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Cultura

Enfrentando a crise econômica com dó de peito

Com cerca de 90 casas de ópera, a Alemanha tem uma venerável tradição no teatro musical. As ameaças à sua sobrevivência são muitas: as novas mídias eletrônicas, cortes de verbas e as cidades minguantes no Leste do país.

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A Ópera Semper de Dresden

Quem considera a ópera uma forma de arte elitista ficará surpreso ao saber que a Alemanha possui cerca de 90 casas de ópera. E boa parte delas está localizada nos Estados do Leste, normalmente associados antes com crise econômica e desemprego do que com alta cultura.

Um passeio pelos extremos orientais do país realmente revela, por um lado, paisagens desoladas e deprimentes, como anunciam os apocalípticos econômicos. Porém, ao mesmo tempo, os teatros espetaculares de tantas cidades da ex-Alemanha comunista parecem haver permanecido intocados pelos reveses das últimas décadas.

Cidades minguantes no Leste

Bernhard Helmich, próximo diretor geral da Ópera de Chemnitz, acredita que, no fim das contas, as taxas de desemprego locais pouco têm a ver com os destinos de uma casa de ópera.

"Os problemas de lugares como Chemnitz não são diferentes dos que enfrentam outras cidades, mais ricas, da Alemanha. Isso porque, em geral, quem vai à ópera não são os afetados pela pobreza", comenta. E lembra que as tabelas de preços da maioria dos teatros servem a todos os bolsos.

"O problema é que as cidades estão ficando menores", aponta Helmich. Chemnitz – a última cidade alemã de certo porte antes da fronteira tcheca – é um exemplo gritante desse fenômeno.

Desde que emergiu da Cortina de Ferro, ela encolheu quase 50%, contando atualmente com pouco mais de 200 mil habitantes. E o fato de haver menos gente para ocupar o mesmo número de assentos, associado à constante ameaça de cortes dos gastos públicos, naturalmente influencia a escolha das produções a serem apresentadas.

Menos espaço para experimentos

Oper Tea des chinesischen Komponisten Tan Dun in Oldenburg

Ópera contemporânea: 'Tea', do chinês Tan Dun, em Oldenburg

Um estudo recente da Associação Alemã de Teatros e Orquestras revelou que "cada vez mais casas de ópera não vêem alternativa senão reduzir seus programas e evitar qualquer risco comercial no planejamento do repertório". Outro fator de competição é a existência de tantos teatros a distâncias mínimas uns dos outros.

Helmich afirma que, embora haja uma marcada concorrência entre as óperas, o público tende a se identificar de perto com as trupes locais. "As pessoas vêm escutar os cantores da sua cidade. Elas querem ver os 'seus' tenores, 'seu' baixo, 'seus' bailarinos. Não querem escutar gente de fora, mesmo que eles sejam melhores."

O diretor da Associação de Teatros e Orquestras, Rolf Bolwin, comenta que, tradicionalmente, o conceito por trás da ópera na Alemanha era oferecer cultura para a população local. "A ópera deve ser para os da cidade. Uma casa de ópera em Leipzig de nada serve para os habitantes de Chemnitz."

Palco versus tela

Bolwin não vê como ignorar o fato de que "o teatro musical representa um papel importante para os alemães". Prova disso são os oito milhões de espectadores nas óperas, operetas, musicais e balés na última temporada. Isso se deu apesar do continuado declínio do número daqueles que se beneficiam das amplas palhetas local e nacional, nos últimos 15 anos.

Die Meistersinger von Nürnberg in Hamburg

Montagem de 'Os Mestres cantores de Nurembergue' em Hamburgo

A tradição, nascida nos pequenos principados alemães do século 17, deve parte de seu sucesso ao papel que representa no discurso social da nação alemã. Helmich não deixa de se espantar por tantos ainda permanecerem fiéis à ópera: "O fato de os planos de fechamento sempre provocarem protestos tão vigorosos prova que os alemães respeitam o teatro educativo e histórico".

Desde que se tornou uma forma acessível de entretenimento, a ópera enfrenta concorrência cada vez maior do mundo da mídia moderna. Entretanto, como observa Bolwin, nem a televisão, nem o cinema, nem a internet tornaram supérfluo o teatro cantado: "A ópera sobreviveu a todos os tipos de concorrência por basear-se na comunicação direta entre as pessoas, ao contrário da tela".

O diretor da Associação de Teatros e Orquestras deseja ver essa tradição comunicativa enfrentar as próximas gerações da mídia eletrônica: "As mudanças continuarão a acontecer, mas precisamos mobilizar todas as nossas energias para manter viva uma das maiores paisagens operísticas do mundo".

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