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Mundo

Eleições na Rússia: Longe da democracia?

Vladimir Putin foi reeleito presidente da Rússia com 71,2% dos votos. Seu mais forte concorrente, o comunista Nikolai Charitonov, conseguiu apenas 13,7% dos votos. Miograd Soric, da DW-RADIO, comenta.

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Nisto ele tem razão: "Eleição é um dos mais importantes estímulos da democracia", disse recentemente o presidente da Rússia, Vladimir Putin. Que pena que lhe faltou desejo de seguir seu próprio discurso. Pois não se pode dizer que houve eleições de fato livres. Há meses o vitorioso já estava definido, comentou Miograd Soric, chefe das redações de idioma estrangeiro da DW-RADIO.

Os concorrentes em potencial não tiveram a menor chance de fazer uso da mídia eletrônica controlada pelo Estado para como se apresentarem ao eleitorado. Os candidatos que poderiam ser uma ameaça à reeleição de Putin, como o empresário Michail Chodorkowski, foram jogados sem mais nem menos na cadeia.

Não, não se pode falar que houve realmente eleições na Rússia, reafirmou o jornalista da DW-RADIO. Por esse motivo, a Rússia ainda não é uma verdadeira democracia. O que ocorreu no domingo (14/03) nos locais de votação do norte ao sul do país pode ser considerado, no máximo, um plebiscito. À população foi concedida a oportunidade de marcar na cédula eleitoral um "x" no nome do único candidato em potencial, para confirmar que ele era o único candidato de peso.

Estratégia e gratidão

As mensagens de congratulações enviadas pelos chefes de Estado e governo do Ocidente ao antigo e novo presidente Putin irão ignorar prudentemente esta mácula da eleição presidencial russa. Afinal, garantiu o jornalista perito em Rússia, eles também terão que trabalhar no futuro em conjunto com o chefe do Cremlin.

Para a maioria dos russos não foi difícil votar em Putin. Por um lado, nas últimas semanas a TV e as emissoras de radio russas despejaram uma avalanche de elogios ao candidato. Por outro, muitos russos com mais idade têm um profundo sentimento de gratidão para com o político de Moscou. Ele conseguiu que as aposentadorias e salários fossem novamente pagos pontualmente em toda a vasta extensão do território russo. A maior parte dos russos vive melhor sob o governo de Putin do que na época de seu antecessor, Boris Jelsin.

Boas intenções

As chances de recuperação da economia russa são boas, avaliou Soric, levando-se especialmente em conta o aumento mundial do preço do petróleo e do gás. A China e a Índia são dois grandes mercados em expansão. Os milhares de veículos licenciados nestes países todo o ano precisam de combustível. A Rússia irá abastecer estes mercados.

Putin pretende investir na modernização do país com a arrecadação de impostos. Isto é uma atitude inteligente e merece reconhecimento. Volumosas quantias serão destinadas à reconstrução da precária infra-estrutura, especialmente em regiões além de Moscou e São Petersburgo. Acima de tudo é preciso investir nas áreas de ensino e saúde. Por muito tempo o líder russo ignorou a perigosa proliferação da Aids no país.

Moscou pretende ainda cumprir pontualmente os compromissos das dívidas com os credores internacionais e incrementar as relações de negócios com os países da ex-União Soviética, revelou Soric.

Bons e maus exemplos

O velho e novo presidente não assume apenas a responsabilidade pela Rússia. É impressionante notar como a Comunidade dos Países Independentes costuma seguir os maus exemplos de Moscou. Quando Putin controla com rédeas curtas a mídia eletrônica, é imediatamente imitado na Ucrânia ou Bielorússia. Lá, os déspotas também controlam com rigor os meios de comunicação. Infelizmente a Rússia ainda é um exemplo - tanto nos aspectos positivos, quanto nos negativos – para muitos países fronteiriços.

Ao concluir seu comentário, o chefe das redações de idioma estrangeiro da DW-RADIO, Miograd Soric, lembrou que para a Alemanha e os demais países ocidentais, a Rússia liderada por Putin é um parceiro previsível, embora nem sempre confiável e muito menos fácil. A maioria dos russos ainda não compartilha inteiramente dos valores do Ocidente. Ainda não.

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