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Mundo

Endurecer sanções a Moscou é mais fácil para EUA, dizem analistas

Rússia sequer está entre os 15 maiores parceiros comerciais dos EUA, mas o maior da UE. À parte as relações econômicas, bloco europeu precisa levar em conta interesses dos 28 países-membros.

As sanções que Washington impôs a Moscou após a anexação da Crimeia não abalaram o comércio entre os EUA e a Rússia. De fevereiro para março, quando a península foi anexada, as exportações americanas para a Rússia aumentaram 9%, e as importações da Rússia cresceram 36%, segundo o Departamento de Comércio dos EUA. Ambos os resultados foram melhores dos que os registrados no mesmo período de 2013.

Enquanto isso, no primeiro trimestre deste ano, as importações da União Europeia (UE) provenientes da Rússia encolheram mais de 9%, e as exportações para a Rússia caíram mais de 10% – ambas em relação ao mesmo período do ano passado, segundo a agência europeia de estatísticas Eurostat.

Embora esses números indiquem que o comércio entre a UE e a Rússia reage mais às influências externas do que as trocas entre a Rússia e os EUA, eles não bastam para explicar as relações comerciais com a Rússia. Se for levado em consideração que a UE é o principal parceiro comercial da Rússia, enquanto Moscou não está nem mesmo entre os 15 maiores parceiros comerciais de Washington, fica claro por que a Europa hesita muito mais do que os EUA na hora de impor sanções econômicas mais duras.

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Cúpula da UE: bloco consiste de uma série de países com atitudes diferentes em relação à Ucrânia e à Rússia

"Os EUA não têm nada a perder e a UE, sim. Portanto, a situação não é a mesma", avalia David Marples, especialista em Rússia e Ucrânia da Universidade de Alberta, no Canadá.

Há algum tempo, as autoridades americanas têm mostrado insatisfação com o que muitos consideram uma resposta hesitante da Europa para o comportamento da Rússia em relação à Ucrânia. Foi por isso que o próprio presidente Barack Obama conversou por telefone com os líderes europeus para tentar convencê-los a concordar com sanções econômicas mais duras contra Moscou.

Do ponto de vista dos EUA, o resultado da conversa foi limitado, na melhor das hipóteses. Muitos de seus parceiros europeus ainda tinham fortes reservas a respeito de sanções mais duras, o que torna uma posição europeia unificada algo difícil de ser alcançado.

No final, o apelo de Washington por sanções mais duras resultou na cena em que Obama e a chanceler federal alemã, Angela Merkel, ameaçaram medidas punitivas mais amplas e mais rigorosas, numa entrevista coletiva na Casa Branca. Eles afirmaram que a chamada terceira fase das sanções seria implementada caso Moscou interferisse nas eleições presidenciais na Ucrânia, programadas para este domingo.

Mas ainda é incerto se os 28 países da UE, de fato, aprovarão sanções mais duras, caso a situação realmente piore. O debate em curso sobre as sanções volta a revelar as diferenças existentes entre a UE e os EUA.

Posições diversas

"Os Estados Unidos gostariam de ver a União Europeia adotar uma linha mais dura", frisa Marples. "Mas a UE não é uma entidade política única – ela consiste de uma série de países que têm atitudes diferentes em relação ao que está acontecendo na Ucrânia e na Rússia. Portanto, não é muito razoável querer que a UE adote uma posição absolutamente firme", avisa.

Andrew Michta, pesquisador do Centro de Análise de Política Europeia (CEPA, na sigla em inglês), em Washington, afirma que a UE tem economicamente muito mais a perder do que os EUA, e concorda com o fato de que é difícil para a UE falar a uma só voz sobre esta questão. Entretanto, ele acredita que os interesses estratégicos da Europa não devam ser ignorados.

"Eu não abriria mão da UE só porque ela age de forma pouco ágil. Eu diria que a questão principal é que os três grandes, Alemanha, França e Reino Unido, cheguem a um consenso sobre seus interesses comerciais e seus laços", considera o pesquisador.

Negócios superam interesses estratégicos

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Segundo Michta, a UE tentou integrar a Rússia economicamente e agora está pagando o preço por isso. "O resultado que temos hoje, e acredito que essa seja a estratégia de Putin, é que ele tem, a rigor, um lobby na Europa, o qual não torce particularmente pela Rússia, mas tem muito a perder em termos de negócios com Moscou."

Para exemplificar como, na Europa, as ligações comerciais com a Rússia superam o pensamento estratégico, o especialista cita a controversa venda realizada pela França de dois navios de guerra a Moscou e o comentário de Merkel, numa entrevista recente, em que ela condenou o comportamento da Rússia, mas disse que, em longo prazo, uma estreita parceria com a Rússia continua sendo necessária.

"Claro que a UE poderia bater na Rússia onde dói economicamente", reconhece Marples. Enquanto maior investidor estrangeiro, "se o bloco recuasse, poderia causar uma catástrofe para a Rússia. Mas é claro que a coisa funciona nos dois sentidos. Não acredito que a UE realmente queira colocar a corda no pescoço da Rússia. Não é realmente do interesse do bloco", sublinha.

Para Marples, a postura dos EUA em relação à Rússia é mais cautelosa do que forte. "Vemos muita retórica por parte dos Estados Unidos, mas não vemos muita ação fora o que a Otan está fazendo nos países de fronteira, que é um tipo de reação tardia. Mas não acredito que os EUA irão muito mais longe."

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