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Cultura

Einstein, a Relatividade vai a Copacabana

Para quem ainda não sabe, Albert Einstein esteve no Brasil. Sua passagem pela cidade do Rio de Janeiro foi curta e sem grande destaque científico. Mas, com certeza, uma experiência inédita e inesquecível para o gênio.

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Einstein fora das salas de aula

A maior celebridade científica do século 20 criou a Teoria da Relatividade, provou que espaço é inconstante; tempo, relativo e que E=mc². Decifrou as leis do universo, inspirou punks – cabelo desalinhado e língua de fora. Ajudou a criar a bomba atômica, depois lutou contra ela. Foi considerado retardado na escola; quando adulto: gênio. Apoiou Mahatma Gandhi, judeus, palestinos. Ganhou Nobel, fugiu do nazismo... E para completar o currículo atribulado: visitou o Brasil.

Einstein foi à América do Sul com o intuito de divulgar a Teoria da Relatividade, difundir os avanços da Física e mostrar que a ciência podia transpor fronteiras nacionalistas. O físico alemão passou por Buenos Aires e Montevidéu antes de desembarcar no porto do Rio com seu violino, na segunda-feira, 4 de maio de 1925. A cidade maravilhosa, na época capital do país, entrou em alvoroço com a chegada do prêmio Nobel de 1921.

Vatapá e tripanossomo

"O Rio é um verdadeiro paraíso e uma alegre mistura de povos", escreveu o físico. Nos sete dias em que esteve na cidade, Einstein, além do acadêmico, mostrou o turista dentro de si, cumprindo um roteiro digno de entrar para o programa da Rio-Tour "conheça o Rio de cabo a rabo".

Hospedou-se no Hotel Glória – quarto número 400. Visitou Santa Tereza, Copacabana e almoçou no Palace; conheceu a Floresta da Tijuca e o Museu Nacional. Foi ao Jardim Botânico, São Conrado... Subiu o Corcovado, o Pão de Açúcar, "uma viagem vertiginosa sobre a floresta, preso por um cabo de aço", descreveu ele. Andou pelas matas, escreveu cartão-postal, saboreou o pôr-do-sol e bronzeou o rosto descorado de laboratório.

Albert Einstein mit Galeriebild

Amante da música, Einstein levou seu violino para o Rio de Janeiro

E como bom turista, provou da hospitalidade tupiniquim: Einstein ganhou mudinha de jequitibá, caixinha de madeira com pedras preciosas nacionais, medalha de bronze e diploma de honra. Almoçou cada dia na casa de um, comeu vatapá, discutiu culinária e os costumes das moças brasileiras. Falou em programa de rádio e virou nome de prêmio científico.

Por incrível que pareça, Einstein ainda achou tempo para ministrar duas conferências sobre a Teoria da Relatividade, visitar instituições científicas como o Instituto Oswaldo Cruz e espiar o tripanossomo no microscópio. Encontrou-se também com uma porção de celebridades – inclusive com o presidente da República, Arthur Bernardes.

Gravata emprestada

Isidoro Kohn, judeu austríaco, foi o cicerone de Einstein durante sua estada no Rio. Dono de loja de tecidos, Kohn sugeriu, como primeiro passeio, uma visita a casas do ramo – o físico precisaria de terno adequado para encontrar o presidente. Einstein, não dado a formalidades e cozinhando de calor, achou a idéia descabida. Resistiu o quanto pôde... Uma hora depois, o prêmio Nobel provava um modelo na alfaiataria Tombo do Rio, na Rua da Carioca.

Arthur Bernardes conheceu Einstein de fraque cheirando à loja e gravata emprestada – e Kohn nunca mais recebeu a gravata de volta. Ainda de roupa nova, Einstein foi ao Clube de Engenharia do Rio de Janeiro, onde ministrou sua primeira conferência sobre a Relatividade em solo brasileiro. A nata social, embaixadores, intelectuais, políticos, militares e seus respectivos esposas e filhos, todos lá, lotando o recinto.

Einstein palestrou espremido junto ao quadro-negro, fazendo os desenhos da mudança de referencial. O gênio falou em francês, mas mal foi ouvido – devido ao calor, as janelas estavam abertas. Barulho de rua invadia a sala e Relatividade ganhava as esquinas cariocas.

O moço que equacionou o universo

Albert Einstein mit Galeriebild

Einstein equacionando o universo

Albert Einstein tinha apenas 26 anos quando expôs ao mundo a Teoria da Relatividade Restrita. Dez anos depois, ampliaria a noção de tempo-espaço na Teoria Geral da Relatividade.

Um raio de luz proveniente de uma estrela sofre uma alteração de trajetória ao passar perto do Sol. A massa deste deforma o espaço a sua volta e o raio de luz acompanha tal curvatura. A confirmação deste último fenômeno durante um eclipse em 1919 tornou Einstein mundialmente conhecido. E, em 1921, receberia o Prêmio Nobel de Física.

Relatividade do lado de baixo do Equador

É provável que a platéia carioca não tenha entendido patavina do que Einstein disse: o que não era em francês, era fórmula matemática. E em português só mesmo o "Olha o abacaxi!" dos ambulantes do lado de fora do Clube de Engenharia. Mas a falta de compreensão não foi motivo de constrangimento para os brasileiros. Afinal, na década de 20, havia poucos no mundo que compreendiam a teoria do gênio. Muitos nem a reconheciam como sendo correta.

Os articuladores da Campanha Anti-Relatividade – termo criado pelo próprio Einstein – unia anti-semitas e críticos das novas idéias científicas. Esse, pelo menos, não era o caso do público brasileiro. Mesmo sem compreendê-los, todo mundo elogiou aqueles números e palavras indecifráveis. Einstein foi aplaudido com sincera admiração. E, pensando bem, quem melhor que brasileiro para saber como as coisas são relativas.

Mas para aumentar o nível acadêmico da conferência seguinte, os organizadores tomaram as providências adequadas, o público seria selecionado: "Só podem tomar parte da segunda palestra os que já participaram da primeira". Albert Einstein começava a se familiarizar com os contra-sensos tropicais. Leia na página seguinte mais sobre Einstein no Brasil

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