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Ciência e Saúde

Em vez de poluição, céu azul no Vale do Ruhr

Por muito tempo, região alemã foi sinônimo de aço e carvão, mas também de um nevoeiro constante contaminado por fumaça e poeira. Mas uma mudança estrutural melhorou a qualidade do ar e revelou novo modelo de crescimento.

Rolf Beckmann tinha dez anos quando a guerra terminou. A Alemanha estava em ruínas. Como tantos outros jovens de seu bairro, o nativo de Duisburg estudou engenharia e, mais tarde, trabalhou para a usina siderúrgica de Meiderich, distrito de sua cidade natal. Na região do Vale do Ruhr, coração industrial da Alemanha, o avanço econômico do pós-guerra significava mais carvão, mais aço, mais energia elétrica. Custe o que custar.

No entanto, as pessoas na maior concentração urbana da Alemanha também tiveram que aceitar o outro lado do milagre econômico: na década de 1950, não havia filtros de poeira nas instalações industriais, e gases tóxicos eram jogados diretamente na atmosfera.

"O Menino Jesus está fazendo biscoitos"

A região do Vale do Ruhr ardia. "Nos altos-fornos formavam-se resíduos quentes, que eram despejados num aterro. Por isso, o céu era sempre vermelho", diz Rolf Beckmann. As crianças da região, lembra ele, conheciam o fenômeno desde pequenas. Seus pais diziam para elas: "O Menino Jesus está fazendo biscoitos."

Rolf Beckmann

Rolf Beckmann mora na região desde os tempos da Guerra: "A poeira se acumulava sobre os peitoris das janelas"

O tempo parecia sempre nebuloso. Beckmann podia logo ver se a poeira vinha das grandes usinas da atual ThyssenKrupp ou de outras fábricas. "A poeira se acumulava sobre os peitoris das janelas. A roupa não podia ser estendida para secar fora de casa. Ela sempre ficava amarelada."

Nos anos 1950, por volta de 4 milhões de pessoas viviam na região do Vale do Ruhr. Quase todos trabalhavam na indústria siderúrgica e mineradora. Cada vez que o "Menino Jesus estava fazendo biscoitos", o dinheiro era ganho aqui na Terra. Só assim foi possível o milagre econômico alemão. O Vale do Ruhr teve de aceitar a poluição industrial. Desde a era imperial, o princípio do "costume local" passou a fazer parte da legislação.

Em consequência, as pessoas ficaram doentes: contraíram câncer de pulmão, leucemia, doenças sanguíneas.

Em 1959, Frank-Michael Baumann se mudou para Essen, no meio do Vale do Ruhr. "Numa casa alugada nova. Era amarela", lembra. "Mas dentro de um curto espaço de tempo, a bela fachada amarela ficou preta."

Hoje, o engenheiro com título de doutor dirige a EnergieAgentur.NRW, centro de competência independente para energias renováveis, proteção climática e eficiência energética no estado da Renânia do Norte-Vestfália.

Dr. Frank-Michael Baumann

O engenheiro Frank-Michael Baumann vive há 55 anos no Vale do Ruhr: "Os políticos tiveram de escutar os moradores"

A questão da produção de energia e eficiência energética marcou toda a sua carreira profissional – mas também a proteção ao meio ambiente, que foi tema da campanha eleitoral para as eleições parlamentares de 1961.

Na época, o candidato social-democrata Willy Brandt concorreu contra o então chanceler federal alemão Konrad Adenauer. E Brandt formulou a famosa frase: "O céu sobre o Vale do Ruhr deve ficar azul novamente."

"Não adiantava criar novos parques na região do Vale do Ruhr onde as pessoas pudessem descansar depois do trabalho", diz Beckmann. "Era preciso também ter ar para respirar."

Segundo ele, sempre houve uma interação entre política, indústria e eleitorado: "Os políticos tiveram de escutar o que as pessoas desejavam. Também a indústria foi logo da opinião de que deveriam acontecer mudanças. Todas as empresas foram afetadas pela nova legislação. Foi uma situação aceitável para todos."

Novas leis obrigaram as operadoras a utilizarem tecnologias mais modernas de filtragem. Gases tóxicos e águas residuais passaram a ser removidos controladamente. Hoje, o céu sobre o Vale do Ruhr é realmente azul. Realizou-se com êxito o passo da indústria de mineração para um polo econômico moderno com serviços, pesquisa e cultura.

Deutschland Bergbau Zeche Prosper-Haniel in Bottrop

Torre de uma mina de carvão em Bottrop, no Vale do Ruhr: nos anos 1950, não havia filtros de poeira

Tecnologia ambiental para exportação

Atualmente, a tecnologia ambiental da região, por exemplo, tem grande procura internacional, relata Baumann. "A Alemanha tem um nível tecnológico elevado. Temos uma grande variedade de instituições de pesquisa, que se ocupam do meio ambiente e que são líderes mundiais. A partir da pesquisa são criados produtos reais, que são comercializados pelas empresas. Tais produtos também são competitivos internacionalmente."

Muitas empresas de médio porte do setor das tecnologias ambientais se uniram em clusters sob a égide da EnergieAgentur.NRW. Elas se beneficiam das ricas experiências industriais da região e experimentam novidades nas instalações existentes. As soluções do Ruhr sempre são "eficientes e competentes", opina Baumann.

"A experiência foi conseguida aqui na região do Vale do Ruhr", prossegue. "É possível passá-la para aqueles responsáveis pelas novas construções, de forma que nossos erros não se repitam."

Desde que se aposentou, Beckmann guia voluntariamente visitantes através da antiga usina siderúrgica, que fechou as portas em 1985. Com grande esforço, a unidade industrial foi transformada no Parque Paisagístico Duisburg-Norte.

Alpinistas industriais escalam hoje os antigos depósitos de minério, enquanto a polícia e os bombeiros treinam mergulho no gasômetro desativado – outro exemplo bem-sucedido da mudança estrutural.

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