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Mundo

Eleições selam curso pró-europeu na Ucrânia

Blocos do presidente Poroshenko e do primeiro-ministro Yatsenyuk negociam formação de coalizão. Ocidente saúda resultados, e Rússia diz que país pode agora se ocupar de seus "reais problemas".

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Presidente Poroshenko: 'País se decidiu pela União Europeia'

Quase um ano depois do início dos protestos pró-Europa em Kiev, os eleitores ucranianos selaram neste domingo (26/10) a orientação do país em direção ao Ocidente: os partidos com um curso pró-europeu receberam cerca de 55% dos votos nas eleições parlamentares.

Após a contagem de 60% dos votos, tanto o bloco pró-ocidental do presidente Petro Poroshenko, quanto a Frente Popular, do primeiro-ministro Arseniy Yatsenyuk, apareciam com cerca de 22% dos votos cada.

De acordo com Poroshenko, o país decidiu-se claramente pela União Europeia (UE). As eleições foram uma demonstração "poderosa" de uma ligação estreita com a UE, declarou o presidente logo após a divulgação dos primeiros prognósticos. Para o líder ucraniano, o apoio a esse caminho teria sido "forte e irreversível".

Yatsenyuk anunciou a formação rápida de um novo governo. Na nova coalizão, o partido Pátria, da ex-primeira-ministra Yulia Timoshenko poderá estar presente, segundo o premiê – apesar de ter conseguido apenas cerca de 6% dos votos.

Cerca de 70% dos ucranianos aptos a votar foram às urnas, um recorde desde a independência do país, em 1991. No entanto, por volta de 5 milhões dos 36,5 milhões de eleitores não puderam votar por viverem na Crimeia, que foi anexada pela Rússia, ou nas autoproclamadas "repúblicas populares" de Donetsk e Lugansk.

De acordo com os resultados parciais, a coalizão Bloco de Oposição, de orientação pró-Rússia, recebeu 9,6% dos votos, e o Partido Radical, do populista Oleg Lyashko, ficou com cerca de 7,5% da preferência eleitoral. Provavelmente o partido radical de direita Svoboda não conseguirá superar a barreira eleitoral de 5% para conseguir representação parlamentar.

Rússia reconhece resultado

Ukraine Wahl Arseni Jazenjuk bei Stimmabgabe

Yatenyuk (d) saiu fortalecido das eleições

A Rússia reconheceu o resultado, mas, ao mesmo tempo, criticou a campanha eleitoral "suja e dura". Mas o governo de Moscou também se mostrou aliviado. Segundo o ministro do Exterior, Serguei Lavrov, a liderança em Kiev pode agora, com essa constelação de poder, se dedicar aos "reais problemas da sociedade".

Os rebeldes pró-Rússia nas regiões separatistas no leste da Ucrânia classificaram a votação como uma "farsa". O líder rebelde Andrei Purgin afirmou em Donetsk que a eleição teria ocorrido "numa atmosfera de amedrontamento da população, numa atmosfera de guerra".

Em grande parte das regiões de Donetsk e Lugansk, os separatistas não permitiram a realização das eleições legislativas ucranianas. No próximo dia 2 de novembro, eles pretendem realizar o seu próprio pleito nas chamadas "repúblicas populares", apesar dos protestos de Kiev.

Assim, 27 dos 450 assentos do Parlamento ucraniano permanecerão vazios porque os respectivos distritos eleitorais se localizam na Península da Crimeia, que foi anexada pela Rússia, e nas regiões dominadas pelos rebeldes no leste da Ucrânia.

Saudações ocidentais

Do Ocidente, por sua vez, não faltaram elogios. Nesta segunda-feira, a União Europeia saudou a eleição ucraniana como uma vitória da democracia e das reformas pró-europeias na ex-república soviética. Ao mesmo tempo, a UE instou o futuro governo em Kiev à implementação de reformas e à convocação de um diálogo nacional.

"A União Europeia espera uma rápida formação de governo em Kiev", declararam o presidente do Conselho Europeu, Herman van Rompuy, e o chefe da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, nesta segunda-feira, em Bruxelas.

De acordo com o presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, uma das mais importantes tarefas do novo governo será trabalhar numa "solução pacífica" para o conflito no leste do país, como também na renovação econômica da Ucrânia.

O governo alemão também se mostrou satisfeito com o resultado das eleições ucranianas. Em Berlim, o porta-voz do governo, Steffen Seibert, afirmou que os ucranianos teriam se decidido por um recomeço sem a participação no governo de "extremistas e populistas".

CA/afp/dpa/rtr/ap

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