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Economia

Energia nuclear vai muito bem na Alemanha, obrigado

Os condenados à morte vivem mais, dizem. A longa despedida da energia nuclear na Alemanha já dura três anos. E, apesar dos esforços dos verdes, ela está tão ou mais saudável do que antes do acordo para sua extinção.

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Stade, a única usina alemã desativada

Sob o título de um consenso sobre o "encerramento gradual da utilização da energia nuclear para produção comercial de eletricidade", governo e indústria alemã decidiram em junho de 2001 abandonar a energia atômica. Em 22 de abril de 2002 entrava em vigor uma emenda de lei proibindo a construção de novas usinas na Alemanha.

Segundo alguns, uma vitória para todos, graças à persistência do Partido Verde. Segundo outros, antes de tudo uma guerra ideológica, sem impacto justificável sobre o meio ambiente ou a qualidade de vida.

Três anos mais tarde, os 38 mil que trabalham na indústria e pesquisa atômicas na Alemanha parecem ter poucos motivos para se preocupar por seus empregos. Em outras palavras: o período de meia-vida da energia termonuclear na Alemanha ameaça ser muito, muito longo.

A preguiça de desativar

Manfred Horn, do Instituto Alemão de Pesquisa Econômica (DIW) em Berlim, confirma essa impressão: "O abandono da energia atômica praticamente ainda nem começou".

Até agora, somente uma usina, a de Stade, foi desativada. Todas as demais continuam conectadas à rede. E mesmo se forem desligadas, no futuro, ainda continuará havendo suficiente trabalho para quem se especializou no setor.

O porta-voz do principal conglomerado nuclear europeu, a Framatone ANP, confirma: "No momento temos na Alemanha o mesmo volume de mercado que antes da decisão de abandonar a energia termonuclear".

A explicação é que a Framatone não se ocupa apenas de construir usinas, como as orienta, moderniza e fornece elementos combustíveis. Todas essas, tarefas que continuam sendo assiduamente solicitadas.

Fusão poderosa

Mesmo no remoto caso de a despedida dos reatores de fissão nuclear começar de verdade, a indústria alemã está bem garantida, através de suas conexões internacionais.

A Framatone ANP nasceu de uma grande fusão em 2001, quando a alemã Siemens e a francesa Areva uniram seus departamentos eletronucleares num novo grupo. Isso a torna relativamente independente do mercado nacional.

Ela acaba de receber importante encomenda para a construção de uma usina na Finlândia, com um volume total de três bilhões de euros. Trata-se da primeira usina de terceira geração, além de ser a primeira nova construção dentro da UE nos últimos dez anos. A França também já considera se mandará construir um novo reator.

Abandonando o abandono

Isso mostra que, enquanto os alemães tentam – embora sem muita convicção – afastar-se da eletricidade por fissão nuclear, ela está cada vez mais in nos outros países. Não é exagero falar num renascimento: cinco dos dez países novatos na União Européia trouxeram, com seu ingresso em 1º de maio, 19 usinas para dentro da comunidade. E enquanto isso, no Extremo Oriente, os chineses planejam uma verdadeira bateria termonuclear.

Não é de espantar que a Alemanha veja reacender-se a aparentemente extinta discussão sobre o abandono da energia atômica. Sobretudo os políticos conservadores dos maiores partidos de oposição – União Democrata-Cristã (CDU) e Social-Cristã (CSU) – clamam não só para que a desativação das antigas usinas seja prorrogada, como pela construção de novas unidades.

O assunto já é até ponto de campanha eleitoral: os líderes da CDU e CSU, Angela Merkel e Edmund Stoiber, prometem que, caso vençam as eleições parlamentares de 2006, a Alemanha pode ir começando a pensar a sério no abandono do abandono da energia termonuclear.

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