1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Mundo

Entenda a Conferência pela Paz na Síria

Depois de ter sido adiado diversas vezes, encontro internacional sobre o conflito sírio finalmente será realizado em Montreux. Reunião começa com esperança de acordo, apesar da série de obstáculos.

Qual é o objetivo da Conferência pela Paz na Síria?

A meta das negociações é uma solução política para a guerra civil na Síria. Para tal, a Rússia, os Estados Unidos e as Nações Unidas querem reunir numa mesma mesa de negociação representantes do governo sírio e da oposição. O ponto de partida das negociações é a Declaração Final da Primeira Conferência pela Paz na Síria, realizada em Genebra em junho de 2012. Nela ficara definida a formação de um governo interino. A renúncia do presidente Bashar al-Assad não é explicitamente exigida.

Quais são os representantes da Síria nas negociações?

Já está claro que Assad não vai viajar para a Suíça, mas enviará uma delegação – provavelmente seu ministro do Exterior, Valid Muallem, e o assim chamado "ministro da Reconciliação", Ali Haidar.

A Coalizão Nacional Síria, aliança de vários grupos oposicionistas, anunciou neste sábado (18/01) que irá participar da Conferência.

Os grupos de rebeldes islâmicos, cada vez mais fortes no país, não vão participar das negociações e se recusam a dialogar com o regime. Eles acusam as forças moderadas de, deste modo, estarem reconhecendo a ditadura de Assad. Quem for à Conferência será visto como traidor, afirmam. Também entre os diferentes grupos de oposição na Síria há hostilidades, alguns chegam a se combater mutuamente. A Coalizão Nacional Síria, por exemplo, distanciou-se dos muçulmanos.

E quanto à participação internacional?

Da Conferência vão participar quatro instituições internacionais – as Nações Unidas, a União Europeia, a Liga Árabe e a Organização dos Estados Islâmicos – e mais de 30 países de todas as regiões do mundo. É polêmica até agora uma possível participação do Irã. Como o país apoia seriamente o regime de Assad, sobretudo a oposição síria se opõe à presença de representantes de Teerã nas negociações.

Até agora o EUA também vinham mantendo uma certa resistência, mas durante uma viagem por diversos países árabes, o Secretário de Estado norte-americano, John Kerry, deu a entender que Washington não exclui terminantemente a presença iraniana na Conferência de Genebra. Pré-condição para isso, contudo, seria a concordância do Irã com a Declaração Final da Conferência de Genebra, assinada em 2012, que prevê a formação de um governo de transição na Síria.

O que quer o regime de Assad?

Ahmad al-Dscharba Syrische Nationalkoalition New York 27.09.2013

Ahmad Jarba, Coalizão Nacional Síria

O presidente Assad se considera o líder legítimo da Síria, portanto a insurgência contra seu governo é totalmente ilegítima, para ele. Ele classifica os combatentes da oposição como meros "terroristas". Além disso, Assad quer se candidatar às próximas eleições presidenciais do país, em 2014. Consequentemente, continua inflexível a postura de seu governo antes da Conferência de Genebra.

"A delegação oficial da Síria não irá a Genebra para entregar o poder", declarou um representante do Ministério sírio do Exterior. A exigência do Ocidente e da oposição por uma renúncia de Assad "está fora de cogitação", acrescentou – embora neste domingo Assad tenha desmentido informação divulgada por uma agência russa de notícias de que ele teria dito a parlamentares russos que não deixará o poder. O governo em Damasco declara que não há possibilidade de selar acordos com "terroristas" – sob a ótica do governo, os rebeldes e todos os que os apoiam.

O que quer a oposição?

A oposição síria quer, sobretudo, a renúncia de Assad. Muita gente preferiria ver o governante morto. A maioria dos oposicionistas deseja um governo interino, sem Assad e seus assessores que participaram da repressão à rebelião. O governo de transição teria como tarefa preparar o caminho para eleições livres e reformas democráticas no país. Além disso, diz Sadiq al Mousllie, do Conselho Nacional Sírio, os serviços secretos e as Forças Armadas têm que ser reformados. De agora em diante, esses órgãos "deveriam servir ao povo e não ao regime".

Qual é a situação de partida?

O regime de Assad tem, no momento, dois trunfos na mão: primeiro, a oposição não é coesa, mas sim muito fragmentada, com grandes cismas entre as alas seculares e islâmicas. E mesmo dentro dessas alas falta consenso, não só do ponto de vista tático quanto ideológico.

Selim Idriss Stabschef Freie Syrische Armee

Selim Idriss, comandante da Brigada dos Rebeldes Sírios

Portanto em Genebra a oposição síria não vai formar uma frente unida, o que deve enfraquecer sua posição. Mas é sobretudo a presença maciça de militantes islâmicos que favorece o jogo de Assad. Ela lhe permite se apresentar como protetor do Estado, investindo decididamente contra os fundamentalistas. Essa é uma estratégia que parece estar dando certo: no momento, para certos governos ocidentais, o regime Assad parece o menor dos males, em comparação com os fundamentalistas muçulmanos.

Quais são as chances de se alcançar um acordo?

Nas semanas que antecedem a Conferência em Genebra, o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, declarou com toda cautela que o encontro seria "a melhor oportunidade" para encerrar os conflitos sangrentos na Síria. Contudo, ninguém deve subestimar as dificuldades: "Temos consciência de que há muitos obstáculos no caminho de uma solução política", admitiu Kerry.

Enquanto isso, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, se esforça para mostrar otimismo: "As negociações vão ser difíceis, mas sem elas só haverá derramamento de sangue e desespero."