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Mundo

Eleição pode marcar guinada na política espanhola

Sondagens mostram que duas forças políticas emergentes ameaçam o tradicional sistema bipartidário da Espanha. Uma das campanhas mais sujas da história recente termina com quase 40% de indecisos.

Os espanhóis vão às urnas neste domingo (20/12) em eleições gerais marcadas por uma forte disputa. Se as pesquisas eleitorais se confirmarem, os dois principais partidos terão que buscar o apoio de outras duas legendas emergentes que, com o forte respaldo dos eleitores, vão desempenhar um importante papel na hora de escolher o próximo primeiro-ministro do país.

Com uma estimativa de 40% de eleitores indecisos em disputa pelos partidos, e reivindicações de muitos insatisfeitos já aborrecidos com o sistema bipartidário de longa data do país, a campanha eleitoral espanhola se transformou em uma das mais sujas de sua história recente.

Os candidatos dos quatro partidos que lideram as pesquisas intensificaram seus ataques pessoais contra os outros concorrentes e ignoram as promessas que fizeram no início da campanha eleitoral.

Enquanto a legenda de centro-direita Partido Popular (PP), do primeiro-ministro Mariano Rajoy, tem a expectativa de vencer a eleição, números de pesquisas desta semana mostram que ele não deverá obter assentos suficientes – entre os 350 na Câmara e 208 no Senado – para governar sem o apoio de outros grupos políticos.

Na luta pelo segundo lugar estão a legenda de centro-esquerda Partido Socialista Operário Espanhol (Psoe) – a outra força dominante na Espanha –; a crescente legenda de centro-direita Ciudadanos (Cidadãos) e o esquerdista Podemos.

Na disputa estão, por exemplo, o secretário-geral do Psoe, Pedro Sánchez, de 43 anos, que tem sido preparado por seu partido como a nova geração de líderes espanhóis. Ele aparece em oposição à velha guarda que Rajoy, de 60 anos, representa.

Spanien Madrid, Wahlkampf TV-Debatte Rivera Sanchez Iglesias

Rivera (esq.), Sánchez (centro) e Iglesias antes de debate eleitoral

Concorrência acirrada

Mas Sánchez enfrenta uma competição acirrada do líder do Ciudadanos, Albert Rivera, de 36 anos, um político carismático que promete duras medidas contra corrupção, além do secretário-geral do Podemos, Pablo Iglesias, de 37 anos, um esquerdista que promete investimento nas áreas sociais.

Resultados de uma recente pesquisa eleitoral realizada pelo jornal El País mostram que o PP deverá receber 25,3% dos votos, enquanto o Psoe tem 21% de apoio do eleitorado. Podemos e Ciudadanos estão logo atrás dos Socialistas, com 19% e 18%, respectivamente.

Desde que Rajoy assumiu o cargo, em 2011, seu governo tem lutado contra uma taxa de desemprego de 22% e uma série de relevantes casos de corrupção envolvendo alguns políticos próximos dele.

As medidas de austeridade impostas por Bruxelas, além do lento crescimento atual da economia, apesar das reformas econômicas de Rajoy, também contribuíram para a impopularidade do primeiro-ministro entre muitos cidadãos.

"Uma grande parte da sociedade espanhola mudou. As pessoas estão reivindicando novas coisas, e o [futuro] Parlamento terá que responder", afirma Jorge Galindo, do politikon.es, um site independente mantido por acadêmicos e profissionais que analisam questões atuais na Espanha.

Estas demandas vêm de espanhóis frustrados que acreditam que os partidos tradicionais falharam em resolver seus problemas desde a crise econômica de 2008 e 2009.

Muitos problemas

O governo Rajoy está também se debatendo com o desemprego juvenil, que permanece acima dos 50%. Muitos dos que perderam seus trabalhos durante as demissões em massa, que ocorreram em vários setores durante a crise, não conseguiram ainda encontrar trabalho. Cortes nos gastos em saúde e educação deixaram muitos espanhóis sem os benefícios que eles tinham assegurado há apenas poucos anos.

"O primeiro-ministro afirma que a economia melhorou desde que ele foi eleito. Talvez para eles e os bancos, porque o dinheiro não apareceu", afirma María de Lourdes Calvert García, uma auxiliar de enfermagem, de 34 anos, divorciada e que tem uma filha pequena.

Spanien Premierminister Mariano Rajoy in Madrid,

Rajoy sofre pressão de concorrentes nos debates eleitorais

A acalorada discussão sobre a independência catalã também veio à tona. Apenas o Podemos afirmou que, caso entre no poder, deverá apoiar um referendo patrocinado pelo governo sobre a separação.

Durante o único debate no início desta semana, Sánchez acusou Rajoy de "não ser uma pessoa honesta" e disse que ele mentiu repetidamente à população ao insistir que o governo do PP foi bem-sucedido em evitar um socorro financeiro de Bruxelas no auge da crise.

"Você mente, mente, mente, senhor primeiro-ministro. Houve um resgate ou não?", perguntou Sanchez, de forma incisiva, ao premiê Rajoy.

"Não. Houve ajuda a um sistema bancário em crise que herdamos do governo socialista passado", respondeu o veterano político do PP.

Em junho de 2010, os parceiros europeus da Espanha concordaram em ajudar o governo Rajoy a estabilizar e recapitalizar as instituições financeiras mediante a concessão de uma linha de crédito de 40 bilhões de euros. Desde então, a Espanha vem realizando os reembolsos dos empréstimos.

"Você é muito jovem, você vai perder esta eleição", rebateu o premiê.

Parcerias políticas

O tom deste confronto foi semelhante ao debate na última semana, quando Rivera e Iglesias, também recém-chegados à política nacional, encurralaram Sánchez sobre gastos sociais, corrupção do partido e economia.

Além da campanha negativa, os eleitores têm especulado sobre as parcerias políticas que, eventualmente, serão fechadas após as eleições de domingo.

Alguns analistas acreditam que acordos secretos já foram fechados entre Psoe, Ciudadanos e Podemos para uma coalizão tripartidária com o objetivo de manter o PP longe do poder.

Outros acreditam que PP e Ciudadanos poderiam ser juntar, com o novo grupo conservador permanecendo em segundo plano e não aderindo ao governo Rajoy. Mas, em contrapartida, pressionando ele por reformas nos bastidores.

"Eu não acredito que eles não saibam o que vão fazer", afirma o analista político Galindo. "Eles não vão arriscar mostrando todas as suas cartas antes da eleição."

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