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Alemanha

Em Colônia, mulheres se munem de spray de pimenta

Após série de ataques a mulheres no réveillon, cresce demanda por spray de pimenta e armas de eletrochoque na Alemanha. Especialistas alertam para falsa sensação de segurança.

Em resposta às agressões sexuais em larga escala ocorridas durante o último réveillon em Colônia e Hamburgo, a Alemanha viu crescer a demanda por produtos de autodefesa, como spray de pimenta e armas de eletrochoque.

Alguns dos produtos, como o spray de pimenta, chegaram a esgotar em algumas lojas. Na Amazon alemã o produto segue disponível, e uma lata de spray de pimenta vale entre 9 e 27 euros. Há até uma versão em formato de batom.

Falsa segurança?

Segundo a psicóloga Katrin Streich, do Instituto de Psicologia e Gerenciamento de Ameças (IPBm, na sigla em alemão), em Darmstadt, a preocupação com a segurança pessoal cresceu muito nas últimas duas semanas, depois dos ataques a mulheres no Ano Novo.

Para ela, é compreensível essa procura por produtos como spray de pimenta e armas com balas de festim. "É uma tentativa de recuperar o controle de uma situação que as pessoas acreditam não estar mais controlando e na qual não se sentem mais protegidas."

Streich adverte, porém, que produtos de autodefesa dão às mulheres uma falsa sensação de segurança. É uma questão de "segurança subjetiva versus segurança objetiva", diz ela.

O fato de carregar consigo um spray de pimenta não significa que a mulher esteja segura: primeiro, o produto pode estar escondido no fundo da bolsa. Segundo, a mulher pode ficar hesitante quando precisar usá-lo ou até mesmo não estar familiarizada com seu manuseio.

Aulas de autodefesa para mulheres ganharam mais adeptas após os ataques do réveillon em Colônia

Aulas de autodefesa para mulheres ganharam mais adeptas após os ataques do réveillon em Colônia

Streich concorda que portar armas de autodefesa pode ajudar a aumentar a autoconfiança, mas ela argumenta que isso também eleva a possibilidade de situações ameaçadoras se tornarem ainda piores.

Como alternativa, a psicóloga sugere algumas medidas simples: anotar mentalmente as portas de saída quando em locais lotados, discutir possíveis procedimentos de segurança com o grupo de amigas com o qual se está e imaginar qual seria a própria reação numa situação concreta de perigo. Aulas de autodefesa são outra opção, mas apenas se servirem para fortalecer a autoconfiança da mulher, diz.

Curso de autodefesa

"Logo após o Ano Novo, tivemos um número cinco vezes maior de inscrições para as aulas de autodefesa para mulheres", afirma Josef Werner, que dirige a escola de artes marciais Silla, em Colônia.

Questionado sobre o crescente uso de produtos de autodefesa por mulheres, ele opina que simplesmente carregar um spray de pimenta consigo não soluciona o problema. "Você precisa estar preparada para passar de um modo instintivo de fuga para um modo agressivo de ataque", diz Werner. "Isso exige know-how, e você ainda precisa saber usar a arma."

Neste ano, 304 pessoas em Colônia já solicitaram a chamada "licença para pequenas armas", que autoriza o porte de armas com balas de festim ou de ar comprimido. Segundo a polícia local, há 4.857 licenças desse tipo registradas em Colônia e na cidade vizinha de Leverkusen, das quais 408 foram emitidas no ano passado.

Enquanto aumenta a demanda por produtos de autodefesa, o Partido Verde pede uma lei de armas mais rigorosa na Alemanha. "A legislação sobre o comércio de pistolas e revólveres com balas de festim ou de ar comprimido é muito vaga", diz a deputada verde Irene Mihalic.

Segundo ela, o governo deve impedir que as pessoas se armem para fazer justiça com as próprias mãos. "O faroeste não é nosso modelo", diz.

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