Empresas alemãs apelam à corrupção em negócios no exterior | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 02.04.2010
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Mundo

Empresas alemãs apelam à corrupção em negócios no exterior

Nos últimos anos, empresas alemãs foram denunciadas com frequência por causa de corrupção. Os casos mostram que o problema é intrínseco aos grandes mercados internacionais.

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Alemãs Daimler e Siemens já foram punidas por corrupção

Na última semana, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos revelou um histórico de corrupção por trás da fabricante alemã de automóveis Daimler: a empresa subornou oficiais estrangeiros em pelo menos 22 países entre 1998 e 2008.

No processo encerrado nesta sexta-feira (02/04) em Washington, a Daimler confessou ter subornado durante mais de uma década representantes governamentais na China, Rússia, Egito, Grécia e em pelo menos outros 18 países em todo do mundo. Os negócios em questão envolviam dezenas de milhões de dólares. Pela ação criminosa, a Daimler terá que pagar 138 milhões de euros em multas.

A investigação sobre a Daimler é a mais recente numa sequência de inquéritos envolvendo grandes corporações alemãs nos últimos anos. Em 2006, a Siemens foi acusada de desviar milhões de euros para fundos suspeitos, a fim de assegurar contratos no exterior. Dois anos depois, a empresa teve que pagar 594 milhões de euros em multas devido a um escândalo de corrupção ligado à Argentina, Bangladesh, Iraque e Venezuela.

Segundo analistas, os escândalos não indicam um crescimento da tendência de corrupção no meio corporativo na Alemanha. No entanto, os casos mostram que o país, cujo poder econômico está fundado na exportação de produtos e know-how, faz negócios em partes do mundo onde a corrupção e acordos "paralelos" são normais e inerentes ao ato de negociar.

Daimler Konzernzentrale

Sede da Daimler em Stuttgart, na Alemanha

Mudanças trazidas com a globalização

Em 2009, o relatório da organização Transparência Internacional sobre a propagação de corrupção listou a Alemanha em 14º lugar – o que indica que a corrupção dentro do país é pequena. Por outro lado, muitas das nações onde a Alemanha mantém negócios obtiveram notas baixas.

A China, por exemplo, que é o oitavo país para onde a Alemanha mais exporta, ocupa a 76º posição na lista da Transparência Internacional. Já a Rússia, 13º mercado para os alemães, está em 176º lugar. Os dois países teriam recebido também suborno da empresa Daimler, dizem oficiais do Departamento norte-americano de Justiça.

Em algumas nações, a rápida mudança do cenário político global estimulou a corrupção nos negócios. Com a queda do comunismo, os países da antiga União Soviética, por exemplo, tiveram que se desenvolver rapidamente para poder competir.

A Transparência Internacional reconhece o mesmo problema nos países da Europa Oriental, tendo apelado à UE para que o bloco econômico melhore os mecanismos anticorrupção.

Em Bruxelas, nos últimos anos, a questão tem sido combatida com mais seriedade. Em dezembro de 2009, a União Europeia incluiu uma série de medidas contra a corrupção em suas metas quinquenais relativas à consolidação do sistema jurídico. Isso inclui um código de comportamento para os países-membros no combate à corrupção e formas de incentivo à cooperação policial e civil.

"A UE tem agora um mandato que a autoriza a fazer uma avaliação periódica do empenho dos 27 países-membros no combate à corrupção. Isso também vale para os países interessadas em ingressar no bloco", explica Jana Mittermaier, diretora do departamento da Transparência Internacional encarregado da União Europeia.

Segundo Mittermaier, relatórios regulares e avaliações de medidas anticorrupção nos países-membros irão ajudar a aumentar a confiança dos cidadãos europeus nas instituições públicas de seus países e da UE.

Cultura da corrupção

Enquanto a Europa tem estrutura legal e política para lidar com a corrupção, em outros países percebe-se a falta de vontade política para combater o problema ou, simplesmente, a aceitação do método no meio corporativo.

Após a dissolução da União Soviética, a corrupção se alastrou na Rússia. O presidente Vladimir Putin fez tentativas bem-sucedidas de combater a corrupção em larga escala, e o atual líder Dimitri Medvedev também reconhece a gravidade do problema. Por outro lado, para muitos a corrupção continua sendo aceita como um fator cultural.

Por ser um problema tão disseminado na Rússia, algumas empresas decidiram interromper os investimentos naquele país. A fabricante de móveis Ikea, por exemplo, anunciou no ano passado que não arriscaria mais seu capital na Rússia devido à "imprevisibilidade dos processos administrativos" no país. No mês passado, dois executivos da companhia foram demitidos por pagarem suborno a negociantes russos.

Rio Tinto OIffice in Schanghai, China

Escritório da Rio Tinto em Xangai

"A Ikea deseja investir na Rússia para servir aos nossos clientes e gerar emprego e crescimento. Mas, considerando a pendência de tantas questões importantes para o desenvolvimento da empresa, temos que suspender todos os planos de investimento", explicou Per Kaufmann, diretor da empresa.

O mesmo pode ser dito sobre a China – como ilustra o caso do escândalo recente envolvendo a mineradora Rio Tinto. Quatro funcionários da empresa foram presos por pagarem e receberem suborno.

Segundo a Rio Tinto, seus empregados estavam simplesmente se comportando de acordo com regras tácitas de se fazer negócio na China – embora recentemente a empresa também tenha afastado os funcionários em questão.

Minxin Pei, integrante do programa chinês Carnegie Endowment for International Peace, afirma que a corrupção é tão endêmica que chega a ameaçar seu desenvolvimento econômico do país.

"A corrupção ainda não tirou a China do trilho de crescimento econômico, não provocou uma revolução social ou desencorajou investidores do Ocidente. Mas seria estúpido concluir que o sistema chinês tem uma capacidade infinita de absorver os custos da corrupção", escreveu Pei numa recente publicação. "Em algum momento, o crescimento irá parar", concluiu.

Autor: David Francis (np)
Revisão: Simone Lopes

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