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Alemanha

Em busca dos caças perdidos

Aviões de guerra da Alemanha nazista são considerados tesouros nos confins da Rússia, onde caíram. Encontrados por trabalhadores, os destroços acabam nas mãos de colecionadores ingleses e norte-americanos.

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Messerschmitt 262A-1, exposto em Ohio, um dos modelos cobiçados

Ao lado do comércio de carros antigos, um segundo e "discreto" setor movimenta as vendas em uma oficina perto de Hamburgo, no norte alemão. Segundo uma reportagem publicada pelo semanário Der Spiegel, canhões e caças alemães, que acabaram soterrados em território russo durante a Segunda Guerra Mundial, são hoje resgatados em grande escala.

Não só aeronaves intactas são cobiçadas por colecionadores em todo o mundo, mas partes de asas semi destruídas, motores enferrujados ou simples partes de cabines dos aviões de guerra. "O mercado está crescendo. No momento, temos muito trabalho", explica um comerciante sem querer ser identificado.

Pagamento - O destino dos aviões e canhões é quase sempre as mãos de ricos colecionadores na Inglaterra ou Estados Unidos, que pagam respeitáveis cifras pelo "ferro velho", soterrado há meio século em solo russo. Na maioria das vezes, as aeronaves encontram-se em estado deplorável, mas a busca vale o esforço: um motor Daimler-Benz relativamente intacto do tipo Me-109 ou DB 601 é vendido por um valor em torno de 50 mil euros.

Oficinas como a Fighter Factory, em Suffolk (Virginia), nos EUA, são especializadas na restauração de antigas aeronaves de guerra. "Eu amo esses aviões e quero vê-los voando de novo", afirma Gerald Yagen, diretor da empresa. Yagen coordena uma escola técnica chamada Tidewater Tech, que, entre outros, forma mecânicos para o trabalho nas linhas aéreas norte-americanas. A restauração de caças antigos, segundo ele, "é apenas um hobby".

No entanto, apenas nos últimos três anos, Yagen fez chegar até sua oficina cinco motores Me-109, transportados da Rússia por navio. Lenhadores, pescadores e caçadores russos embrenharam-se para isso por florestas inabitadas ou em pântanos. "Essa gente tem pouco dinheiro. Se eu der a eles uns trocados por uma pista, todo mundo sai ganhando", afirma Yagen ao Der Spiegel.

Proibição - Embora a legislação russa proíba o resgate de aeronaves antigas, é possível conseguir uma licença especial para a busca dos objetos. Com ou sem ela, há uma gama de trabalhadores que passam noites em busca dos destroços. Acompanhados de documentos falsos, os restos das aeronaves passam então pela alfândega do país e seguem, via São Petersburgo, até às mãos dos compradores.

Na odisséia em busca de aviões ou mesmo de simples objetos carregados por soldados mortos, afoitos russos reviram várias valas comuns, onde foram enterrados soldados alemães durante Segunda Guerra Mundial. Segundo informa o Der Spiegel, 60 a 70% de tais cemitérios na região do Cáucaso estão completamente devastados.

Venda - Entre os receptadores poderosos, está o bilionário Paul Allen, um dos fundadores da Microsoft. Allen pretende construir um "Museu da Aviação" em Seattle, onde deverá expor sua coleção de aeronaves antigas. Com verbas imensas, sua equipe compra aviões de qualquer ano de fabricação e em qualquer estado. O leque de interessados nesses obscuros objetos vai, no entanto, "do velho nazista ao fã da técnica", como afirma Wolfgang Fleischer, diretor do Departamento de História da Técnica Militar do Museu das Forças Armadas Alemãs, em Dresden.