Em meio à crise, Irã condena ex-militar norte-americano à pena de morte | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 09.01.2012
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Mundo

Em meio à crise, Irã condena ex-militar norte-americano à pena de morte

Visita de Ahmadinejad à América Latina é acompanhada do anúncio de condenação à morte de ex-soldado norte-americano e da notícia de que o Irã iniciou processo de enriquecimento de urânio.

Amir Mirza Hekmati foi condenado à morte por espionagem

Amir Mirza Hekmati foi condenado à morte por espionagem

A condenação à morte de um cidadão norte-americano no Irã acirra ainda mais a relação conflituosa entre Washington e Teerã. Enquanto o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, busca em Caracas o apoio do colega de pasta venezuelano, Hugo Chávez, um tribunal iraniano condenou à pena capital nesta segunda-feira (09/01) um ex-soldado norte-americano acusado de espionagem.

O norte-americano de ascendência iraniana Amir Mirza Hekmati, de 28 anos, é acusado de querer se infiltrar nos serviços de inteligência iranianos, informou a agência de notícias iraniana Fars nesta segunda-feira.

O chefe dos serviços secretos iranianos, Heydar Moslehi, anunciou também diversos outros processos contra vários agentes dos EUA. Segundo Moslehi, tais agentes teriam tentado prejudicar as eleições parlamentares iranianas em março do ano passado, instigando revoltas através das redes sociais na internet.

Nesta segunda-feira, a República Islâmica noticiou ainda ter iniciado o processo de enriquecimento de urânio em instalações subterrâneas. O processo contra Hekmati acontece no contexto de uma crescente tensão, acompanhada de ameaças militares, entre os Estados Unidos e o Irã devido ao programa nuclear iraniano.

Cooperação com Estado inimigo

Segundo a Fars, Hekmati, natural do estado norte-americano do Arizona, teria sido capturado em setembro último ao atravessar a fronteira iraniana para visitar parentes. Em dezembro, ele foi mostrado pela televisão estatal, quando confessou seus supostos crimes diante das câmeras. A agência de notícias informou que Hekmati teria recebido treinamento em bases norte-americanas no Afeganistão e no Iraque.

A agência informou que Hekmati teria tentado ganhar a confiança do serviço de inteligência iraniano com a entrega de material secreto da CIA. Hekmati disse na televisão que ele teria sido enviado pela CIA, para que pudesse espionar o serviço secreto iraniano. O ex-militar disse ainda não querer causar nenhum dano ao Irã.

Hekmati foi julgado culpado por um tribunal revolucionário de "cooperação com um Estado inimigo, de pertencer à CIA e de ligações com o terrorismo". O pai de Hekmati, que vive em Detroit, negou as supostas ligações de seu filho com o serviço secreto norte-americano. Já em dezembro, o Departamento de Estado norte-americano havia rebatido como falsas as acusações contra Hekmati, exigindo sua libertação imediata.

Enriquecimento de urânio

Ahmadinejad visita Venezuela

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Na opinião de observadores, é improvável que Hekmati seja executado imediatamente. Como trunfo político do Irã na disputa nuclear, ele ainda deve ser útil, explicou à agência de notícias Reuters a especialista em assuntos iranianos Gala Riani, da firma de consultoria His Global Insight. Ela apontou que, também em casos anteriores, o governo em Teerã atenuou ou suspendeu condenações judiciais contra cidadãos norte-americanos em troca de concessões em outros campos.

O anúncio de que o programa nuclear iraniano avança significativamente pôs ainda mais lenha na fogueira. Nas instalações subterrâneas de Fordu, cientistas teriam iniciado o enriquecimento do urânio a 20%, informaram diplomatas na sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) em Viena.

O Irã confirmou o início do processo de enriquecimento de urânio com um grau de pureza de até 20%. Os trabalhos teriam sido acompanhados pela AIEA, informou o representante da República Islâmica em Viena, Ali Ashgar Soltanieh. Após terem sido descobertos por serviços secretos estrangeiros, somente em 2009 o Irã admitiu a existência das instalações subterrâneas próximas à cidade de Ghom.

Reagindo às sanções

Irã ameaça fechar Estreito de Ormuz

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O líder supremo político e espiritual do Irã, aiatolá Ali Khamenei, descartou uma mudança de curso do Irã na disputa nuclear com o Ocidente. Mesmo as sanções acirradas recentemente não irão levar Teerã a mudar sua política nuclear, disse Khamenei em discurso transmitido pela televisão estatal. "A nação iraniana acredita em seus líderes. (...) As sanções impostas pelos inimigos contra o Irã não terão nenhuma influência sobre a nação", declarou.

O Ocidente suspeita que o Irã trabalhe secretamente em armas nucleares. As lideranças em Teerã rejeitam as acusações e defendem seu direito ao uso pacífico da energia atômica. Para aumentar a pressão sobre Teerã, os EUA aprovaram recentemente um endurecimento das sanções ao Irã. A União Europeia também aponta para medidas punitivas que devem atingir o importante setor petrolífero.

O país se encontra numa crise séria, e as sanções têm como alvo a existência econômica do Estado islâmico. Além de reagir com uma manobra da Marinha no Golfo Pérsico e com a ameaça de fechar o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um terço do petróleo transportado mundialmente por navio, Ahmadinejad procura agora o apoio na América Latina, com visitas à Venezuela, Nicarágua, Equador e Cuba.

CA/dpa/rtr/abr
Revisão: Roselaine Wandscheer

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