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América Latina

Eleição marcada pela indiferença deve dar vitória a Bachelet no Chile

Segundo turno das presidenciais tem candidatas de visões opostas, que podem mudar o rumo do país a longo prazo. No entanto, poucos chilenos parecem se interessar pelo que vai acontecer nas urnas.

Atualmente não vem faltando assunto de conversa para os chilenos – o Natal está à porta, as férias estão começando e os preparativos para o período de veraneio têm de ser feitos. E, naturalmente, a Copa de 2014, na qual o Chile vai jogar no "grupo da morte" contra Espanha e Holanda. Um tema, porém, parece pouco falado: o segundo turno da eleição presidencial.

Talvez tenha havido campanha eleitoral demais, burburinho demais. Talvez seja a nova liberdade dos chilenos de não terem que votar: a obrigatoriedade foi revogada há pouco tempo. No primeiro turno da eleição presidencial, em novembro, a participação eleitoral foi de 49%. No entanto, a eleição é crucial para o futuro do país. "O que está em jogo é o tipo de sociedade que queremos", diz o sociólogo Eugenio Tironi.

Isso está representado pelas duas candidatas que chegaram ao segundo turno: a conservadora Evelyn Matthei quer algumas mudanças, mas não pretende alterar o curso fundamental de governança. Em contrapartida, sua adversária e ex-colega de escola, a socialista Michelle Bachelet, quer intervir profundamente nas estruturas do Estado. Para ela, o futuro só pode ser garantido através de reformas maciças.

Wahl in Chile 05.11.2013

Cartazes eleitorais no Chile: Michelle Bachelet é considerada a grande favorita

"Ela começará certamente com uma reforma tributária com vista ao financiamento posterior de medidas profundas e à redução do déficit. Então vem a reforma da educação, para que todos tenham as mesmas chances e possam obter uma formação de qualidade. A reforma da Constituição será a mais difícil, porque o partido de Bachelet não possui assentos suficientes no Congresso. Ou seja, ela terá de negociar com a futura oposição", prevê o economista Cristóbal Huneeus.

É quase certo que Bachelet ganhará as eleições. Ela deverá contar com os muitos votos dos apoiadores daqueles que foram eliminados no primeiro turno. Com respeitáveis 25% da preferência eleitoral, Evelyn Matthei, por outro lado, esgotou completamente o seu potencial.

Conservadores: pouca chance

Mesmo assim, os conservadores lutaram até o fim. No último debate televisionado das duas candidatas, na terça-feira, Matthei pôde, vez ou outra, colocar a grande favorita na berlinda, ganhando pontos com uma preparação brilhante e fatos arrasadores.

"Agradou-me o fato de ela ter dado respostas concretas às perguntas, sem manobras evasivas, sem resultados de estudos e comissões, mas com medidas claras e reais", elogiou uma eleitora de Evelyn Matthei. Observadores neutros também registraram que a candidata de esquerda mal foi capaz de explicar como ela pretende financiar as reformas.

Enquanto as associações comerciais estão preocupadas com o clima de investimento, temendo uma forte guinada à esquerda, os defensores de reformas ameaçam fazer pressão nas ruas, caso suas reivindicações não sejam atendidas rapidamente.

Chile Präsidentschaftswahl TV Duell 10.12.2013

Evelyn Matthei conseguiu ganhar pontos sobre Michelle Bachelet no último debate televisionado

O objetivo é a educação gratuita e de qualidade para todos, a redistribuição das riquezas e mais benefícios sociais do Estado. Bachelet possui claramente mais experiência em lidar com tais reivindicações, explica Huneeus: "Ela já foi presidente, e na ocasião também houve protestos sociais, que ela enfrentou claramente. Não importa se saiu bem ou mal – ela aprendeu a lição. Por esse motivo, desta vez, ela será capaz de lidar melhor com isso."

Mesmo muitos dos chilenos que se beneficiaram do boom econômico dos últimos anos e alcançaram sob o atual governo conservador uma prosperidade modesta, mas considerável para a América Latina, têm grande simpatia pela carismática Michelle Bachelet. Para eles, o atual presidente Sebastián Piñera é visto como um homem de negócios frio e implacável. Mas não se sabe se isso levará a um número considerável de votos. A vitória de Bachelet parece tão certa que é difícil motivar seus apoiadores.

Mas isso é o que Bachelet menos precisa para seus projetos: ganhar com uma maioria que, embora seja matematicamente correta, simbolicamente não convence ninguém.

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