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Economia

Empresários gregos desaprovam reformas

Associações empresariais vinham pressionando governo por acordo com credores. Mas pacote de medidas sugerido por Tsipras desagrada à classe, que teme aumento de impostos e, sobretudo, danos para o turismo.

Recentemente, associações empresariais gregas fizeram um apelo dramático ao primeiro-ministro Alexis Tsipras, pedindo que ele chegasse a um acordo com os credores internacionais.

Os empresários alertaram sobre novos aumentos de impostos e taxações extraordinárias, que, segundo eles, teriam um impacto negativo sobre empresas, o mercado de trabalho e a economia como um todo.

Na noite de segunda-feira, o governo grego apresentou novas propostas de reformas – constituídas de aumento de impostos e, sobretudo, de cortes, como nas aposentadorias e no orçamento de Defesa. Elas deixaram Atenas mais perto de um acordo com os credores, mas a economia grega parece ser quem pagará a conta.

O imposto sobre os lucros deve ser elevado de 26% para 29%. E Atenas pretende cobrar um imposto especial de 12% sobre rendimentos anuais com valor superior a 500 milhões de euros. E também o Imposto sobre Valor Agregado (IVA) para cafés, restaurantes e hotéis deve subir, supostamente para 23%.

"Por mais que os empresários desejem um acordo com os credores da Grécia, esse aumento de impostos vai prejudicar a conjuntura", afirma Kostas Michalos, presidente da Federação das Câmaras de Comércio e Indústria gregas.

Ele diz que as principais vítimas das medidas serão as pequenas empresas. Além de impostos mais altos, elas terão que pagar, de acordo com as reformas, 100% das taxas antecipadamente, o que poderia levar a falências. Atualmente, estima-se que 600 empresas se tornem insolventes por dia.

Em vez das medidas previstas, afirma Michalos, o governo grego deveria convencer os credores de que o combate à economia paralela e uma melhora do sistema de arrecadação de impostos significaria mais dinheiro nos cofres do governo.

Turismo sob ameaça

Para Andreas Andreadis, presidente da Associação de Empresas de Turismo gregas (SETE), de nada adianta aumentar impostos se eles não puderem ser arrecadados. Segundo ele, cerca de 40% do IVA não seriam pagos. Andreadis custa a acreditar que o governo grego possa ter aceitado uma taxa de IVA de 23% para o setor hoteleiro. Se for realmente assim, afirma, "esse seria o fim do turismo grego".

Segundo Andreadis, o turismo grego deixaria de ser competitivo, já que os concorrentes diretos cobram menos impostos para o setor. Na Turquia, a taxa é de 8%; em Itália, Espanha e França, de 10%; e no Chipre, de 9%. Os 13% que foram propostos na última oferta de Atenas aos credores seriam, de acordo com o especialista, o máximo que a indústria do turismo grega seria capaz de suportar.

Andreadis questiona por que a União Europeia (UE), o Banco Central Europeu (BCE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI) insistem numa taxa de IVA de 23%. O presidente da SETE destaca que o turismo é o único setor econômico que gera receitas e crescimento no país.

Desinteresse alemão

Thanassis Syriano, membro da presidência da Câmara de Comércio e Indústria Greco-alemã, têm sérias dúvidas sobre os efeitos positivos do pacote de medidas que vem sendo negociado entre o governo grego e os credores internacionais. A atratividade da Grécia para investidores estrangeiros, afirma, aumentaria pouco com a implementação das medidas.

Ele diz que o interesse alemão na Grécia é pequeno. Empresas alemãs que já operavam no país continuaram por lá, mas não houve a entrada de novas companhias. Segundo Syriano, os únicos que se interessam pela economia grega no momento são os hedge funds internacionais (fundos que oferecem proteção contra oscilações mais drásticas do mercado), que especulam com títulos do governo grego.

Ele aponta que há investidores estrangeiros em potencial, como no setor de turismo, mas estes devem esperar que a situação se estabilize e que o governo grego crie condições razoáveis, as quais, para Syriano, não incluem os planejados aumentos de impostos.

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