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Mundo

Embargo de armas ameaça dividir UE e EUA

Querela entre União Européia e Estados Unidos quanto à suspensão do embargo europeu de armas contra a China lança nova luz sobre as relações entre as potências: como lidam EUA e UE com a crescente influência chinesa?

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Manobra militar na China

Recentemente, o renomado sinólogo David Shambaugh tentou responder precisamente a esta questão em um artigo no jornal Washington Quarterly, analisando a complexa rede de relações deste novo triângulo estratégico da política mundial.

A principal diferença deste trio em relação ao eixo anterior – Washington-Moscou-Pequim, ainda durante a Guerra Fria – é, segundo Shambaugh, sua permeabilidade, dinâmica e fluidez. Cada um de seus três pólos mantém contato com os demais e tal permeabilidade se refletiria nas diversas coalizões possíveis entre eles, não havendo nenhuma diretriz estratégica imposta por dois deles a um terceiro. Antes surgem, conforme situação e interesse, alianças distintas entre eles (guerra no Iraque, reforma da ONU, comércio mundial).

Objetivo comum

Os EUA e a UE (assim como a China) possuem um interesse comum: incorporar a China possivelmente sem atritos na comunidade internacional. Os dois parceiros buscam esse objetivo desde a década de 80, os Estados Unidos há ainda mais tempo. Richard Nixon já pleiteava a aproximação da China em 1963 e alertava que uma China isolada poderia acabar desestabilizando a comunidade internacional.

Segundo Shambaugh, Estados Unidos e União Européia também estão de acordo quanto aos objetivos intermediários indispensáveis para a transformação democrática e a conseqüente inclusão completa da China na comunidade internacional: o fomento dos direitos humanos, o fortalecimento do Estado de Direito, acordos de não-proliferação de armas atômicas e a entrada da China na Organização Mundial do Comércio (OMC) com todos os direitos e deveres.

Diferenças importantes

No entanto, esse consenso acabaria cedendo lugar a diferenças cruciais ao comparar-se os meios defendidos para atingir esses objetivos. Por exemplo, na questão dos direitos humanos: enquanto os Estados Unidos atentam para fatores como a situação de presos políticos e dissidentes, liberdade religiosa, aborto e Tibet, para a União Européia a questão central gira em torno da liberdade de imprensa, da pena de morte, das condições de prisão e do fomento da sociedade civil.

Mais gritante ainda, segundo Shambaugh, seriam as diferenças entre EUA e UE quanto ao futuro papel da China enquanto potência mundial. Os europeus favorizam um mundo multipolarizado a um mundo unilateral. Em vez disso, deveriam desenvolver-se pólos políticos alternativos, e instituições regionais e internacionais (ONU, ASEAN etc.) deveriam fortalecer-se para poder agir como contrapeso à dominância estadunidense. Nesse sentido, UE e China têm a mesma opinião.

Falta "hard power"

Já para os EUA, a cessão completa ou parcial de soberania a uma instituição ou organização internacional é algo suspeito, pois faltaria um fator determinante do ponto de vista norte-americano: o "hard power" ou a força de imposição. É sob o aspecto imperialista que eles encaram a ascendência chinesa a potência mundial, interpretando o armamento maciço da China como o surgimento de um rival para sua hegemonia na Ásia. Com base nisso, os EUA se esforçam para conter a influência chinesa na região.

Mas, apesar de diferenças ideológicas entre Estados Unidos e União Européia, Shambaugh constata ao todo a existência de mais semelhanças que diferenças na avaliação que os parceiros fazem da China. Mesmo assim, a suspensão do embargo europeu de armas poderia afetar seriamente a relação entre eles.

Permitir o fornecimento de armas numa época em que a China mais e mais se militariza e ameaça Taiwan é para Washington um mau sinal. Caso a União Européia realmente volte a fornecer armas e tecnologias militares à China, com a ajuda das quais tropas americanas poderiam ser ameaçadas e que ajudariam a alterar a segurança na região, isso teria consequências graves para a relações euro-americanas.

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