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Mundo

Em meio a conflito, mais de 700 mil já deixaram Ucrânia rumo à Rússia

Agência da ONU alerta para "êxodo" devido aos combates entre forças leais a Kiev e separatistas. Enquanto governo prepara ofensiva para retomar leste do país, cresce o temor de que número aumente.

Cerca de 730 mil pessoas já deixaram a Ucrânia rumo à Rússia neste ano para escapar do conflito entre o governo e separatistas, anunciou uma agência das Nações Unidas nesta terça-feira (05/08).

De acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), 168 mil fizeram o registro no serviço de migração russo e um número ainda menor deu entrada no pedido de asilo.

"Segundo as autoridades russas, e nós acreditamos que esse número é verossímil, cerca de 730 mil ucranianos cruzaram a fronteira com a Rússia desde o começo do ano", disse o diretor da Acnur na Europa, Vincent Cochetel.

"Nós não qualificamos todas essas pessoas como refugiados, mas eles não são turistas. Vimos todos na fronteira. Às vezes eles apenas atravessam, alguns com sacolas plásticas, e muitos deles estão realmente desamparados", completou.

O órgão ainda colocou em 117 mil o número de deslocados internos na Ucrânia pelo conflito. Segundo Cochetel, este número cresce em 1.200 pessoas por dia. De acordo com a Acnur, dos deslocados dentro do país, 87% fugiram das regiões de Donetsk e Lugansk.

O diretor europeu da Acnur ainda alertou para o perigo de batalhas intensas levarem a um “êxodo maciço” do país. Desde abril, grande parte do leste da Ucrânia tem servido como campo de batalha entre forças do governo e separatistas pró-Rússia. O conflito, segundo dados das Nações Unidas, já causou, em apenas três meses, mais de 1.100 mortes.

Crise humanitária

O governo da Ucrânia afirmou nesta terça-feira (05/08) estar se preparando para tomar o controle das cidades de Donetsk e Lugansk, onde a situação humanitária, segundo autoridades locais, está se deteriorando rapidamente.

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Destruição perto de Donetsk: alerta para uma crise humanitária

"Não anunciaremos o começo de nossa ofensiva, só falaremos sobre a libertação dessas cidades", disse o porta-voz do Conselho Nacional de Segurança e Defesa da Ucrânia Andriy Lysenko.

De acordo com autoridades de Lugansk, os 250 mil habitantes que permanecem na cidade estão sem água ou eletricidade. A coleta do lixo também foi interrompida. Eles alertaram para a possibilidade de uma "catástrofe humanitária" que afetaria principalmente famílias com crianças e idosos.

O governo russo reiterou a necessidade de uma missão humanitária no leste da Ucrânia. O Ministério de Relações Exteriores da Rússia afirmou que a comunidade internacional precisa se mobilizar para ajudar a população civil ucraniana.

"A recusa por parte de Kiev em cooperar com a assistência humanitária é completamente irresponsável", afirmou o ministério.

Moscou ainda pediu uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU para discutir a situação humanitária na Ucrânia.

Aumento da tensão

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Soldado ucraniano patrulha região perto de área dominada por separatistas no leste do país

A tensão entre Kiev e Moscou aumentou depois de a Ucrânia classificar de "provocação" exercícios militares realizados por tropas russas perto da fronteira entre os dois países. Autoridades ucranianas ainda acusaram os russos de violarem o espaço aéreo do país com aviões de guerra e drones.

"A Ucrânia vê a realização desses exercícios militares sem precedentes na fronteira como uma provocação", disse Lysenko. Um documento do Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia pediu a retirada dos militares russos da região.

A Ucrânia e seus aliados no Ocidente acusam a Rússia de orquestrar a revolta que tomou conta do país desde o começo do ano. Apesar de o Kremlin negar as acusações, os EUA e a União Europeia já impuseram sanções contra Moscou.

RM/rtr/afp/dpa

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