Empresas alemãs aproveitam ambiente brasileiro para inovar | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW | 15.04.2010
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Brasil

Empresas alemãs aproveitam ambiente brasileiro para inovar

Bayer e Bosch são exemplos de empresas alemãs bem sucedidas no Brasil. Boa preparação profissional e estrutura de TI eficiente são pontos positivos, possibilitando lucros no país, apesar da queda generalizada de vendas.

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Fábrica da Bosch em Reutlingen: firma tem solidez no Brasil

O Brasil conta atualmente em seu setor industrial cerca de 200 empresas de origem alemã – a metade das quais em São Paulo. No entanto, ao contrário da política de 40 anos atrás, as sedes regionais ganharam mais independência.

“Não vivemos mais a era onde em que em um país se produz e, no outro, se pensa e se desenvolve. Acho que abrimos e descortinamos um novo mundo. A cooperação da inteligência está democratizada”, avalia Ingo Plöger, presidente da IP Desenvolvimento Empresarial e Institucional, com sede em São Paulo.

Quebrando fronteiras

O marco conseguido pela Bosch no Brasil ecoa mundo afora: o desenvolvimento do sistema Flex Fuel, que permite que veículos rodem com etanol, gasolina ou com a mistura dos dois combustíveis.

“O Flex Fuel é um exemplo muito positivo de cooperação entre Brasil e Alemanha; uma tecnologia que desenvolvemos aqui, com a expertise de nossos engenheiros brasileiros e com o apoio da matriz da Bosch na Alemanha”, afirma Besaliel Botelho, vice-presidente executivo da Robert Bosch América Latina.

O sucesso do modelo no Brasil foi imediato – atualmente, cerca de 90% dos veículos do país tem motores do tipo. E desde 2007 a tecnologia nacional é exportada para nações como Suécia e França.

A cidade de Campinas, no interior de São Paulo, abriga a divisão Gasoline Systems da Robert Bosch América Latina – centro que coordena os trabalhos que a empresa desenvolve com bicombustível. O feito realizado pela unidade brasileira rendeu à empresa, em 2005, o prêmio FINEP de Inovação.

“O brasileiro brinca e gosta muito de buscar alternativas, e isso tem chamado a atenção do mundo em muitas circunstâncias, não só na parte tecnológica, mas nas soluções em management”, diz Plöger.

Na era em que se buscam soluções limpas para mover os motores de carros de todo o mundo, Plöger arrisca um palpite: ”Não vai demorar muito tempo, você vai ver Flex Fuel operando na Alemanha”.

Inovações na saúde

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Sede da Bayer fica em Leverkusen

O Brasil é uma das bases de farmacovigilância do laboratório alemão Bayer para o mundo – há dois centros na Alemanha, um no Japão e outro nos Estados Unidos. De São Paulo, a central faz o monitoramento dos medicamentos da companhia. Profissionais treinados recebem reclamações sobre efeitos adversos de remédios e reavaliam, constantemente, os riscos dos medicamentos no mercado.

Sandra Abrahão, da divisão Health Care da Bayer no Brasil, explica porque tamanho investimento foi feito no Brasil: “Nós temos profissionais médicos que são muito qualificados aqui, um nível de inglês muito bom, e o país tem uma regulamentação em saúde muito forte, além de a estrutura de TI ser muito boa”.

Segundo o presidente do Grupo Bayer no Brasil, Horstfried Läpple, o primeiro ano de atuação do centro de farmacovigilância foi muito satisfatório. "O país é importante na estrutura da Bayer e aumenta a cada ano sua função global”, explicou Läpple à delegação alemã que foi conhecer de perto os feitos da empresa em São Paulo.

O faturamento da Bayer no Brasil em 2009, segundo dados preliminares, foi de 1,3 bilhão de euros. No mesmo período, o grupo registrou uma queda de 5,3% nas vendas em todo mundo. No Brasil, ao contrário, houve um crescimento de 3%.

Autora: Nádia Pontes
Revisão: Augusto Valente