Em Pequim, Dilma defende nova fase nas relações comerciais com a China | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW | 12.04.2011
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Brasil

Em Pequim, Dilma defende nova fase nas relações comerciais com a China

Dilma quer aumento das exportações de produtos manufaturados brasileiros para a China. Acertados investimentos chineses de 1 bilhão de dólares, venda de 35 jatos comerciais da Embraer e produção do iPad no Brasil.

default

Dilma e Hu Jintao querem estender cooperação para outras áreas

Em visita à China, a presidente da República, Dilma Rousseff, defendeu "uma nova fase" na relação comercial entre os dois países e instou a segunda maior economia do mundo a comprar mais do que apenas aço e soja do Brasil.

Dilma e o presidente chinês, Hu Jintao, assinaram nesta terça-feira (12/04), em Pequim, uma declaração conjunta na qual se comprometem a continuar promovendo o desenvolvimento das relações bilaterais e a estender a cooperação para novas áreas, como energia, aviação e infraestrutura. O Brasil quer aumentar o volume de produtos industrializados exportados para a China.

Segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, dois dias de visita já renderam investimentos da China no Brasil no valor de 1 bilhão de dólares. Entre os negócios fechados está a compra de 35 jatos comerciais E 190 da Embraer para duas companhias aéreas chinesas: a China Southern Airlines e a Hebei Airlines. O valor estimado do negócio é de 1,4 bilhão de dólares.

Dilma também anunciou um projeto de investimento no Brasil de 12 bilhões de dólares pela empresa taiwanesa Foxcomm, que produz o iPhone, da Apple, e diversos outros produtos eletrônicos. "Eles estão propondo uma parceria. Eles vieram para nós e disseram que querem investir no Brasil", relatou a presidente, acrescentando que a empresa deseja produzir telas para computadores no Brasil.

Segundo o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, a Foxconn e a Apple podem começar a produzir o tablet iPad no Brasil em novembro.

"As exportações brasileiras ainda estão excessivamente concentradas em produtos de soja, minério de ferro, petróleo e celulose. Isso é bom, mas não é o bastante", disse a presidente no segundo dia de sua visita oficial. "Esperamos inaugurar um novo tipo de investimentos na área industrial", ressaltou.

Eisenerzmine in Brasilien

Ferro: um dos principais produtos exportados para a China

Fabricantes brasileiros reclamam que a baixa cotação da moeda chinesa, o yuan, prejudica a competitividade e coloca os produtos made in China em vantagem sobre os fabricados do Brasil. No entanto, segundo Pimentel, o tema não foi abordado durante o encontro com Jintao.

Concorrência do trem-bala

De acordo com a declaração bilateral assinada nesta terça, a China está disposta a "incentivar suas empresas a ampliar a importação de produtos brasileiros de maior valor agregado (não apenas matérias-primas)". Ainda segundo o documento de dez páginas e com 29 pontos, o Brasil vai se empenhar em tratar de forma rápida a questão do reconhecimento da China como economia de mercado.

A China também se comprometeu a enviar ao Brasil no primeiro semestre deste ano uma missão empresarial para promover a diversificação do comércio bilateral e o investimento recíproco.

Dilma convocou as empresas chinesas a participarem da concorrência para a construção do trem de alta velocidade que vai ligar o Rio de Janeiro a Campinas. A linha de aproximadamente 500 quilômetros está inicialmente orçada em 33 bilhões de dólares.

China: maior parceiro comercial

Nos últimos anos a China se tornou o maior parceiro comercial do Brasil, superando os Estados Unidos, e tornou-se o maior investidor do país sul-americano. Em dez anos, as importações brasileiras de produtos vindos da China passaram de 1,2 bilhão de dólares para 25,6 bilhões de dólares. As exportações brasileiras para a China atingiram 30,7 bilhões de dólares em 2010 – um crescimento de 60% com relação ao ano anterior. Commodities como soja e minério de ferro correspondem a 68% desse total.

Os chineses preferiram não se comprometer com relação a um apoio explícito ao pleito brasileiro de obter um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU. Na declaração bilateral, a China afirma apenas "compreender e apoiar" a aspiração brasileira de vir a desempenhar um papel mais proeminente nas Nações Unidas.

A presidente Dilma está no país para uma visita oficial de seis dias. Nesta quarta-feira, a presidente da República deve se encontrar com o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao. Ela participará do encontro do Bric (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), na quinta-feira, na ilha chinesa de Hainan.

MS/dpa/lusa/afp/rtr
Revisão: Alexandre Schossler

Leia mais