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Mundo

Em Berlim, integrantes da banda Pussy Riot dizem querer entrar na política

Ativistas afirmam não descartarem candidatura à prefeitura de Moscou e que estão fundando uma ONG para lutar por melhores condições nas cadeias. Mas autoridades russas dificultariam registro da organização.

Em seu novo papel de celebridades e de ativistas dos direitos humanos, as integrantes da banda punk Pussy Riot, Maria Alyokhina e Nadezhda Tolokonnikova, não fazem feio. Isso ficou claro, mais uma vez, na aparição das russas em Berlim, onde posaram para os fotógrafos ao estilo das estrelas de Hollywood e participaram do evento Cinema for Peace, cerimônia independente paralela ao Festival de Cinema de Berlim.

Depois de anistiadas em dezembro pelo presidente russo, Vladimir Putin, elas já fizeram show em Paris, apareceram com Madonna em Nova York e agora na capital alemã, lugares bastante distantes das pessoas por quem elas querem lutar: presos na Rússia.

Influenciadas pela experiência que tiveram atrás das grades, elas fundaram a organização Zona Prava ("zona dos direitos"), destinada à luta para melhorar as condições das prisões. No entanto, as primeiras dificuldades já apareceram mesmo antes de a ONG começar oficialmente a funcionar.

"O registro nos foi negado. Agora estamos fazendo uma segunda tentativa", explica Nadezhda Tolokonnikova, de 24 anos.

Pressekonferenz der Band Pussy Riot in Berlin

Como estrelas de cinema: entrevista coletiva das integrantes da Pussy Riot teve sala cheia

"Nosso advogado e sua família estão sob pressão. Eles estão sendo vigiados o tempo todo, e todos os que estão em contato com o assunto são constantemente convocados para interrogatórios policiais."

Mas as jovens não se deixam intimidar. "Vamos visitar prisões em todo o mundo", revela Maria Alyokhina, de 25 anos. "Estamos convencidas de que deve haver um sistema de controle internacional para prisões." Elas também reivindicam o controle das prisões russas através de observadores internacionais.

Sistema de controle para prisões

Elas sentiram na própria pele a situação das cadeias do país. As ativistas foram presas por causa de 40 segundos de um protesto contra o governo Putin em uma igreja em Moscou. "A pior coisa que você experimenta dentro da prisão como uma pessoa pensante é o sentimento de desesperança", diz Alyokhina em Berlim. "É impossível falar, é impossível agir. E no sistema russo você perde o seu direito de escolha, ativa e passiva. Eles tiram de você todos os direitos. Mas como alguém pode reaprender a ser livre se tem todos os direitos roubados durante anos?"

As duas mulheres aproveitam a visita a Berlim para lembrar os presos do 6 de maio de 2012 – pessoas que protestaram contra Putin na praça Bolotnaya, em Moscou. Mais de duas dúzias deles ainda estão na detenção. A anistia que libertou as músicas da banda Pussy Riot e o empresário Mikhail Khodorkovsky só serviu para presos políticos escolhidos a dedo.

Ambas garantem que querem agir politicamente. Respondendo a um jornalista, que questionou se gostariam de se candidatar à presidência, "como Mandela na África do Sul", Nadezhda Tolokonnikova observa que elas "não ficaram 26 anos de prisão, como Mandela ", mas que não descartam uma candidatura à prefeitura de Moscou. "Não custa nada tentar."

Elas também desmentiram boatos de que teriam deixado a banda Pussy Riot. "Nunca saímos da Pussy Riot", esclarece Tolokonnikova. "E nunca descartamos a possibilidade de sairmos daqui e colocarmos máscaras de esqui para ir a um show punk." Talvez ainda haja uma surpresa durante o Festival de Berlim. E mais uma coisa as moças deixaram bem claro: qualquer um pode ser uma Pussy Riot. Basta vestir uma máscara de esqui.

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