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Mundo

Em tribunal, Marine Le Pen se declara vítima de perseguição

Líder do partido de extrema direita Frente Nacional vai a julgamento por incitação ao ódio e diz que apenas exerceu liberdade de expressão. Em 2010, ela comparou muçulmanos rezando nas ruas à ocupação alemã da França.

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Marine Le Pen se apresenta a um tribunal de Lyon, na abertura do processo contra ela

O curso político da Frente Nacional, na França, parece um zigue-zague. Em 2010, a atual presidente, Marine Le Pen, estava empenhada em trazer a velha ala mais radical do partido de extrema direita para o seu lado. Na época, ela declarou num evento público que muçulmanos rezando nas ruas a lembravam da ocupação da França pela Alemanha na Segunda Guerra Mundial. "É verdade que não há tanques nem soldados, mas é uma ocupação assim mesmo, e ela pesa sobre os habitantes", afirmou.

O pano de fundo da declaração era o bloqueio de vias em algumas cidades porque, nelas, os muçulmanos também rezavam em frente às mesquitas lotadas. Uma organização que luta contra o racismo levou Le Pen à Justiça por causa da declaração, acusando-a de incitação ao ódio. Agora ela usa o processo, em Lyon, para se apresentar como defensora da liberdade de opinião.

"Ouvi dizer que o senhor Valls [primeiro-ministro Miguel Valls] afirma que a Justiça é independente. Mas Taubira [ministra da Justiça, Christiane Taubira] conduz minha perseguição, antes das eleições, com meios jurídicos. Eu vou me defender disso", afirmou Le Pen, no início do processo.

Ela afirmou não ter cometido nenhuma infração e que, como política, é sua obrigação abordar determinados comportamentos. Le Pen também questionou o momento do processo. "Não parece estranho esse calendário? Estamos a um mês de uma eleição regional, e este caso tem cinco anos!", disse, referindo-se às eleições de dezembro.

A promotoria foi ao encontro das posições da política e pediu a absolvição dela. "A senhora Le Pen, ao denunciar as preces em espaço público, referindo-se não ao conjunto da comunidade muçulmana, mas a uma minoria, não fez nada além de exercer sua liberdade de expressão", argumentou o procurador Bernard Reynaud. Um veredicto é esperado para dezembro.

Frankreich, Gebet auf der Straße

Muçulmanos rezam em frente à Grande Mesquita de Paris

Vai e vem de posições

Le Pen adotou conscientemente a comparação entre imigrantes muçulmanos e Segunda Guerra Mundial para avançar sobre o terreno político do seu pai, Jean-Marie Le Pen, o fundador da Frente Nacional. Ele próprio tem, nesse terreno, uma ficha penal que vai do ódio racial até a minimização dos crimes nazistas.

Na época, Marine Le Pen ainda lutava pela presidência do partido contra um representante da ala tradicional, Bruno Gollnich. A comparação entre muçulmanos e ocupantes alemães tinha por objetivo conquistar a simpatia dos apoiadores dele.

Em 2011, a disputa interna já estava vencida, e Marine Le Pen começou a moderar o discurso para tornar a Frente Nacional mais palatável para a classe média. Ela chamou essa estratégia de "desdemonização". Porém, depois de conseguir expulsar o próprio pai do partido, por causa dos seus eternos processos e escândalos, Marine Le Pen adotou ela mesma uma pequena guinada à direita. O vice dela, Florian Philippot, declarou em setembro, por exemplo, que a política alemã para os refugiados apenas atende os "cínicos interesses do capital alemão", atrás dela esconde-se a necessidade de "escravos para a indústria" da Alemanha.

Além do debate político

Ainda não está claro se o processo em Lyon vai favorecer ou prejudicar o desempenho de Marine Le Pen nas eleições regionais de dezembro. Ela lidera as pesquisas no distrito eleitoral de Pas de Calais e diz esperar que a Frente Nacional vença em ao menos dois dos 13 departamentos.

Para o especialista Alain Jacubowicz, da Liga Internacional contra o Racismo, as declarações de Marine Le Pen não têm nada que ver com liberdade de expressão. Ele concorda que não se pode levar à Justiça todas as pessoas que fazem declarações ofensivas, mas afirma ser importante levar adiante esse processo contra ela, pois as declarações dela foram intencionalmente provocativas.

Segundo ele, a comparação entre muçulmanos e ocupantes alemães "ultrapassa os limites do debate político". Além disso, as declarações atuais de Marine Le Pen contra o islã são cada vez mais provocativas. Por isso, Jacubowicz argumenta que a condenação da chefe do partido seria uma espécie de alerta jurídico para a Frente Nacional.

Outros escândalos

Há ainda outros processos na Justiça contra membros do alto escalão do partido. O tesoureiro Wallerand de Saint-Just é acusado de fraude e malversação de recursos públicos. Durante a campanha eleitoral de 2012, ele teria apresentado recibos superfaturados para obter mais verbas públicas do Estado para cobrir custos de campanha.

Um outro colaborador muito próximo de Marine Le Pen, envolvido no escândalo, responde a processo por fraude e lavagem de dinheiro. Saint-Just também acusa a Justiça francesa de perseguição da Frente Nacional para prejudicar sua campanha eleitoral. O tesoureiro concorre nas eleições regionais do distrito de Ile de France.

Até agora, a série de acusações e escândalos não fez a Frente Nacional cair nas pesquisas. A maioria dos apoiadores acredita que os partidos tradicionais, com a ajuda da Justiça, estão movendo uma campanha para prejudicar a Frente Nacional.

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