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Mundo

Encontro de paz sob o signo da guerra

A 39ª Conferência Internacional para Política de Segurança começa, em Munique, sob influência do conflito do Iraque e nas relações teuto-americanas. Tem por meta soluções de paz para conflitos e promete muita tensão.

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Cerca de 3500 policiais em ação para evitar distúrbios

Ante a ameaça de uma intervenção militar iminente dos EUA no Iraque, o lema da conferência, que começa nesta sexta-feira (7) e terminará no domingo, é "diálogo em vez de confrontação e guerra". A conferência de paz, realizada pela primeira em Munique 30 anos atrás, adquiriu fama mundial. Desta vez, o ponto central das discussões de quase 250 peritos do mundo inteiro é uma conduta responsável com o regime de Saddam Hussein.

Em 2002, sob o choque dos atentados de 11 de setembro de 2001, os especialistas discutiram sobre estratégias para combater o terrorismo internacional. Agora, eles querem quebrar cabeça com meios capaz de eliminar, por vias pacíficas, as possíveis armas de destruição em massa em poder de Bagdá.

Manifestação de massa

A conferência foi criada em 1962 pelo editor alemão e membro da resistência ao nazismo Ewald von Kleist. Na época o motivo de discussão era o desenvolvimento das relações transatlânticas. Desde o seu surgimento, sempre se repetiram manifestações antiguerra do lado de fora dos salões de debate, mas na maioria das vezes eram algumas pessoas com panfletos. Os protestos estão, porém, cada vez mais altos nos últimos anos e agora as autoridades prevêem manifestações com mais de dez mil pessoas.

As Igrejas Católica e Luterana, sindicatos e o prefeito de Munique, Christian Ude, convocaram manifestações pela paz. Críticos da globalização e pacifistas estão também se armando para protestar contra o que chamam de "guerra das elites".

O secretário da Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld, recomendou aos cidadãos americanos a não aparecerem no centro de Munique durante o encontro, por temer distúrbios violentos. Cerca de 3500 policiais vão entrar em ação para evitar violência.

Contribuição ao desarmamento

Qualificar a conferência de encontro de "elites de guerra" é injusto, pois peritos, políticos e militares de alta patente, oriundos de países democráticos ou não, sempre se esforçaram no fórum por prevenção de conflitos e desarmamento. Nos anos 60, por exemplo, discutiu-se uma proibição de propagação de tecnologia para armas de destruição em massa, o que teve influência relevante sobre o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares de 1970. As discussões sobre gases sintéticos e orgânicos influenciaram indiretamente as convenções contra armas químicas e biológicas.

Depois do conflito entre os blocos comunista e capitalista, surgiram novos temas, como o futuro papel da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e as relações mudadas entre os Estados Unidos e a Europa. Discutiu-se sobre o planejado sistema americano de mísseis de defesa antiaérea, a inclusão da Rússia na ordem de estabilidade européia, a criação das forças de reação rápida da OTAN e a ampliação da aliança militar para o antigo bloco comunista.

O fórum é dirigido desde 1999 pelo presidente da Fundação Herbert Quandt da BMW, Horst Telschik, que foi conselheiro político do antigo chanceler federal alemão Helmut Kohl. Ele abriu espaço para representantes de Estados e da economia do Leste Europeu. Dada a necessidade de segurança em todas as partes do mundo, incluiu também a Ásia. China, Japão, Índia e Paquistão mandam regularmente altos representantes para o encontro.

Tensão programada

Este ano, as investidas para a solução pacífica de conflitos, como os do Iraque e da Coréia do Norte, por causa da reativação do programa nuclear norte-coreano, vão certamente gerar tensões, pois os altos representantes falarão em seu próprio nome e não no de seus respectivos governos ou instituições. Entre eles destacam-se o secretário-geral da OTAN, George Robertson, o coordenador da política externa e de segurança da União Européia, Javier Solana, e cerca de 30 ministros da Defesa e de Relações Exteriores.

É aguardado com grande expectativa um encontro do secretário da Defesa dos Estados Unidos, Donald Rumsfeld, com o seu colega alemão, Peter Struck, à margem da conferência, dois dias depois de o americano ter colocado a Alemanha do lado dos arquiinimigos do seu país Cuba e Líbia, porque Berlim se nega a apoiar uma guerra no Iraque. Pelo mesmo motivo, Rumsfeld se recusou a conversar com Struck na conferência da OTAN em Praga, no ano passado.

Adversários na política interna alemã, como o ministro das Relações Exteriores, Joschka Fischer, do Partido Verde, e a presidenta da União Democrata-Cristã (CDU), Angela Merkel, também vão discursar. Uma das características marcantes do encontro de Munique foi até agora a palavra aberta, sem as amarras partidárias, sobre problemas graves das políticas de segurança européia, transatlântica e global.

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