Em São Paulo, atos têm clima de confraternização | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW | 18.04.2016
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Brasil

Em São Paulo, atos têm clima de confraternização

Apesar do medo de confrontos, no vale do Anhangabaú, no ato pró-governo, e no protesto a favor do impeachment, na Av. Paulista, manifestantes acompanharam a votação na Câmara de forma pacífica.

Brasileiros na Avenida Paulista comemoram resultado da votação na Câmara dos Deputados, que decidiu abrir processo de impeachment contra Dilma Rousseff

Manifestantes na Av. Paulista comemoram resultado da votação na Câmara dos Deputados

O Brasil parou para acompanhar a votação sobre o impeachment na Câmara dos Deputados neste domingo (17/04). Em São Paulo, o ato pró-governo no vale do Anhangabaú reuniu cerca de 42 mil pessoas, segundo o Instituto Datafolha. Na Av. Paulista, cerca de 250 mil pessoas se reuniram para apoiar o impeachment de Dilma Rousseff.

Apesar do medo de confrontos, o clima das manifestações foi pacífico. Em ambos os atos, era comum ver pessoas com cervejas na mão, comendo milho, churrasquinho, cachorro-quente ou alguma outra comida oferecida por dezenas de vendedores ambulantes. Os manifestantes se reuniam em grupos e conversavam, enquanto gritavam palavras de ordem e comemoravam votos.

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O passo a passo do impeachment

No vale do Anhangabaú (centro), participantes aparentavam estar mais tensos, e as celebrações eram mais modestas do que na Av. Paulista. "Estou com uma sensação que não é boa. Não acredito que vamos ter que brigar de novo contra um golpe", afirmou a física Sônia Pompeu, de 60 anos.

Em pé, próximos aos telões, sentados nas gramas ou apinhados diante de televisões, manifestantes vestidos de vermelho comentavam a situação política e entoavam gritos de "não vai ter golpe".

Os mais animados festejavam cada voto contrário ao impeachment e erguiam o punho fechado, em sinal de luta. Uma enorme faixa com os dizeres "Em defesa da democracia" foi estendida no Viaduto do Chá, que ficou vermelho com as luzes do ato, acesas no início da noite.

Perto dali, a jornalista Vera Lucia Lucas, de 55 anos, observava atentamente o placar do impeachment. Ela preferiu ir ao Anhangabaú a assistir à votação em casa, na Vila Mariana (zona sul).

"Me sinto mais confortável aqui, onde estou cercada de pessoas com o mesmo pensamento, do que no meu bairro, onde tem muita gente a favor do impeachment", afirmou Vera, que se disse emocionada com o ato, mas apreensiva com a votação.

O empresário André Bandim, de 32 anos, também não quis ficar em casa. "Se não podemos estar no Congresso, pelo menos que a gente possa estar aqui", afirmou. Ele se disse esperançoso, mas admitiu que a oposição havia aberto vantagem expressiva. Seu namorado, o produtor Alberto Pereira, de 29 anos, também estava preocupado. "Prefiro não pensar no resultado", confessou.

Confiantes

Na Av. Paulista, manifestantes estavam confiantes de que o impeachment seria aprovado. "Com certeza vai acontecer. É emocionante estar aqui", afirmou o advogado José Luis Mendes, de 53 anos, que foi a todos os atos contra o governo.

Já para a engenheira Fabiane Dela Flora, de 24 anos, era a primeira vez em uma manifestação pró-impeachment. "Tem muita gente que eu conheço aqui, estou adorando", disse.

O funcionário público Madson Viana, de 50 anos, também tinha certeza que o impeachment seria aprovado. "Vai passar sim. O pessoal está animado", garantiu ele, que voltava do ato por volta das 18h, com a esposa e o filho. "Chegamos cedo e moramos longe. Meu filho tem aula amanhã de manhã", disse.

Assim como a família, muitas pessoas já retornavam do protesto pouco tempo depois do início da votação. No metrô, o clima era bem mais contido do que em outras manifestações a favor do impeachment, quando multidões saiam dos vagões gritando "Fora, Dilma! Fora, PT!". Na rua, também havia muito mais espaço para circular do que nos atos anteriores.

A cor predominante na avenida era o amarelo das camisas da seleção, dos balões e dos patos infláveis da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), favorável ao impeachment.

O discurso dos deputados, transmitido nos telões, foi reproduzido na avenida. "A nossa bandeira jamais será vermelha", disse um deputado, e imediatamente um coro idêntico foi puxado na rua.

Medo de confrontos

Para quem não queria ficar em casa, mas tinha medo de confrontos durante as manifestações, uma opção foi buscar bares e restaurantes para assistir à votação.

No Largo da Batata, em Pinheiros (zona oeste), algumas dezenas de pessoas tinham os olhos fixos em televisões, colocadas fora dos bares para a ocasião. No início da votação, na praça que acolhe atos dos mais variados espectros políticos, o vermelho era mais popular que o amarelo.

Era o caso de Guilherme Scandiucci, de 38 anos, que veio com a esposa e dois filhos pequenos para o Largo. "Achei que ia ter um ato aqui contra o impeachment e vim para cá", disse. "Não tive coragem de levar as crianças para o Anhangabaú, com medo de ter alguma confusão."

Mesmo com os clientes vidrados na votação, o movimento nos bares da praça era inferior a dias normais. "Tá vazio, o pessoal foi todo para o Anhangabaú", disse uma garçonete, que não quis se identificar.

Na Vila Madalena, a situação era similar. Por volta das 17h30, poucos estabelecimentos transmitiam ao vivo os discursos dos deputados – a maioria das televisões estava sintonizada em jogos de futebol.

Com raras exceções, os boêmios que aproveitavam o dia de sol nas varandas e calçadas do bairro pareciam ignorar, pelo menos nesse domingo, as disputas políticas.

"Já trabalho a semana toda, tenho que ter pelo menos um dia de descanso", disse a contadora Camila Sampaio, de 37 anos, na entrada de um bar no bairro. Ela desistiu de comparecer ao ato na Av. Paulista por achar que haveria embates violentos entre os manifestantes. "Fui nas outras, mas nessa fiquei com medo", afirmou. Até o fim da votação, entretanto, não foram registrados incidentes graves, e os protestos foram pacíficos.

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