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Mundo

Enchente mata mais de 170 pessoas no sul da Rússia

Volume de água cresceu tão rapidamente que foi difícil escapar. Enquanto a região se prepara para mais chuva, o país discute se houve negligência das autoridades ao não avisar a população em risco.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, declarou esta segunda-feira (09/07), dia de luto nacional pelas vítimas das inundações que atingiram o país no último fim de semana. Pelo menos 171 pessoas morreram na pior enchente na história recente da Rússia.

Chuvas torrenciais atingiram a região de Krasnodar, nas proximidades do Mar Negro, na última sexta-feira. De acordo com o serviço meteorológico, em menos de 24 horas a precipitação foi cinco vezes maior do que a média mensal na região.

Enquanto o governo local descreve a tragédia como uma grande surpresa, tanto os jornais pró-governo como os da oposição mostraram uma unanimidade rara ao afirmar que as autoridades falharam em avisar apropriadamente a população, o que poderia ter diminuído os prejuízos da enchente.

"Como um tsunami"

A maioria das vítimas morreu afogada entre a noite de sexta-feira e a manhã de sábado. O volume de água cresceu tão rapidamente que foi difícil, especialmente para os idosos, escapar. Segundos os sobreviventes, sirenes soaram, mas não houve nenhum alerta no rádio.

Russland Krymsk Krimks Überflutung Flut Überschwemmung

População sofre com a negligência das autoridades

Uma moradora da região descreveu a subida das águas "como um tsunami". Outro morador reclamou que ninguém foi avisado. Casas foram completamente destruídas, carros e caminhões arrastados pelas ruas e estradas e vilas ficaram completamente cobertas de lama.

No sábado pela manhã, um grande volume de água atingiu as ruas de Krimski, o sul da Rússia, com tanta rapidez que os moradores dizem suspeitar que a enchente foi causada pela abertura de uma barragem nas montanhas. A informação foi negada pelo governo local, que admitiu que a água foi liberada, mas esse não teria sido o motivo do alagamento.

Testemunhas dizem que é difícil apurar a verdadeira dimensão da tragédia. "Muitas pessoas foram arrastadas para o mar. Ninguém pode dizer com precisão o número de vítimas", lamentou um morador da região. Diversas cidades declararam estado de emergência.

Previsão e consequências

Tragédias como essa tem se tornado uma constante nos verões russos, levantando suspeitas de como medidas de segurança são ignoradas no país. No ano passado, a Rússia sofreu com os piores incêndios florestais de sua história, o que também deixou muitas vítimas.

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A cidade de Krimski foi a mais atingida pelas enchentes

"Se as normas fossem cumpridas, uma tragédia como essa não deveria acontecer", declarou Vladimir Putin para a televisão. O líder do Kremlin chegou rapidamente ao local dos desastres e ordenou uma ampla investigação dos acontecimentos.

Segundo o jornal Vedomosti, a tragédia não era novidade para as autoridades que estavam cientes dos riscos na região, principalmente depois das vítimas causadas pelas enchentes em 2002. "Essa catástrofe mostra a incapacidade das autoridades em proteger a população de desastres naturais. A população não foi evacuada e nem ao menos informada", escreveu o jornal.

Além de morte e destruição, as enchentes podem trazer sérios problemas para uma das mais férteis regiões da Rússia. Segundo a emissora de rádio Eco Moskwy, não só a colheita será prejudicada, mas também o prestígio da região turística.

Até o presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, país vizinho e com regiões afetadas pelas cheias, anunciou que está disposto a enviar ajuda humanitária para a região, caso Moscou autorize a entrada em seu território. A Geórgia não mantém relações diplomáticas com a Rússia.

MAS/afp/dpa/lusa
Revisão: Roselaine Wandscheer

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