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Mundo

Eleitores holandeses descartam radicais e optam pela Europa

Com vitória do primeiro-ministro Mark Rutte, eleitores holandeses escolhem continuar aliados do curso tomado por Berlim na rota de austeridade financeira e descartam euroceticismo de candidato radical Geert Wilders.

Os partidários do primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, festejaram até as primeiras horas da manhã em Haia. Depois de horas de tensão e expectativa, o resultado estava claro: o partido liberal VVD obtivera 41 assentos, dois a mais que os social-democratas, vencendo, assim, as eleições parlamentares na Holanda. "O VVD, em sua história, nunca foi tão grande como nesta noite. Esse é um aval incrível para mim e para meu programa", comemorou Rutte, pouco após a chegar à festa de seu partido.

O candidato do VVD deixou seus seguidores esperarem um longo tempo, e levou mais de 10 minutos para conseguir atravessar a multidão de correligionários entusiasmados e chegar ao palco. Entre uma frase e outra, era interrompido por gritos eufóricos de seus apoiadores. É a primeira vez que o partido conseguiu sair como a agremiação mais forte em duas eleições consecutivas.

Com a vitória do VVD, tudo indica que a Holanda continue na rota da austeridade e aliada, em nível europeu, do curso tomado pelo governo alemão quanto à crise do euro. "Foi uma escolha clara dos eleitores pela disciplina orçamentária e pelo respeito ao limite de 3% de deficit determinado pela UE", disse o ministro do Exterior holandês e também integrante do VVD, Uriel Rosenthal.

Embora os social-democratas, segunda força no Parlamento, reivindiquem mais investimentos e uma política "mais social", além dos programas de austeridade, seu líder, Diederik Samsom, repetidamente durante a campanha se disse a favor da UE e da ajuda aos países em crise do bloco. Por isso a chanceler federal alemã, Angela Merkel, não tem motivo algum para temer alguma oposição por parte da Holanda.

Mark Rutte Niederlande Anhänger Fans Wahlen Wahl

Partidários de Mark Rutte ficaram eufóricos após a confirmação da vitória do premiê holandês

Fiasco de Geert Wilders

Um fiasco, entretanto, foi o resultado do populista de direita Geert Wilders. Seu Partido da Liberdade perdeu nove assentos em relação a 2010. Os apelos de Wilders pela saída do país da União Europeia aparentemente não agradaram aos eleitores. Todos os partidos democráticos comemoraram a queda do Partido da Liberdade. A agremiação provocou as eleições antecipadas, após rejeitar apoio ao governo minoritário do VVD para aprovar os pacotes de resgate para a Grécia. "Os eleitores mostraram que fugir não é o caminho certo a ser tomado", criticou Rosenthal.

Geert Wilders admitiu sua derrota, mas exortou seus seguidores a manterem o rumo partidário. "Nos próximos anos, as pessoas vão perceber que o euro é um grande erro. A batalha ainda não está perdida. Eu luto para proteger as pessoas da Europa."

O segundo perdedor dessas eleições foi o socialista Emile Roemer. Há algumas semanas, ele ainda tinha esperanças de assumir o cargo de primeiro-ministro. Seu partido vinha à frente nas pesquisas de opinião, desde maio. Mas nas últimas semanas, Roemer caiu nas sondagens. Sobretudo suas fracas performances nos debates de TV prejudicaram seu partido.

Protest gegen Geert Wilders in Den Haag, Niederlande

Protesto contra Geert Wilders: partido de líder populista de direita perdeu nove cadeiras

"As pessoas gostam das ideias de Roemer. Mas não o veem como o próximo primeiro-ministro. Elas não o conseguem ver nas reuniões em Bruxelas ao lado de Angela Merkel e François Hollande", acredita André Krouwel, cientista político da Universidade Livre de Amsterdã. Ele vem analisando há anos as preferências do eleitorado holandês. "Roemer carece de experiência. Ele é um político local. A crise do euro é um algo grande demais para para ele", avalia.

O partido de Roemer conseguiu somente 15 lugares no Parlamento, se tornando, provavelmente, a terceira força na casa, juntamente com o partido de Wilders. "Estou orgulhoso do resultado, e esperamos poder sentar à mesa de negociação para formar uma coalizão de governo", afirmou o deputado socialista Renske Leijten.

Coalizão complicada

Na manhã desta quinta-feira, os líderes de partido se encontraram em Haia a convite do presidente do Parlamento holandês, para discutir possíveis coalizões. Os votos obtidos por liberais e social-democratas fazem com que uma coligação bipartidária seja suficiente para governar. No entanto, essa alternativa é pouco provável. Os candidatos de ambos os partidos já descartaram essa hipótese durante a campanha. Eles preferem poder contar com outros partidos menores no governo. As maiores chances estão com os liberais de esquerda do D66, que obtiveram 12 lugares, e com os democrata-cristãos, com 13 assentos.

O que está claro, entretanto, é que os dois maiores partidos têm que cooperar. Todas as outras combinações, incluindo aquelas com mais partidos, não chegam à necessária maioria de 75 assentos. Vários políticos já apelaram para que Rutte e Samsom formem rapidamente um gabinete de governo. Nas últimas eleições, em 2010, foram necessários quatro meses até que uma coalizão fosse formada.

Autora: Ruth Reichstein (md)
Revisão: Carlos Albuquerque

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