Egípcios vão às ruas pressionar militares em nome da revolução | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 08.07.2011
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Mundo

Egípcios vão às ruas pressionar militares em nome da revolução

Milhares de pessoas foram às ruas de várias cidades do Egito para pedir a condenação dos culpados pela morte de manifestantes. Egípcios querem instar militares a implantar reformas e ceder poder a governo de transição.

Manifestações continuam no Egito

Manifestações continuam no Egito

Milhares de egípcios voltaram às ruas nesta sexta-feira (08/07) para defender a revolução que depôs o ex-presidente Hosni Mubarak, e direcionar sua ira contra os militares, devido ao lento processo de reformas.
"Nós não vimos nenhuma mudança. Nós tiramos Mubarak do poder e ganhamos um marechal", reclama um egípcio com um grande cartaz na mão. Ele se refere a Hussein Tantawi, chefe do Conselho Supremo das Forças Armadas, que tomou o poder em fevereiro e prometeu abrir caminho para um sistema democrático.
A polícia estava ausente da Praça Tahrir nesta sexta-feira, mas soldados e tanques do Exército foram vistos ao redor de instituições públicas, incluindo o edifício do Parlamento. Grupos pró-democracia se encarregaram de checar os documentos de identificação dos manifestantes, a fim de impedir provocadores de entrarem na praça para causar problemas.
Segundo os organizadores do protesto, criminosos armados, suspeitos de terem sido contratados por aliados de Mubarak, foram detidos e entregues à Polícia Militar egípcia.
Povo exige condenação dos culpados pela morte de manifestantes durante os protestos

Povo exige condenação dos culpados pela morte de manifestantes durante os protestos

Além da Praça Tahrir, no Cairo, os manifestantes também ocuparam as ruas de Alexandria, Suez e Ismailia. Na cidade de Sharm el-Sheikh, no Mar Vermelho, centenas de manifestantes se aglomeraram em frente ao hospital onde Mubarak é mantido sob custódia, exigindo seu julgamento e sua partida da cidade turística que teve queda nos negócios desde o levante de 25 de janeiro.
Entre as principais reivindicações dos últimos protestos está o fim dos julgamentos militares de civis, a demissão e julgamento de policiais acusados de matar manifestantes e um completo e transparente processo judicial contra os funcionários do antigo regime.
À espera de justiça
Os protestos eclodiram depois que um tribunal confirmou uma decisão anterior de libertar sob fiança sete policiais acusados de matar 17 civis no Cairo durante a revolta anti-Mubarak. Os líderes militares estariam fazendo muito pouco para esclarecer o processo e levar os culpados à Justiça, diz Hala Shukrallah, diretora do Centro de Apoio ao Desenvolvimento no Cairo.
"O povo não entende por que está demorando tanto para que as pessoas que atacaram os manifestantes sejam julgadas e condenadas. Nós tivemos mais de mil mortos e a maioria foi baleada na cabeça. Isso significa que houve uma ordem para atirar. E há pessoas que se sabe estarem envolvidas."
Hala Shukrallah diz que país precisa de nova Constituição

Hala Shukrallah diz que país precisa de nova Constituição

Repetidas denúncias acusam manipulação nos processos judiciais contra as forças de segurança que usaram de violência na revolução, que levou à morte de 846 civis. Ativistas pró-democracia dizem que policiais responsáveis pela repressão, antes e durante a revolta, continuam indo ao trabalho.

Na véspera dos protestos, as autoridades egípcias convocaram 25 ex-políticos, incluindo dois assessores próximos de Mubarak, ao tribunal penal sob a acusação de incitarem o ataque a manifestantes no Cairo em fevereiro.
Governo civil sem poder
Além disso, segundo Shukrallah, o Conselho Militar estaria prejudicando o funcionamento do governo de transição. "Nós sabemos muito bem que esse governo não tem poder nenhum. O primeiro-ministro disse que tentou trocar sete ministros, mas os militares o impediram. Agora nós precisamos fazer pressão para que o governo tenha poder para fazer o processo avançar."
Um governo eleito pelo povo é algo que a ativista política não espera para logo. As eleições que estavam previstas para setembro foram adiadas por um ano, diz ela. O mais importante, no entanto, é que o Egito ganhe rapidamente uma nova Constituição.
Autora: Bettina Marx / Francis França
Revisão: Carlos Albuquerque

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