

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