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Cultura

Em nova autobiografia, Christiane F. conta sua "segunda vida"

Livre do vício, alemã que ganhou fama nos 70 e 80 com best-seller sobre drogas e prostituição juvenil relata, agora, a segunda parte de sua vida, não menos conturbada. Livro será lançado na Feira de Frankfurt.

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Aos 51 anos, Christiane F. lança sua nova autobiografia

A trajetória de Christiane Felscherinow chocou, fascinou e mudou a vida muitos ao redor do mundo – inclusive a dela própria. Aos 13 anos, ela começou a usar heroína. E, para sustentar o vício, passou a se prostituir nas ruas de Berlim Ocidental nos anos 1970.

Em 1978, em colaboração com Christiane, os jornalistas Kai Herrmann e Horst Rieck, da revista alemã Stern, lançaram Eu, Christiane F., 13 Anos, Drogada e Prostituída. O livro vendeu mais de quatro milhões de cópias e ganhou uma adaptação para o cinema, com a participação de David Bowie.

Décadas depois, ela está de volta. "Quase ninguém teria imaginado que eu chegaria aos 51 anos de idade – mas veja, aqui estou: Christiane F.", disse ela em um vídeo que marca o lançamento de seu novo livro Mein zweites Leben (Minha segunda vida, em tradução livre), que será apresentado nesta sexta-feira (11/10) na Feira do Livro de Frankfurt.

Wir Kinder vom Bahnhof Zoo

Livro mostrou uma realidade conhecida por poucos

"Muitas pessoas me falaram que se eu continuasse a viver daquela maneira não chegaria aos 40", acrescenta, com a voz rouca. Seu rosto mostra, surpreendentemente, poucos sinais dos anos, do abuso de drogas e de sua conturbada trajetória, que não deu trégua também durante a vida adulta.

As crianças da estação Zoo

Christiane cresceu nos subúrbios de Berlim Ocidental, com uma mãe ausente e um pai alcoolatra. Ela provou haxixe pela primeira vez aos 12 anos. Aos 13, em busca de um refúgio da conturbada vida familiar, começou a frequentar a então descolada discoteca Sound, onde logo começou a usar heroína.

A menina foi rapidamente colocada em um frenético ciclo vicioso de crime, dependência química, abandono e prostituição. Junto com um grupo de outros jovens, passou a ganhar a vida e alimentar seu vício nos arredores da Zoologischer Garten, na época a estação central de Berlim Ocidental. Ela só se livrou do vício quando foi morar no interior com a avó.

Wir Kinder vom Bahnhof Zoo

Poster do filme lançado em 1981

Seu caminho para o sucesso começou quando ela foi testemunha de um caso de pedofilia e conheceu os repórteres da revista Stern. O que era para ser uma entrevista passou a ser uma série de conversas que se estenderam por três meses e renderam diversos artigos. Em 1978, o livro Wir, Kinder vom Bahnhof Zoo (Nós, crianças da estação Zoo, em tradução livre) foi lançado. No Brasil, a obra recebeu o título de Eu, Christiane F., 13 Anos, Drogada e Prostituída.

A história de Christiane, então com 16 anos, levou aos olhos do mundo um problema que ainda poucos conheciam. Com seu corte de cabelo original, a paixão por David Bowie e uma doçura impressionante para quem vivenciou o inferno, ela se tornou uma espécie de heroína do livro. O filme baseado no livro, dirigido por Uli Edel, foi lançado em 1981 e transformou Christiane F. na dependente química mais famosa da Alemanha.

Crônica sobre altos e baixos

No entanto, a pressão da fama, e consequentemente as pressões da vida, a levaram de volta ao vício. "Estava tão limpa que meu corpo não tolerava mais. Não parava de vomitar, mesmo quando meu estômago estava vazio. Eu sei que parece loucura, mas você vomita a alma fora do seu corpo e ainda assim é a melhor sensação do mundo", escreveu em seu novo livro.

A autobiografia Mein zweites Leben é uma crônica franca sobre os altos e baixos em sua vida, com abusivo uso de drogas, abstinência, aventuras com estrelas do rock e da literatura e até uma temporada na cadeia.

Christiane Vera Felscherinow 2006

Mesmo depois de se tornar mãe, Christiane Felscherinow ainda lutou contra seus vícios

O livro mostra a guinada que a vida dela deu em 1996, com o nascimento do filho Phillip. "Havia uma pequena criatura que precisava de mim. Era tudo que eu precisava. Nada mais importava", escreveu ela no livro, no qual descreve detalhadamente sua busca em ser uma boa mãe. "Graças a ele me tornei uma pessoa melhor".

No entanto, em 2008, ela tentou se mudar para Amsterdã e as autoridades tiraram a custódia de seu filho. De acordo com a revista Stern, ela recuperou a guarda de Phillip em 2010, mas achou melhor o menino continuar vivendo os pais adotivos.

Os anos deixaram muitas cicatrizes em Christiane, mas para muitos ela é uma sobrevivente, que não tem medo de olhar para o passado. "Com o sensato dom da observação, uma memória precisa, determinação e coragem, ela conta, sem autopiedade, sua implacável história", escreveu no mês passado a revista Stern. Na edição, Christiane estampou a capa – com a mesma intensidade de quando ilustrou a primeira página da mesma revista aos 16 anos.

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