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América Latina

Eleições são promessa de recomeço para Honduras

Quatro anos após deposição de Manuel Zelaya, esposa do ex-presidente é favorita na eleição presidencial. Hondurenhos esperam reinício democrático e econômico num país onde mais da metade da população vive na pobreza.

Honduras quer se reinventar nas eleições presidenciais e parlamentares deste domingo (24/11). Pela primeira vez em cem anos, os eleitores podem escolher entre oito candidatos e nove formações políticas. Parece ter acabado a predominância dos dois partidos tradicionais, que anteriormente se alternavam no poder.

Numerosos analistas esperam um reinício democrático para o país. Cerca de 15 mil observadores nacionais e 741 internacionais vão acompanhar o disputado pleito. "É uma eleição muito importante, pois na última, em 2009, muita gente achava que não tinha opção para votar", diz Inés Klissenbauer, da Adveniat, entidade humanitária da Igreja Católica alemã que apoia projetos sociais em Honduras. "Nesta eleição há mais opções, e as pessoas se sentem mais bem representadas".

Agora, ex-presidente Manuel Zelaya, deposto quatro anos atrás, quer entrar novamente no palácio do governo. Só que desta vez pela porta dos fundos, já que a Constituição de Honduras proíbe a reeleição de membros do Executivo.

Na atual campanha eleitoral, Zelaya exerce "apenas" o papel de consultor político de sua esposa, Xiomara Castro de Zelaya, 54 anos, candidata presidencial do Partido Liberdade e Refundação ("Libre"), recém-fundado pelo ex-chefe de Estado.

Partidos fortes querem renovar Honduras

Honduras Manuel Zelaya in Tegucigalpa

Manuel Zelaya: impedido de se candidatar, ex-presidente faz campanha para a esposa

"Se Xiomara ganhar a eleição, assumirá o projeto de Zelaya e formará uma Assembleia Constituinte para fundar uma nova Honduras", prevê Ricardo Lagos Andino, ex-embaixador hondurenho na Alemanha e professor de política na Universidade Nacional Autônoma de Honduras.

Na opinião de Andino, a Constituição atual emperra o equilíbrio de poder, contribuindo para que uma pequena elite domine a economia e a política do país. "Zelaya quer quebrar este poder para que mudanças sejam possíveis."

E há boas chances de a ex-primeira-dama se tornar a nova chefe de Estado. De acordo com uma pesquisa realizada pela empresa Cid Gallup e publicada em 24 de outubro, 27% dos eleitores pretendem votar em Xiomara, embora a candidata nunca tenha exercido um cargo político; enquanto 28% preferem o presidente do Parlamento, Juan Orlando Hernández, candidato do conservador Partido Nacional, que atualmente governa o país.

Experimentos para uma nova Honduras

Xiomara Castro de Zelaya

Xiomara Castro de Zelaya: ex-primeira dama nunca exerceu cargo público

O Partido Nacional também aposta na renovação. Ele quer, entre outras coisas, criar regiões especiais de desenvolvimento, com a ajuda de investidores estrangeiros. Essas comunidades funcionarão como laboratórios, testando em Honduras sistemas sociais, jurisdição e uma legislação fiscal liberal já existentes em outros países.

Na campanha eleitoral hondurenha, essa ideia enfrenta grande resistência. As forças políticas de esquerda classificam como neoliberalismo a proposta, levada ao governo hondurenho pelo professor de economia norte-americano Paul Romer. Os defensores do projeto, do Partido Nacional, pretendem levá-lo adiante com uma nova comissão de especialistas.

Problemas sociais e econômicos

Para a maioria dos 8 milhões de habitantes de Honduras, esses debates parecem teóricos demais. No cotidiano, eles literalmente lutam pela sobrevivência. De acordo com a imprensa local, Honduras é um dos países mais perigosos do mundo. A taxa de homicídios é de 85,5 para cada 100 mil habitantes, enquanto a média mundial é de sete mortes por 100 mil habitantes, de acordo com a ONU.

Juan Orlando Hernández

Juan Orlando Hernández, presidente do Parlamento, é bem cotado em pesquisa

Economicamente, o país vai muito mal. Cerca de 62% da população vive na pobreza, segundo dados do Banco Mundial. A receita fiscal baixa e os altos gastos com os salários do setor público fizeram a dívida pública aumentar em 2012, em apenas um ano, de 4,5% para 6% do Produto Interno Bruto. Devido à queda dos preços no mercado mundial, também caíram os rendimentos com café e bananas, os principais produtos de exportação.

"As pessoas em Honduras estão mais insatisfeitas do que a população do Haiti, apesar de o país ainda não ter se recuperado do terremoto devastador de 2010", é a conclusão da recente pesquisa intitulada Barômetro das Américas 2013, da Universidade Vanderbilt, em Nashville. A polarização política, a corrupção e a impunidade têm causado grande insatisfação, tornando o reinício político após a eleição ainda mais importante para os hondurenhos.