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Mundo

Emissora recomendou tratamento médico a atirador

Vester Flanagan, que assassinou ao vivo dois repórteres, teria demonstrado comportamento agressivo com antigos colegas em canal de TV. Após demissão, polícia foi chamada para tirá-lo da empresa.

O jornalista que matou dois ex-colegas de emissora ao vivo na Virginia, nos Estado Unidos, foi orientado pela empresa, antes de sua demissão em 2013, a procurar tratamento médico devido à agressividade, afirmou nesta quinta-feira (27/08) o jornal britânico The Guardian.

Segundo documentos obtidos pelo jornal, Vester Lee Flanagan, de 41 anos, ameaçava os colegas de trabalho com um "comportamento agressivo". O chefe do jornalista chegou a afirmar que a falta de habilidade dele para trabalhar em equipe era "inaceitável".

De acordo com um ex-diretor da emissora WDBJ Dan Dennison, quando Flanagan foi demitido do canal, em 2013, a polícia teve que ser chamada para escoltá-lo para fora do prédio, porque ele se recusava a sair por conta própria.

Flanagan denunciou várias vezes colegas de trabalho desde que entrou na emissora. "Todas as alegações foram consideradas infundadas", disse Dennison. "Não havia evidências de que ele tivesse sofrido discriminação racial na empresa."

Após matar ex-colegas de emissora ao vivo, filmar a ação com o celular e postar o vídeo em redes sociais, Flanagan enviou, por fax, à rede de televisão americana ABC um manifesto de 23 páginas, denominado "nota de suicido para amigos e família". No documento, o jornalista afirmou que foi vítima de discriminação, por ser negro e homossexual.

Flanagan, que usava o nome artístico Bryce Williams, disse que sua raiva "foi crescendo pouco a pouco", devido a episódios de discriminação racial e assédio que sofreu ao longo dos anos. "Eu venho sendo um barril de pólvora humano, apenas esperando para BOOM!!!", escreveu.

O jornalista alegou que o estopim para sua ação foi o tiroteio em uma igreja de uma comunidade afro-americana em Charleston em junho, no qual um jovem branco matou nove pessoas.

Além do fax, cerca de duas horas depois do tiroteio, a ABC recebeu também um telefonema de Flanagan, no qual ele assumia a autoria do ataque. O jornalista morreu poucas horas depois, durante a perseguição policial, atingido por um tiro disparado por ele mesmo.

Histórico de problemas

Ex-colegas e ex-empregadores do jornalista negam, porém, que Flanagan tenha sofrido discriminação e alegam que ele era uma pessoa difícil. O atirador já havia sido demitido, pelo menos, de duas outras emissoras de televisão por problemas de relacionamento com funcionários.

Em 2000, o jornalista foi demitido de uma emissora de televisão na Florida, depois de ameaçar colegas de trabalho. No mesmo ano, ele processou a empresa, alegando ter sofrido discriminação racial.

De acordo com o ex-diretor da rede Don Shafer, Flanagan "era um bom apresentador e bom repórter, mas as coisas começaram a ficar um pouco estranhas com ele". Shafer contou que a causa da demissão foi o "comportamento bizarro" do jornalista, que também ameaçou bater em colegas de trabalho.

Flanagan cresceu em Oakland, na Califórnia, e estudou na Universidade de São Francisco. Um ex-colega de faculdade do jornalista afirmou que ele sempre foi simpático e cordial.

CN/afp/ap/lusa

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