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Economia

Entenda o programa de compra de títulos do BCE

Para aquecer a economia e evitar a deflação na zona do euro, Banco Central Europeu inicia projeto que custará 60 bilhões de euros por mês. Entenda como funciona e quem vai lucrar com isso.

Euro-Skulptur in Frankfurt am Main - Alte Zentrale der EZB

Escultura em frente à sede do BCE em Frankfurt

O Banco Central Europeu (BCE) deu, nesta segunda-feira, a largada para o seu programa de compra de títulos. Até setembro de 2016 – ou até que a inflação gire em torno dos 2% anuais – a autoridade monetária europeia pretende injetar mais de 1 trilhão de euros na zona do euro. Entenda como funciona a iniciativa:

O que exatamente o BCE vai comprar agora?

Está planejada a compra de títulos da dívida de Estados da zona do euro e instituições públicas, como o Banco Europeu de Investimento (BEI) e o Banco Alemão de Desenvolvimento (KfW). Esses bancos pegam dinheiro emprestado através da emissão de títulos – notas promissórias com prazo de vencimento e juros fixos.

Os papéis são livremente negociáveis, podendo ser vendidos e comprados nos mercados financeiros. Como o BCE está proibido de realizar o financiamento estatal direto, ele pode comprar títulos somente no mercado secundário, ou seja, de bancos e investidores institucionais.

Quando há forte demanda por determinados títulos, então o preço sobe. Como a taxa de juros é fixa, os rendimentos diminuem com o aumento de preços. A rentabilidade de títulos públicos com prazo de dez anos já é muito baixa: para títulos alemães, por exemplo, ela se encontra abaixo de 0,4%; para papéis espanhóis e italianos, por volta de 1,5%.

O BCE e os bancos centrais nacionais da zona do euro compram títulos com prazos entre dois e 30 anos. Para não distorcer o mercado, as compras devem corresponder à respectiva participação de um determinado país da zona do euro no capital do BCE. Para a Alemanha, ela gira em torno de 28%.

A princípio, títulos da Grécia e do Chipre estão excluídos da compra. Esses países devem, primeiramente, comprovar os progressos feitos em seus programas de reformas. Além disso, não é permitido ao BCE comprar mais de um terço dos títulos pendentes de um país.

O que o BCE quer alcançar com o programa de compra?

Com a compra de títulos, o Banco Central Europeu pretende combater a inflação, que atingiu níveis negativos nos últimos meses. Os números são baixos demais para as metas da autoridade monetária europeia, que tem como tarefa garantir a estabilidade da moeda. O BCE define como meta uma inflação próxima de 2% ao ano.

O Banco Central Europeu vai, ainda, garantir que mais empréstimos sejam concedidos a famílias e empresas. Isso geralmente é feito através da redução da taxa básica de juros. Mas como ela mal pode ser reduzida (no momento, é de 0,05%), o BCE espera agora conseguir esse efeito por meio da compra de títulos.

Como mencionado, os rendimentos de títulos públicos caem com o aumento da demanda e, assim, também dos preços. "Então os investidores vão partir para outras formas de investimentos", explica Keith Kuester, economista da Universidade de Bonn e que já trabalhou para o Federal Reserve (Fed, banco central americano) e para o BCE.

Em vez de investir o seu dinheiro em títulos do governo, os investidores poderiam injetá-lo na economia real ou emprestá-lo a famílias ou empresas. Por esse caminho, segundo a expectativa do BCE, o dinheiro adicional poderia, então, estimular a economia.

No entanto, ainda não se sabe se isso vai acontecer. "O dinheiro extra que o BCE injeta agora nos mercados dificilmente vai impulsionar a concessão de crédito para empresas e famílias em muitos dos países da união monetária", teme Jörg Krämer, economista-chefe do Commerzbank. Seu argumento: os bancos têm que reportar cotas mais elevadas de capital próprio e, portanto, permanecem cautelosos frente a arriscadas concessões de crédito.

É possível que o programa de compra de títulos seja ineficaz?

O volume do programa de compra de títulos é enorme. Mensalmente, o BCE pretende gastar 60 bilhões de euros, dos quais 10 bilhões irão para obrigações de empréstimos privados. Até o final do prazo regular do programa, em setembro do próximo ano, serão comprados mais de 1 trilhão de euros em títulos.

Apesar disso, é possível que até lá a inflação não atinja a meta prevista, próxima de 2%. O presidente do BCE, Mario Draghi, já anunciou que, se necessário, poderá estender ainda mais o programa.

"Neste caso, podemos facilmente imaginar que o BCE eleve o volume mensal de compras", comenta Jörg Krämer, economista-chefe do Commerzbank.

Como é o próprio BCE que imprime o dinheiro que gasta, suas reservas monetárias são teoricamente ilimitadas. Mais cedo ou mais tarde, o BCE vai atingir a meta de inflação, acredita Kuester.

"Pode-se supor que os Bancos Centrais também possam estabilizar a inflação por meio da compra de títulos de longo prazo", comenta o economista da Universidade de Bonn. No entanto, afirma, continua o risco de que, no final, os títulos valham menos do que o BCE pagou por eles. "Tais perdas serão arcadas pelos contribuintes."

Que impactos as injeções de euro têm na cotação da moeda?

Já o anúncio do programa de compra fez baixar a cotação do euro frente ao dólar. Desde 2003, esse valor nunca esteve tão fraco quanto hoje. Os analistas do Commerzbank esperam que a compra de títulos do BCE enfraqueça ainda mais a moeda europeia.

Essa grande quantia de dinheiro procura por investimentos. Com a queda dos rendimentos na zona do euro, títulos públicos estrangeiros se tornam mais atraentes. "Assim, títulos de dez anos da dívida americana proporcionam lucros mais altos que títulos de Portugal", explica o Commerzbank.

Para os setores na zona do euro voltados para a exportação, o euro fraco funciona como um programa de estímulo conjuntural. Os bens ali produzidos se tornam mais baratos e mais competitivos no exterior.

Os preços das ações vão continuar a subir?

O DAX, índice de ações da Bolsa de Valores alemã, aumentou consideravelmente após o anúncio do programa de compras em janeiro. E, desde então, tem atingido picos de bem mais de 11 mil pontos.

Com o início da compra de títulos pelo BCE e a subsequente queda de rendimentos, para os investidores, o mercado de ações ficará mais atraente. Dificilmente se pode avaliar quanto desse desenvolvimento já se embutiu no curso das ações. Da mesma forma, dificilmente se pode saber se essas altas taxas são sinal de uma bolha.

De qualquer forma, os analistas do Commerzbank estão otimistas: eles elevaram a sua previsão para este ano em 1.000 pontos, e veem o DAX em torno dos 11.800 pontos no final do ano.

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