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Alemanha

Ensino alemão tenta se adaptar às crianças refugiadas

Milhares de crianças refugiadas serão incorporadas ao sistema alemão de ensino já em 2016. Educadores acreditam que se trata de um desafio que pode mudar o sistema alemão de ensino para sempre.

O material didático especial para alunos que têm o alemão como segundo idioma chama a atenção dos visitantes da Didacta, a feira de educação em Colônia, na Alemanha. Muitos professores procuram com urgência livros que possam auxiliar em suas aulas para crianças refugiadas e imigrantes.

A professora Gwendolyn Dembowsky, por exemplo, leciona a maior parte do tempo numa escola secundária em Ratingen – cidade de 90 mil habitantes no oeste do país – em uma Willkommenklasse, uma turma específica para a integração de estrangeiros. "São 21 crianças e adolescentes com idades entre 10 e 16 anos. Alguns têm bons conhecimentos, já outros nem foram alfabetizados", explica Dembowsky.

Muitos professores enfrentam o mesmo desafio. Estima-se que 300 mil crianças refugiadas cheguem à Alemanha em 2016 – e elas vão precisar de escolas e creches. Dembowsky destaca que, para os professores, trata-se também de ensinar conhecimentos práticos do cotidiano, além do idioma alemão.

"Por exemplo, [é preciso dizer] que se vai ao banheiro somente nos intervalos." Na escola dela, 40 dos cerca de 270 alunos são de outros países. Se as crianças conseguirem aprender alemão na Willkommensklasse, elas terão um bom aproveitamento nas aulas do currículo normal.

Didacta 2016 in Köln - Bücher zu Deutsch als Zweitsprache

Editoras disponibilizaram novidades para o aprendizado do alemão como segunda língua na Didacta 2016

Grande desafio

A professora Daniela Neuhaus relata experiências semelhantes. Ela leciona no equivalente ao ensino médio brasileiro nas proximidades de Colônia. "Isso varia de criança para criança: uma fala inglês, outra fala alemão, outra não fala uma segunda língua", afirma. A maior carência, porém, está no ensino técnico.

O professor de matemática Michael Henning dá aula numa escola da Baixa Saxônia, numa turma na qual há quase somente crianças refugiadas. Além de 15 horas semanais de alemão, elas deveriam ter também cinco horas de matemática. "Mas não adianta", diz. Ele precisa primeiro ver em que nível as crianças estão. Henning ressalta que, nos seus 43 anos de profissão, nunca esteve numa situação parecida.

O grande número de crianças refugiadas é um desafio para muitos professores. Por isso, este é o grande tema da Didacta neste ano. A organização da feira espera 100 mil visitantes até este sábado (20/02).

A Associação Didacta do Setor de Educação na Alemanha é a idealizadora do evento. O presidente da organização, Wassilios Fthenakis, defende uma nova abordagem: "Não se deve focar somente na proficiência do idioma". Para ele, é necessário também reforçar a autoestima das crianças, e isso inclui valorizar a língua e a cultura maternas.

Didacta 2016 in Köln - Wassilios Fthenakis

Fthenakis: "Não se deve focar só no idioma"

Novas tecnologias são decisivas para isso, já que muitos refugiados têm smartphones. "A mensagem da feira é: nós temos a tarefa de rever e aperfeiçoar os nossos conceitos."

Ensino lúdico do idioma

As editoras de livros didáticos já começaram a se ajustar à demanda provocada pelas crianças refugiadas. O editor Klaus Holloch, da editora Cornelsen, diz que a sua empresa está focada em preparar os professores para o novo desafio. Ele diz que muitos não têm qualquer experiência com as Willkommensklasse.

Já em relação ao material didático, Holloch sublinha que existe uma tendência clara. "A maioria adota uma abordagem lúdica."

Alguns professores reclamam disso. Dembowsky diz que rapazes mais velhos se desinteressam das aulas se o material é muito infantil. Henning, por sua vez, reclama da ausência de material didático específico na sua disciplina.

Presença obrigatória na escola

Didacta 2016 in Köln - Norbert Hocke NEU

Hocke: "Importante é dar uma formação a esses jovens"

Os professores também acompanham o atual debate político sobre os refugiados. A União Democrática Cristã (CDU, na sigla em alemão) defende que os refugiados que não concluíram o ensino médio até os 18 anos tenham a obrigatoriedade de fazê-lo até os 25 anos.

A ideia é vista com ceticismo pelos profissionais do setor. Henning acha que seria melhor se os refugiados mais velhos tivessem acesso ao ensino profissionalizante. Já Hocke afirma: "Nós precisamos dar uma formação para esses jovens". Para ele, é preciso dar essa oportunidade especialmente aos jovens desacompanhados e com idade acima dos 18 anos.

Todos concordam que ainda há muito por fazer para que as crianças refugiadas se integrem bem nas escolas e comunidades. Os educadores, porém, são unânimes na hora de avaliar a motivação dessas crianças. "A impressão é que elas estão felizes por estarem numa escola", opina Neuhaus.

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