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Economia

Empresas abandonam modelo do funcionário sempre disponível online

Estar acessível o tempo todo pode parecer "cool", mas não é saudável. Alguns empregadores já adotam estratégias para proteger seus funcionários do excesso de trabalho, dos maus chefes – e de si mesmos.

É só o celular tocar que ninguém aguenta ficar sem dar uma olhadinha. Afinal de contas, pode ser um recado do chefe. Neste caso, então, é melhor responder imediatamente, pois se trata de criar uma boa impressão. Seja com o chefe ou no geral, quem está sempre recebendo e respondendo a mensagens parece incrivelmente competente e "cool".

Para poupar seus funcionários dessa pressão, há quase três anos a Volkswagen "desliga" todos os smartphones de serviço à noite. Meia hora após o fim do expediente, o servidor que gerencia o envio de e-mails aos celulares para de funcionar, só sendo ligado na manhã seguinte, meia hora antes de a jornada começar. No meio tempo, os funcionários da montadora não recebem nenhuma mensagem de trabalho.

Impossível de burlar

Jörg Köther

Jörg Köther se orgulha da solução encontrada pela VW

Claro que algumas exceções existem, e elas confirmam a regra. Questionado a que horas leu seu primeiro e-mail naquele dia, Jörg Köther, porta-voz do conselho de empregados da Volkswagen, admite, com uma risada: "Ah, aí você me pegou! Foi hoje de manhã, logo depois das sete." Por razões óbvias, ele não faz parte do grupo de cerca de 4 mil funcionários beneficiados pela regra.

Ainda assim, o esquema é motivo de orgulho, tendo sido desenvolvido em conjunto pela empresa e o conselho de empregados por ocasião da introdução dos celulares de serviço na VW, comenta Köther. "Essa solução de hardware garante que não é possível burlar o sistema e evita que os empregados tenham de acertar com os chefes como a coisa vai funcionar na prática."

O feedback dos funcionários foi inteiramente positivo, e desde o início a administração da empresa mostrou entender a importância de separar trabalho de lazer.

Horas-extras na base da confiança

Jochen Frey BMW Group

Jochen Frey: "Estar indispponível é direito dos funcionários"

Já a empresa de automóveis BMW, sediada na Baviera, optou por um rumo diferente. Juntamente com o conselho de empregados, desenvolveu um modelo que permite a chefe e funcionários estipularem, entre si, em que proporção o trabalho prossegue fora do escritório. Na base da confiança, os empregados anotam as horas-extras, que são então compensadas.

O porta-voz de imprensa da BMW, Jochen Frey, rebate a acusação de que o esquema seria um convite à (auto)exploração da mão de obra. "É exatamente o oposto: a possibilidade de trabalho móvel fica, assim, regulamentada. Nós apostamos muito no diálogo entre chefia e funcionários. Ou seja: o empregado combina com o chefe em que horas estará disponível."

Vantagem para todos

Frank Brenscheidt, do Instituto Federal alemão de Proteção da Saúde e Medicina Ocupacional, defende essa abordagem do ponto de vista científico, afirmando que ela proporciona uma série de vantagens para ambos os lados.

Uma das mais importantes seria: "Se posso trabalhar um dia de casa, eu tenho oportunidade de passar mais tempo com a família. Esses são novos meios de comunicações, e essas opções de acessibilidade têm, naturalmente, um impacto positivo sobre a vida pessoal."

Para que tudo corra bem, é crucial que haja acordos claros entre chefes e funcionários, dentro de cada empresa ou departamento, alerta Brenscheidt. No entanto, é preciso que haja espaço para acertos individuais. "Quando um gerente de produção pode evitar um problema maior a partir de casa, então faz sentido ligar para ele. Só é preciso separar bem o que é importante e o que não é, e limitar ao mínimo esse tipo de situação."

Vale também para a vida privada

Obviamente tais modelos colocam em primeiro plano a saúde dos funcionários, os quais, afinal de contas, são o capital da empresa. Mas os empregadores também se beneficiam num outro aspecto, diz o porta-voz da BMW. "Queremos ser um empregador atraente. Por isso, aproveitamos esta chance de mostrar: aqui, o trabalho se adapta à vida, não o contrário."

Frank Brenscheidt Bundesanstalt für Arbeitsschutz und Arbeitsmedizin

Frank Brenscheidt defende flexibilidade por motivos científicos

No entanto, para que um modelo de gestão baseado em acertos personalizados funcione, cabe sobretudo à liderança se adaptar à nova situação. Os novos chefes deveriam passar por um curso de "liderança saudável", sugere Brenscheidt. Desse modo, pode-se evitar de antemão um clima de desconfiança entre colegas, em que um acredita que, estando disponível por mais tempo e com mais frequência, tem melhor reputação junto ao chefe.

Frey explica que , no caso da BMW, o esquema visa justamente prevenir essa sensação incômoda. "O objetivo do acordo é uma mudança de concepção, em que ninguém seja mal visto por não estar acessível ou fora do escritório."

E o que faz sentido na vida profissional, também pode ajudar a evitar muito estresse na esfera privada, acrescenta o especialista em medicina ocupacional Frank Brenscheidt. "Uma recomendação é criar espaços livres para si mesmo. Por exemplo, só respondendo a e-mails duas ou três vezes por dia, em vez de reagir a cada SMS que entra."

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