Empresas alemãs insatisfeitas com novos ″bachelor″ do país | Tudo o que você precisa saber para estudar na Alemanha | DW | 31.01.2011
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Estudar na Alemanha

Empresas alemãs insatisfeitas com novos "bachelor" do país

Pesquisa mostra que as companhias alemãs estão menos confiantes no atual sistema de ensino superior. Acadêmicos rebatem que problema está na alta expectativa das empresas em relação aos graduados.

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Antes do Acordo de Bolonha foi assinado em 1999

O setor privado alemão vem perdendo a confiança no novo sistema de ensino, que introduziu somente há alguns anos os cursos de Bachelor nas universidades da Alemanha.

Numa pesquisa conduzida pela Câmara Alemã de Indústria e Comércio (DIHK), apenas 63% das empresas alemãs consideraram que os recém-graduados que se candidataram a um emprego preenchiam suas expectativas. Em 2007, esse percentual era de 67%. Ao mesmo tempo, 15% das companhias pesquisadas reclamam da falta de experiência dos candidatos – o dobro do percentual em 2007.

De acordo com Kevin Heidenreich, especialista em Educação da DIHK e responsável pela pesquisa em questão, sempre se criticou o fato de os universitários não adquirirem suficiente experiência prática durante o curso. "Isso não acontece apenas nas áreas de economia ou de técnica, mas também nas humanas", ressalta o especialista.

Heidenreich diz ainda que as faculdades pouco contribuem para ajudar o aluno em relação ao futuro. "Muitas escolas de ensino superior ignoram o fato de que 90% dos graduados irão trabalhar em empresas. Às vezes, temos a impressão de que os docentes estão formando apenas novos professores", critica.

Mais prática

Deutschlandweit einmalige Studiengänge in Halle

Empresas criticam falta de experiência prática dos formados

O pesquisador diz ainda que a situação é especialmente problemática nas universidades, onde muitos acadêmicos estiveram relutantes em substituir o tradicional Diplom e o Magister, que duravam em média quatro ou cinco anos, pelos programas de Bachelor e Master, mais breves.

Por outro lado, "muitas escolas de ensino superior cortaram semestres práticos da grade curricular, o que, obviamente, não contribui muito para as chances de emprego dos universitários", explica Heidenreich.

Foi exatamente o oposto do método recomendado pelo setor privado, que esperava dos bacharelados a intensificação da prática, incluindo estágios obrigatórios, projetos de trabalho e palestras ministradas por líderes empresariais.

Perspectivas conflitantes

Embora não existam estatísticas oficiais, a Conferência dos Reitores da Alemanha (HRK), um órgão representativo das escolas de educação superior, acha que somente um em cada dez cursos universitários prevê um semestre prático em suas grades curriculares.

Patrick Honecker, da Universidade de Colônia, replica que a visão das instituições de ensino superior sobre assunto é diferente, pois elas têm uma reputação acadêmica a defender.

"Quando o Bachelor foi introduzido, o setor privado esperava que estes cursos fossem mais orientados para a prática profissional. Mas as universidades, é claro, queriam preservar o conteúdo acadêmico, de forma a possibilitar o desenvolvimento intelectual."

Segundo o porta-voz, a questão não é apenas preparar os estudantes para o mercado de trabalho, mas também transmitir valores. "Acho que as empresas e as instituições acadêmicas precisam se aproximar um pouco mais em suas expectativas", acrescenta Honecker.

Acordo de Bolonha

Os cursos de Bachelor e Master foram introduzidos na Alemanha como parte do Processo de Bolonha, um acordo assinado em 1999 por 29 ministros de Educação da Europa.

Além de unificar o sistema de educação superior no continente, as mudanças também atendiam à pressão das empresas para que se reduzisse o tempo de estudo. Com o novo formato, a média de tempo para completar um Bachelor passou a seis ou sete semestres.

Honecker ressalta ainda que um dos principais objetivos do acordo foi possibilitar que muitos estudantes pudessem realizar parte de seus estudos em outros países. No entanto, as condições ainda são restritas, e são poucos os estudantes que têm a chance de viver em outro país, ressalva o relações públicas da Universidade de Colônia.

Entretanto, ele acentua que nenhuma empresa deseja a volta do sistema antigo. "O período de estudo era realmente longo demais, durando 10, 11, 12 semestres, ou até mais." O sistema Bachelor- Master se encaixa perfeitamente ao atual mercado de trabalho, afirma, "só há alguns problemas de aplicação".

"Um objetivo explícito das reformas de Bolonha foi aumentar a empregabilidade entre os graduados, e isso ainda não foi atingido 100%", admite Honecker.

Autor: Ben Knight (df)
Revisão: Augusto Valente

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