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Alemanha

Entenda o escândalo no serviço secreto alemão

Agência de inteligência é acusada de ter espionado companhias e políticos europeus em parceria com a americana NSA, numa cooperação iniciada há mais de uma década. Crise chegou ao alto escalão da política alemã.

Antes tido como organização de reputação sólida, quase inatacável, o Departamento Federal de Informações da Alemanha (BND) se tornou recentemente protagonista de numerosos escândalos internacionais.

Segundo as acusações mais recentes, o serviço de inteligência alemão teria espionado companhias e políticos europeus por requisição da Agência Nacional de Segurança (NSA) dos Estados Unidos.

Uma cronologia das polêmicas em torno do BND:

2002: Com os atentados ao World Trade Center ainda recentes, Estados Unidos e Alemanha fecham um acordo de cooperação de inteligência. Autorizado pelo então chefe de gabinete da Chancelaria Federal e atual ministro do Exterior Frank-Walter Steinmeier, o protocolo abre caminho para que alemães ou americanos na Alemanha possam ser espionados.

Tendo como meta declarada o combate conjunto ao terrorismo, a NSA passa a transmitir regularmente ao pessoal do BND os assim chamados "seletores" – endereços de IP e números de telefone – para fins de investigação. O acordo prevê, por outro lado, que os interesses de companhias alemãs ou europeias não sejam comprometidos.

Gerhard Schindler in Bad Aibling 06.06.2014

Chefe do BND, Gerhard Schindler, em Bad Aibling

2006: Apesar dessa cláusula, funcionários da estação de monitoramento do BND em Bad Aibling comunicam aos quartéis-generais do serviço que alguns seletores fornecidos pela NSA estariam ligados à European Aeronautic Defense and Space Company (Eads), agora chamada Grupo Airbus.

2008: O tabloide Bild am Sonntag vaza um relatório, segundo o qual a NSA estaria tentando usar a central de Bad Aibling – construída pelos EUA na década de 1950 e entregue ao governo alemão em 2004 – para coletar informações sobre a Eads e sua subsidiária Eurocopter. Como chefe da Chancelaria Federal, o atual ministro do Interior, Thomas de Maizière, era o responsável pela BND na época.

2010: Um artigo da revista alemã Der Spiegel alega que a Chancelaria Federal havia sido informada que a Eads, a Eurocopter e membros do Parlamento francês se encontrariam entre os alvos investigados pala NSA. O então chefe de gabinete da Chancelaria, Ronald Pofalla, teria instado o BND a filtrar com mais rigor os pedidos de investigação da NSA, para assegurar que nem cidadãos e companhias alemães, nem parceiros europeus fossem espionados.

Verleihung des Alternativen Nobelpreises an Edward Snowden

"Whistleblower" Edward Snowden desencadeou avalanche de revelações

Junho de 2013: O ex-colaborador da NSA Edward Snowden choca o mundo com suas revelações de que a agência de espionagem americana mantinha uma política de rastreamento e monitoramento sistemático de atividades online e telefônicas.

Agosto de 2013: O BND checa os seletores dos EUA usados em Bad Aibling. Segundo a Spiegel, a investigação traz à tona numerosos termos de busca usados em conexão com endereços de e-mail de diplomatas franceses e políticos europeus. Segundo consta, o presidente do BND, Gerhard Schindler, não estava informado.

No mesmo mês desponta a revelação de que o telefone celular da chanceler federal alemã, Angela Merkel, fora grampeado por serviços de inteligência americanos – apenas dias após Pofalla ter assegurado que a NSA se comprometera a não violar as leis alemãs em suas atividades de inteligência.

Março de 2014: O Parlamento da Alemanha instaura uma comissão de inquérito para revelar o âmbito real das atividades da NSA em território nacional.

Agosto de 2014: Vem à tona que o BND havia espionado a Turquia e "acidentalmente" interceptado chamadas telefônicas dos políticos democratas americanos Hillary Clinton e John Kerry.

Bundeskanzleramt Symbolbild

Na Chancelaria Federal, Merkel não é única implicada

Março de 2015: O presidente do BND, Gerhard Schindler, declara à Chancelaria Federal que seu pessoal há tempos sabia dos termos de busca irregulares em Bad Aibling, mas apenas recentemente o informara a respeito. Ele também alega nada saber sobre uma lista de cerca de 40 mil seletores que seus funcionários haviam filtrado e excluído do total submetido pela NSA para buscas, desde 2002.

Abril de 2015: Em resposta a uma moção parlamentar do partido A Esquerda, o ministro alemão do Interior, Thomas de Maizière, afirma que "ainda não há indícios sugerindo espionagem industrial pela NSA ou outros serviços dos EUA em outros Estados".

Uma semana mais tarde, a Spiegel noticia que o BND sabia que parte dos seletores submetidos pela NSA desde 2008, durante a gestão de Maizière como chefe de gabinete da Chancelaria Federal, estavam relacionados a companhias europeias de defesa e a políticos franceses.

4 de maio de 2015: Merkel declara que o BND precisa continuar cooperando com seus parceiros internacionais, a começar pela NSA, a fim de "cumprir suas responsabilidades no combate ao terrorismo internacional".

Desdobramentos atuais

Deutschland Bundes-Kabinett Thomas de Maiziere

Thomas de Maizière: conservador está implicado desde o início nos escândalos

Um inquérito preliminar foi iniciado pelo procurador-geral da Alemanha, Harald Rang, o qual será, por sua vez, interrogado pela comissão parlamentar encarregada de esclarecer o caso.

O ministro alemão do Interior, Thomas de Maizière, negou qualquer conduta irregular de sua parte, dizendo saudar a oportunidade de limpar o seu nome na audiência desta quarta-feira (06/05), diante da comissão de inquérito. O atual chefe de gabinete da Chancelaria, Peter Altmaier, também será interrogado.

Políticos da oposição pediram esclarecimento definitivo dos procedimentos internos do serviço nacional de inteligência; muitos querem a renúncia de Maizière e de Schindler. O líder do A Esquerda, Gregor Gysi, exige que Merkel testemunhe, sob juramento, quanto a seu grau de conhecimento sobre as atividades do BND.

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