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Economia

Empresa alemã quer ser gigante do setor de matérias-primas

A forte demanda mundial por matérias-primas levou à fundação da Deutsche Rohstoff AG, empresa que almeja tornar-se uma das grandes produtoras mundiais do setor investindo em países politicamente estáveis.

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Mina de ouro da Deutsche Rohstoff em solo canadense

Diante das preocupações da indústria alemã, o ministro alemão da Economia, Rainer Brüderle, sugeriu há alguns dias a criação de uma empresa especialmente dedicada a garantir o abastecimento de matéria-primas.

O que Brüderle não sabia é que já há uma empresa desse tipo na Alemanha: trata-se da Deutsche Rohstoff AG, criada há quatro anos. E os planos são ambiciosos: a empresa quer passar a fazer parte do time que domina o mercado mundial de matérias-primas, como a Vale, BHP Billiton, Rio Tinto, Exxon Mobil e outras.

A sede da Deutsche Rohstoff é discreta – as instalações ficam sobre uma escola de música no centro antigo de Heidelberg. De lá, os diretores Titus Gebel e Thomas Gutschlang mantêm contato constante com instituições financeiras: há pouco a empresa lançou no mercado 320 mil novas ações. A Deutsche Rohstoff precisa do dinheiro para fazer investimentos.

"A longo prazo, queremos preencher o vácuo deixado pela Preussag e pela Metallgesellschaft na Alemanha", explica Gebel. Ele lembra o papel que as duas empresas exerceram no passado: "Eram dois consórcios globais do setor de matérias-primas, que nos anos 1980 faziam parte do primeiro, no mínimo do segundo escalão".

Para voltar a essa época, a Deutsche Rohstoff AG quer extrair petróleo, gás, ouro, prata, índio, gálio, terras raras e outras matérias-primas na Alemanha e em outros países, privilegiando aqueles de cenário político estável.

Novos tempos

Deutsche Rohstoff AG Titus Gebel MBA

O empresário Titus Gebel

Em parte já houve a exploração dessas matérias-primas em países industrializados ocidentais. Nos anos 1960, por exemplo, a Alemanha era a maior produtora de petróleo da Europa. Com a queda dos preços, as instalações foram fechadas, já que o negócio não era mais rentável. Países africanos e asiáticos forneciam muitos tipos de matéria-prima a preços menores.

Mas, de lá para cá, os preços subiram vertiginosamente e, segundo Gebel, esse não é um cenário temporário. "Devido ao desenvolvimento econômico da China e da Índia, o setor de matérias-primas passa por um boom que deve durar os próximos 20 anos." Diante disso, as reservas europeias voltaram a ficar interessantes.

Os países que nos últimos anos colocaram matérias-primas a preços relativamente baixos no mercado são, em geral, politicamente instáveis ou então vão, em breve, consumir eles próprios os produtos que hoje oferecem.

Há 16 anos a China consumia apenas 8% dos metais extraídos no mundo – atualmente essa taxa já chega a 25%. "Nossos analistas são unânimes: se o crescimento da China, da Índia e do Brasil mantiver o ritmo atual, precisaremos extrair do solo nos próximos 25 anos a mesma quantidade de metais que foi extraída, até hoje, em toda a história da humanidade", calcula Gebel.

Poucos lucros até agora

O modelo de negócios da Deutsche Rohstoff AG, baseado no pressuposto de que os altos preços vão se manter, parece convencer os investidores. Desde a entrada da empresa na bolsa, no começo de 2010, o valor das ações subiu aproximadamente 35%. Isso apesar de a empresa até o momento ter gastado muito e lucrado quase nada. Até agora, o negócio se concentrou principalmente em comprar direitos sobre reservas e sondar as possibilidades de exploração de matérias-primas.

Deutsche Rohstoff AG Vorbereitung Testförderung Öl im Allgäu

Testes para a prospecção de petróleo em Allgäu, na Alemanha

No entanto, a Georgetown Goldmine, administrada por uma subsidiária da Deutsche Rohstoff, começou em outubro passado sua produção na Austrália. Gebel aguarda para dezembro a primeira barra de ouro vinda daquela planta. O material deve contribuir para a rentabilidade da firma ainda em 2010 ou no máximo em 2011. E a Rheinpetrolium, que executa projetos de petróleo e gás na Alemanha, deve em 2011, no máximo em 2012, gerar as primeiras receitas.

"Nós olhamos para locais explorados no passado e calculamos se a exploração é rentável com a tecnologia e os preços atuais. Assim encurtamos esse enorme período que normalmente há entre a primeira prospecção e o início da produção", diz Gebel sobre os projetos da Deutsche Rohstoff.

Sem medo da concorrência

O modelo de negócios parece convencer também grandes empresas. A Basf, por exemplo, investiu na Deutsche Rohstoff. Há ainda parcerias com a Exxon Mobil, com a Glencore –uma das maiores negociantes de matérias-primas do mundo – e com a Wintershall, a maior produtora de petróleo e gás da Alemanha.

Gebel diz não ter medo da concorrência oferecida pelas gigantes mundiais do setor. Afinal, ressalta, as grandes empresas não são capazes de obter todas as licenças de extração de matérias-primas do planeta. Por isso há muitas novas e pequenas empresas em todo o globo vasculhando arquivos e considerando projetos que são muito pequenos para as grandes.

A Deutsche Rohstoff lucra com a experiência prévia alemã e com seus bons contatos na área: "A situação é especialmente interessante na antiga Alemanha Oriental, porque lá o solo foi praticamente todo perfurado em busca de urânio e de outras matérias-primas, e podemos usar tudo isso", explica Gebel.

Com as 320 mil novas ações, a empresa conseguiu levantar 4 mais milhões de euros. É mais dinheiro para colocar em prática os planos da Deutsche Rohstoff.

Autor: Insa Wrede (np)
Revisão: Alexandre Schossler

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