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Economia

Empresas do DAX demitem 35 mil e lucram 35 bi

Maiores grupos alemães cotados na Bolsa de Valores de Frankfurt cortam postos de trabalho, duplicam lucros e pagam os dividendos mais elevados dos últimos cinco anos aos acionistas.

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Vidrados na curva das ações em alta, empresários exageram nas demissões

As 30 maiores empresas da Alemanha, que formam o DAX, índice da Bolsa de Valores de Frankfurt, aumentaram seus lucros em 117% para 35,7 bilhões de euros em 2004, quando demitiram 35 mil funcionários no país.

A informação foi divulgada, nesta quinta-feira (24/03), pelo jornal Tagesspiegel, ao final da temporada de apresentação dos balanços financeiros dos principais conglomerados cotados na bolsa. As mesmas empresas que cortaram 35 mil empregos na Alemanha geraram 9600 postos de trabalho em outros países.

Os números publicados pelo jornal incluem também os efeitos de fusões, compras, vendas e divisões de empresas. Os grandes beneficiados foram os acionistas, que embolsaram os maiores dividendos dos últimos cinco anos.

"Balanço dos balanços"

Vinte e cinco das 30 empresas do DAX aumentaram seus dividendos em 2004 em relação ao exercício financeiro anterior e distribuíram mais de 15 bilhões de euros aos acionistas. No mesmo exercício, 13 dos 30 maiores grupos alemães demitiram funcionários – principalmente na Alemanha.

Jürgen Peters IG Metall

Presidente do IG Metall, Jürgen Peters: 'Empresários derramam lágrimas de crocodilo, em vez de gerar empregos'

O "balanço dos balanços" feito pelo Tagesspiegel indignou sindicalistas e representantes do Partido Social Democrata (SPD). O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos IG-Metall, Jürgen Peters, disse que as empresas deveriam parar o "choro de crocodilo" e diminuir o desemprego.

Segundo o presidente do Sindicato do Setor de Serviços (ver.di), Frank Bsirske, os lucros recordes demonstram a eficiência das empresas e dos trabalhadores alemães. "Mas os lucros vêm principalmente das exportações, o que prova a excelência alemã em termos de produtividade", disse.

5,2 milhões de desempregados

"Os empresários devem parar de chantagear os sindicatos e, finalmente, tirar o pé do freio dos investimentos", reivindicou Ursula Engelen-Kefer, vice-presidente da Confederação dos Sindicatos Alemães (DGB).

Para o presidente da Comissão de Economia do Bundestag (Parlamento alemão), Rainer Wend (SPD), "não é nada saudável para a economia que cada vez mais sociedades anômimas se preocupem em obter lucros de curto prazo". "A responsabilidade das empresas não se restringe à maximização dos lucros. Elas são responsáveis também por seus empregados e pela realização de investimentos de longo prazo", disse. "Os lucros de hoje deveriam ser os empregos de amanhã", acrescentou o vice-líder da bancada do SPD no Bundestag, Ludwig Stiegler.

Analistas prevêem que a Alemanha deve manter, em março, o número recorde de 5,2 milhões de desempregados registrados em fevereiro. O governo espera que os números a serem divulgados na próxima quinta-feira (28/03) surpreendam positivamente.

Miopia empresarial

Galerie Josef Ackermann

Presidente do Deutsche Bank: míope ou ganancioso?

Os 30 maiores grupos alemães empregavam 3,5 milhões de pessoas em todo o mundo em 2004 – 0,3% a mais que no ano anterior. Graças à transferência de atividades para o exterior, a Siemens, por exemplo, aumentou em 23 mil para 430 mil o número de seus funcionários nos últimos anos.

No mercado alemão, principalmente o setor financeiro está eliminando postos de trabalho. Um exemplo é o Deutsche Bank, que obteve um lucro líquido de 2,55 bilhões de euros em 2004 (o maior dos últimos quatro anos), mas já anunciou o corte de mais 3,3 mil empregos.

O diretor-executivo da Associação de Proteção aos Pequenos Acionistas (DSW), Ulrich Hocker, advertiu que as empresas alemãs correm o risco de exagerar no corte de empregos. Elas sofrem de uma miopia que pode se vingar, no momento em que faltar pessoal qualificado".

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