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Mundo

Em meio à crise na Crimeia, Parlamento ucraniano nomeia novo governo

Legisladores aprovam opositor pró-UE Arseniy Yatsenyuk para liderar governo de transição, enquanto Rússia movimenta tropas na fronteira e eleva tensão no país, já instável por conta da turbulência política e econômica.

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Arseniy Yatsenyuk lidera novo governo de transição na Ucrânia

Na sequência de intensas consultas políticas, após a destituição no fim de semana do ex-presidente ucraniano Viktor Yanukovych, o Parlamento em Kiev aprovou por unanimidade nesta quinta-feira (27/02) a formação de um novo governo de unidade nacional sob a liderança do pró-europeu Arseniy Yatsenyuk.

No dia anterior, o chamado Conselho Maidan – uma alusão ao nome da praça epicentro dos protestos – havia nomeado o político de 39 anos para o cargo. Yatsenyuk é o presidente do partido Pátria, da ex-primeira-ministra Yulia Timoshenko. Ele ficará à frente do governo interino até o próximo dia 25 de maio, quando devem ser realizadas eleições presidenciais.

Também nesta quinta-feira, cerca de 50 homens armados ocuparam as sedes do governo e do Parlamento regional da Crimeia, hasteando a bandeira russa nos dois locais. Em Kiev, o presidente do Parlamento ucraniano, Olexandr Turchinov, fez um apelo ao governo da Rússia para respeitar os acordos internacionais.

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Rússia mantém em Sebastopol frota do Mar Negro

Turchinov exigiu do comando da frota russo no mar Negro que mantenha as tropas nas bases que tem em território ucraniano. Diante do Parlamento em Kiev, Olexandr Turchinov afirmou que "qualquer movimento militar será considerado uma agressão". Em sua fronteira ocidental, a Rússia colocou jatos de guerra em prontidão e anunciou que vai proteger a população de origem russa que vive na Ucrânia.

Ameaça de separação da Crimeia

Moscou mantém no porto de Sebastopol, na península da Crimeia, a principal base de sua frota do mar Negro e todos os movimentos das tropas russas no território devem ser pré-acordados com as autoridades da Ucrânia segundo um tratado assinado entre os dois países.

A Crimeia era considerada pela União Soviética como parte da Rússia, mais foi anexada à Ucrânia em 1954. Dois terços da população da república autônoma são de origem russa e teme-se que a região venha a se separar da Ucrânia na esteira dos acontecimentos no país do Leste Europeu.

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Parlamento em Simferopol, centro administrativo da Crimeia, hasteou bandeira russa

O Parlamento regional pró-russo na península da Crimeia pretende decidir através de um referendo sobre o futuro da própria autonomia.

"Por meio da tomada de poder inconstitucional por parte de radicais nacionalistas com o apoio de bandos armados na Ucrânia, a paz e a estabilidade estão ameaçadas na Crimeia", disse uma porta-voz do Parlamento da Crimeia citada nesta quinta-feira. "A Ucrânia ruma para o caos, a anarquia e a catástrofe econômica".

Amigo da Otan

O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Anders Fogh Rasmussen, afirmou estar "extremamente preocupado" com a situação na Crimeia. Após a ocupação do Parlamento regional por grupos armados, ele exigiu da Rússia que "não fizesse nada que possa vir a acirrar a tensão ou que levasse a mal-entendidos."

Rasmussen afirmou ainda que a "Ucrânia é um parceiro importante da Otan e que a Otan é um amigo da Ucrânia". O secretário-geral da organização explicou que "uma Ucrânia soberana, independente e estável é de importância decisiva para a segurança euro-atlântica."

Segundo Rasmussen, não há evidências, no entanto, de que a Rússia possa vir a atacar a Ucrânia. Quanto à movimentação de parte do Exército russo no oeste do país, Rasmussen disse que "os russos informaram sobre as manobras e deixaram claro que isso não tinha nada a ver com os acontecimentos na Ucrânia."

O fato de as manobras acontecerem neste momento em Kiev, segundo ele, não torna a situação mais fácil após encontro com ministros da Defesa da aliança transatlântica nesta quinta-feira em Bruxelas. Rasmussen disse ainda que, até agora, Kiev não pediu o apoio da Otan.

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Separatistas e apoiadores do novo governo ucraniano se enfrentaram próximo ao Parlamento regional

Uma montanha de problemas

O novo governo de transição na Ucrânia está diante de uma série de problemas. O país, marcado pela corrupção e pelo nepotismo, está à beira da falência estatal. O Fundo Monetário Internacional (FMI) exige cortes sociais como também o aumento do preço do gás, e pretende conceder somente os empréstimos considerados vitais para a estabilidade ucraniana.

Diante do Parlamento ucraniano, o novo primeiro-ministro afirmou nesta quinta-feira que desapareceram 37 bilhões de dólares que o governo destituído havia recebido em empréstimos. Segundo Yatsenyuk, nos últimos três anos, por volta de 70 bilhões de dólares teriam vazado do país.

Desde o início dos protestos, no final de novembro do ano passado, a moeda ucraniana, o hryvnia, já perdeu um terço de seu valor. Somente nesta quinta-feira, a cotação do hryvnia caiu 10% em relação ao dólar. O novo governo mostrou-se claramente a favor de um curso pró-ocidental na ex-república soviética. Particularmente a relação com a vizinha Rússia, o principal mercado importador de produtos ucranianos, é bastante delicada.

Se a Rússia vier a interromper o fornecimento de gás natural para a Ucrânia, isso teria consequências catastróficas para a segurança energética. Além disso, a construção do gasoduto Nord Stream, ligando a Rússia à Alemanha através do mar Báltico, diminuiu maciçamente a importância da Ucrânia como país de trânsito para a exportação de gás natural russo para a Europa Ocidental.

CA/dpa/ rtr/afp

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