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Economia

Enchentes e furacão esvaziam cofres das seguradoras

Se 2001 foi "o pior ano para as companhias de seguro", 2002 promete não ficar atrás. Os altos prejuízos com catástrofes naturais devem levar as seguradoras a aumentar o valor dos prêmios em 2003.

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Casa destruída pela enchente em Weesenstein, leste da Alemanha

Além de destruírem casas, pontes, estradas e automóveis, os furacões, tempestades e enchentes deste ano causaram prejuízos também às companhias de seguro. O temor é que 2002 termine como mais um "ano negro" para o setor. "De um modo geral, o setor de seguros, hoje intrinsecamente ligado à prestação de serviços financeiros, vem sofrendo as conseqüências negativas da evolução nos mercados financeiros após os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 em Nova York e Washington", diz Dieter Knörrer, da "DKM 2002'", a Feira Alemã de Serviços Financeiros e Seguros, que se realiza em Dortmund nos dias 30 e 31 de outubro.

Gerling: a primeira vítima?

Se os prejuízos diretos decorrentes dos atentados sobrecarregaram os balancetes em 2001, este ano foi marcado por tempestades e furacões, sem falar nas grandes enchentes de agosto na Europa, que castigaram sobremaneira a Áustria, Alemanha e República Tcheca. Neste contexto, os temporais podem ter aumentado os prejuízos da seguradora alemã Gerling, cujas dificuldades não vêm de agora. Em Colônia, onde está sua sede, o grupo anunciou nesta segunda-feira (28) que irá suspender os negócios na área de resseguros, após prejuízos de mais de 500 milhões de euros em 2001. A Gerling era a sexta maior resseguradora do mundo, com um faturamento de quase 6 bilhões de euros.

Ventos levaram milhões

Ainda não se conhece o montante dos prejuízos deixados pelo furacão "Jeanett", que varreu a Europa com ventos de mais de 160 k/h no último domingo (27/10), indicou Stephan Schweda, da Confederação Alemã das Seguradoras (GVD) . Na Grã Bretanha, um dos países mais atingidos, ao lado da Alemanha, a estimativa é de 50 milhões de libras, o equivalente a 80 milhões de euros.

Em toda a Alemanha morreram 12 pessoas. Somente no Estado da Renânia do Norte-Vestfália, a Polícia e o Corpo de Bombeiros tiveram que agir em 17.000 casos para socorrer pessoas, retirar árvores caídas, desimpedir estradas ou evitar que tetos e objetos arrancados pela ventania causassem acidentes.

Numa primeira avaliação, a seguradora Allianz, a maior da Europa, calculou que o furacão lhe representará um prejuízo de 80 milhões de euros. Até o momento, teriam sido comunicados 80 mil casos, indicou um porta-voz da companhia, em Munique, acrescentando que a maior parte da importância está coberta por resseguradoras. Desse modo, "Jeannet" representará uma carga bem menor do que o furacão "Lothar", que há três anos pesou no balanço da Allianz com 140 milhões de euros.

A seguradora Provinzial estima em 25 milhões de euros os prejuízos com casas asseguradas na Renânia do Norte-Vestfália, onde ela tem uma parcela de 42% do mercado. Cerca de 40 mil prédios e moradias foram danificadas pelo furacão, anunciou a companhia, na segunda-feira (28/10), em Münster.

Mais tempestades que nos anos anteriores

De acordo com as condições dos contratos, ventos força 8 são considerados furacão, de forma que os seguros especiais de prédios, casas, mobiliário e automóveis cobrem os danos. Independentemente da última catástrofe natural, as seguradoras já estavam preparadas para enfrentar um ano difícil. "Mesmo sem o furacão, 2002 não foi um ano bom em matéria de danos causados por intempéries", disse Stephan Schweda.

Após as fortes tempestades de julho deste ano, mas antes ainda das enchentes, as seguradoras de casas e prédios já haviam registrado um aumento de 18% dos ressarcimentos de danos. Os pagamentos até julho totalizaram aproximadamente 3 bilhões de euros. Os primeiros furacões e tempestades varreram a Alemanha na primavera (março/abril) e, segundo a GDV, houve bem mais tempestades e danos este ano do que em 2001.

Aumento de prêmios

As seguradoras de casas e prédios, que já pensavam em aumentar os prêmios, viram-se reforçadas agora em seu propósito e devem decidir a questão até o fim do ano, quando será feito o balanço final de 2002. O semanário Der Spiegel também noticia que os seguros ficarão mais caros em todo o mundo, a partir de 2003. Os altos custos com indenizações por tempestades e enchentes, bem lucros menores com aplicações financeiras obrigariam as companhias de seguro a exigir prêmios mais altos.

A revista se baseia num estudo recente da Suiss Re, intitulado "Seguro contra catástrofes - sustentável dentro em breve?". Nele, os especialistas da companhia suíça constatam que o valor dos prêmios não basta para a obtenção de margens duradouras de lucros. "Não estão cobertos especialmente os altos custos de risco para os cenários de danos extremos nos EUA, Japão e Europa", constata o estudo. Sua conclusão é que as resseguradoras precisam concentrar-se no essencial para garantir as indenizações em casos de catástrofes naturais.